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Legião Urbana Rock & Poesia


Feliz Natal

Feliz Natal a todos da família LEGIÃO URBANA...

MUITA PAZ, SAÚDE E FELICIDADE, E MUITO SOM NO SEU RÁDIO!!!

"URBANA LEGIO OMNIA VINCIT"



Escrito por Renan Russo às 11h34 PM
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Sagrado Coração
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Sei que tenho um coração
Mas é difícil de explicar
De falar de bondade e gratidão
E estas coisas que ninguém gosta de falar

Falam de um lugar
Mas onde é que está ?
Onde há virtude e inteligência
E as pessoas são boas e sensíveis
E que a luz no coração
É o que pode me salvar
Mas não acredito nisso
Tento mas é só de vez em quando

Onde está este lugar ?
Onde está essa luz ?
Se o que vejo é tão triste
E o que fazemos tão errado ?

E me disseram ! Este lugar pode estar sempre ao seu lado
E a alegria dentro de você
Porque sua vida é luz

E quando vi seus olhos
E a alegria no seu corpo
E o sorriso nos seus lábios
Eu quase acreditei
Mas é tão difícil

Por isso peço por favor
Pense em mim, ore por mim
E me diga: - este lugar distante está dentro de você
E me diga que nossa vida é luz
Me fale do sagrado coração
Porque eu preciso de ajuda



Escrito por Renan Russo às 12h36 AM
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Mariane
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

I've been working all day
I've been thinking a lot
I've been doing some things
Taht are not quite right
I've been thinking about you
I've been thinking about you
When will you return ?

I've been working all day
I've been thinking a lot
I've been lost in the morning
I don't know waht it costs
Will you finde me there ?

And I guess it's just a phase
I don't know where I'm going
And I guess it's just a phase
I don't know where I'm going

I've been working all day
I've been thinking a lot
I've been lost in the morning
I don't know waht it costs
I don't think about you
I will be able to do
Will you let me be ?

And I don't know where I'm going
I guess it's just a phase
And I don't know where I'm going
I guess it's just a phase



Escrito por Renan Russo às 12h35 AM
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Antes das Seis
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Quem inventou o amor ?
Me explica por favor
Quem inventou o amor ?
Me explica por favor

Vem e me diz o que aconteceu
Faz de conta que passou
Quem inventou o amor ?
Me explica por favor

Daqui vejo o seu descanso
Perto do seu travesseiro
Depois quero ver se acerto
Dos dois quem acorda primeiro

Quem inventou o amor ?
Me explica por favor
Quem inventou o amor ?
Me explica por favor

Enquanto a vida vai e vem
Você procura achar alguém
Que um dia possa lhe dizer
Quero ficar só com você
Quem inventou o amor ?



Escrito por Renan Russo às 12h33 AM
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Marcianos Invadem a Terra
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Diga adeus e atravesse a rua
Voamos alto depois das duas
Mas as cervejas acabaram, e os cigarros também
Cuidado com a coisa coisando por aí
A coisa coisa sempre, também coisa por aqui
Seqüestram o seu resgate
Envenenam sua atenção
O verbo e substantivo, adjetivo e palavrão
E o carinha do rádio não quer calar a boca
E quer o meu dinheiro
E as minhas opiniões
Ora, se você quiser se divertir
Invente suas próprias canções
Será que existe vida em Marte ?
Janelas de hotéis, garagens vazias
Fronteiras, granadas, lençóis
Existem muitos formatos
Que só têm verniz
E não tem invenção
E tudo aquilo contra os que sempre lutam
Exatamente tudo aquilo que eles são
Marcianos invadem a Terra !
Estão inflando meu Ego com ar
E quando acho que estou quase chegando
Tenho que dobrar mais uma esquina
E mesmo se eu tiver a minha liberdade
Não tenho tanto tempo assim
E mesmo se eu tiver a minha liberdade
Será que existe vida em Marte ?



Escrito por Renan Russo às 12h32 AM
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Dado Viciado
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Você não tem heroína, então usa Algafan
Viciou os seus amigos, talvez sua irmã
Mas aqui não tem Village, rua 42
Me diz pra onde é que é que você vai depois?

Por que você deixou suas veias fecharem ?
Não tem mais ligar pras agulhas entrarem
Você não conversa, não quer mais falar
Trancado o dia inteiro dentro do banheiro

Dado
Dado
Dado
O que fizeram com você ?

Cadê seus planos, cadê as meninas ?
Você agora enche a cara e cai pelas esquinas
Eu quero você mas não vou lhe ajudar
Não me peça dinheiro, não vou lhe entregar
Cadê a criança ? Meu primo e irmão
Se perdeu por aí, com seringas na mão
Dado
Dado
Dado
O que fizeram com você ?



Escrito por Renan Russo às 12h32 AM
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Comédia Romântica
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Acho que só agora eu começo a perceber
Que tudo que você me disse
Pelo menos o que me lembro que aprendi com você
Está realmente certo
Bem mais certo do que eu queria acreditar
Você gosta mesmo de mim
Se arriscando a me perder assim
Ao me explicar o que eu não quero ouvir
Ainda não estou pronto para saber a verdade
Ou não estava
Até uma estação atrás
Acho que só agora eu começo a ver
Que tudo o que você me disse
É o que você gostaria que tivessem dito pra você
Se o tempo pudesse voltar dessa vez
Sou eu mesmo e serei eu mesmo então
E não há nada de errado comigo não
Não não não
Não preciso de modelos
Não preciso de heróis
Eu tenho meus amigos
E quando a vida dói
Eu tento me concentrar
Num caminho certo
Sou eu mesmo e serei eu mesmo então
E eu queria que o tempo
Pudesse voltar dessa vez
Oh yeah



Escrito por Renan Russo às 12h31 AM
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A Tempestade
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Será que eu sou capaz
De enfrentar o seu amor
Que me traz insegurança
E verdade demais ?
Será que eu sou capaz ?
Veja bem quem eu sou
Com teu amor eu quero que sintas dor
Eu quero ver-te em sangue e ser seu credor
Veja bem quem eu sou
Trouxe flores mortas prá ti
Quero rasgar-te e ver o sangue manchar
Toda a pureza que vem do teu olhar
Eu não sei mais sentir



Escrito por Renan Russo às 12h30 AM
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La Maison de Dieu
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Se dez batalhões viessem à minha rua
E 20 mil soldados batessem à minha porta
À sua procura
Eu não diria nada
Porque lhe dei minha palavra
Teu corpo branco já pêlo
Me lembra o tempo em que você era pequeno
Não pretendo me aproveitar
E de qualquer forma quem volta
Sozinho pra casa sou eu
Sexo compra dinheiro e companhia
Mas nunca amor e amizade, eu acho
E depois de um dia difícil
Pensei ter visto você
Entrar pela janela e dizer:
- Eu sou a tua morte
Vim conversar contigo
Vim te pedir abrigo
Preciso do teu calor
Eu sou
Eu sou
Eu sou a pátria que lhe esqueceu
O carrasco que lhe torturou
O general que lhe arrancou os olhos
O sangue inocente
De todos os desaparecidos
Os choques elétricos e os gritos
- Parem por favor, isto dói
Eu sou
Eu sou
Eu sou a tua morte
E vim lhe visitar como amigo
Devemos flertar com o perigo
Seguir nossos instintos primitivos
Quem sabe não serão estes
Nossos últimos momentos divertidos?
Eu sou a lembrança do terror
De uma revolução de merda
De generais e de um exército de merda
Não, nunca poderemos esquecer
Nem devemos perdoar
Eu não anistiei ninguém
Abra os olhos e o coração
Estejamos alertas
Porque o terror continua
Só que mudou de cheiro
E de uniforme
Eu sou a tua morte
E lhe quero bem
Esqueça o mundo, vim lhe explicar o que virá
Porque eu sou
Eu sou
Eu sou



Escrito por Renan Russo às 12h30 AM
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Uma outra Estação
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Sei que não tenho a força que tens
Se me vejo feliz quase sempre exijo um talvez
Ela mora perto de um vulcão
E meu coração suburbano espera riquezas maiores
Eu sigo o calendário maia
E sou descendente dos astecas

Hoje vai ter prova
Mas no final da aula
Acho que tem futebol
Gosto quando estou feliz
Gosto quando sorris para mim
Estou longe longe
Estou em outra estação
Não me digam como deve ser
Gosto do jeito que sou

Quem insistir em julgar os outros
Sempre tem alguma coisa para esconder
Teu corpo alimenta seu espírito
Teu espírito alegra minha mente
Tua mente descansa meu corpo
Teu corpo aceita o meu como a um irmão
Todos fazem promessas demais

Temos muito o que aprender
É um feitiço tão latino
Essa preguiça ser feitiço
Mas tudo bem
Voltarás na terça-feira

És fogo e gelo ao mesmo tempo
E vai ser bom
Do Equador, da Venezuela, do Uruguai
Teremos o fim-de-semana só para nós
Venha comigo
Não tenha medo
Tem muita gente
Que pensa o mesmo
E estou longe longe
Estou em outra estação



Escrito por Renan Russo às 12h29 AM
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As Flores do Mal
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Eu quis você e me perdi
Você não viu, ou eu não senti
Não acredito, nem vou julgar
Você sorriu, ficou e quis me provocar
Quis dar uma volta em todo mundo
Mas não é bem assim que as coisas são
Seu interesse é só traição

Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais

Tua indecência não me serve mais
Tão decadente que tanto faz
Quais são as regras?
O que ficou?
O seu cinismo, essa sedução
Volta pro esgoto baby
Vê se alguém lhe quer
O que ficou é esse modelito da estação
passada Extorsão e drogas demais
Todos já sabem o que você faz
Teu perfume barato
Teus truques banais
Você acabou ficando prá trás

Porque...
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais
Mentir é fácil demais

Volta pro esgoto baby
Vê se alguém lhe quer


Escrito por Renan Russo às 12h28 AM
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Clarisse
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
Aquele menino foi internado numa clínica
Dizem que por falta de atenção dos amigos, das lembranças
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha
E Clarice está trancada no banheiro
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete
Deitada no canto, seus tornozelos sangram
E a dor é menor do que parece
Quando ela se corta ela esquece
Que é impossível ter da vida calma e força
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer
Uma de suas amigas já se foi
Quando mais uma ocorrência policial
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom samaritano
Cumprindo o seu dever, como se fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente

Nada existe prá mim, não tente
Você não sabe e não entende
E quando os anti-depressivos e os calmantes não fazem mais efeito
Clarice sabe que a loucura está presente
E sente a essência estranha do que é a morte

Mas esse vazio ela conhece muito bem
De quando em quando é um novo tratamento
Mas o mundo continua sempre o mesmo
O medo de voltar prá casa à noite

Os homens que se esfregam nojentos
No caminho de ida e volta da escola
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo

E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
A violência e a injustiça que existe
Contra todas as meninas e mulheres

Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarice está trancada em seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu descanso

Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes

Me trancam na gaiola
Mas um dia eu consigo existir
E vou voar pelo caminho mais bonito
Clarice só tem 14 anos


Escrito por Renan Russo às 12h27 AM
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Depois de quase 2 meses sem postar eu voltei! 

Escrito por Renan Russo às 12h21 AM
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Escrito por Renan Russo às 12h19 AM
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Escrito por Renan Russo às 12h19 AM
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Charges com músicas da Legião

07/10/2004 Charge-Okê
Garoto folgadão - Geração Coca-Cola

Download (versão com som) 

02/07/2004 Charge-Okê
Urubu do Fla canta - Pais e filhos


Download (versão com som) 

02/04/2003 Charge-Okê
Lula e Trabalhador - Soldados

Download (versão com som)

12/03/2003 Charge-Okê
Especial - A Canção do Senhor da Guerra

Download (versão com som) 



Escrito por Renan Russo às 12h00 AM
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A letra de Tempo Perdido

Tempo Perdido

Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo


Todos os dias quando acordo,
Não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo.

Todos os dias antes de dormir,
Lembro e esqueço como foi o dia:
"Sempre em frente,
Não temos tempo a perder."

Nosso suor sagrado
É bem mais belo que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem.

Veja o sol dessa manhã tão cinza:
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos castanhos.
Então me abraça forte e me diz mais uma vez
Que já estamos distantes de tudo:

Temos nosso próprio tempo.

Não tenho medo do escuro, mas deixe as luzes acesas agora.
O que foi escondido é o que se escondeu
E o que foi prometido, ninguém prometeu.
Nem foi tempo perdido.

Somos tão jovens.



Escrito por Renan Russo às 11h44 PM
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Escrito por Renan Russo às 11h43 PM
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Curiosidades

§A "roconha" retratada nos versos de Faroeste Caboclo realmente existiu. Foi uma festa embalada por muito maconha e rock and roll, em um sítio de Brasília. Foi tão marcante que a cidade inteira ficou ansiando pela segunda edição do evento. Os convites da "Roconha II" eram impressos em seda e colados em um pedacinho de papelão. Renato Russo e a Turma da Colina, que não tinham participado da primeira festa, também ficaram empolgados. No dia marcado, todos se dirigiram ao local. Cada um que chegava à festa ia sendo grampeado pela polícia. O batalhão da área teve de alugar ônibus para prender tanta gente. Filhos de militares e autoridades iam para um lado, os simples mortais para outro. As meninas choravam enquanto eram ameaçadas pelos policiais: "sua mãe vai saber que você anda com maconheiro". E assim, sem ao menos começar, acabou a lendária "Roconha II". Nada a ver com Jeremias.

§Eduardo e Mônica foi inspirada em uma amiga de Renato Russo de Brasília, Leonice de Araújo Coimbra.



Escrito por Renan Russo às 11h42 PM
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Mais Letras

Legião Urbana - Antes Das Seis

Quem inventou o amor? 
Me explica, por favor 
Quem inventou o amor? 
Me explica, por favor 

Vem e me diz o que aconteceu 
Faz de conta que passou 
Quem inventou o amor? 
Me explica, por favor 

Daqui vejo o seu descanco 
Perto do seu travesseiro 
Depois quero ver se acerto dos dois 
Quem acorda primeiro 

Quem inventou o amor? 
Me explica, por favor 
Quem inventou o amor? 
Me explica, por favor 

Enquanto a vida vai e vem 
Você procura achar alguém 
Que um dia possa lhe dizer: "Quero ficar só com você" 

Quem inventou o amor? 


Escrito por Renan Russo às 11h39 PM
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Mais Letras

Legião Urbana - Dezesseis
by Renato Russo

João Roberto era o maioral  
O nosso Johnny era um cara legal  
                    
Ele tinha um Opala metálico azul  
Era o rei dos pegas na Asa Sul  
E em todo lugar  
                    
Quando ele pegava no violão  
Conquistava as meninas  
E quem mais quisesse ver  
Sabia tudo da Janis  
Do Led Zeppelin, dos Beatles e dos Rolling Stones  
                    
Mas de uns tempos prá cá  
Meio sem querer  
Alguma coisa aconteceu  
                    
Johnny andava meio quieto demais  
Só que quase ninguém percebeu  
                    
Johnny estava com um sorriso estranho  
Quando marcou um super pega no fim de semana  
Não vai ser no CASEB  
Nem no Lago Norte, nem na UnB  
                    
As máquinas prontas  
Um ronco de motor  
A cidade inteira se movimentou  
                    
E Johnny disse:  
"- Eu vou prá curva do Diabo em Sobradinho e vocês ?"  

E os motores sairam ligados a mil  
Prá estrada da morte o maior pega que existiu  
Só deu para ouvir, foi aquela explosão  
E os pedaços do Opala azul de Johnny pelo chão  

No dia seguinte, falou o diretor:  
"- O aluno João Roberto não está mais entre nós  
Ele só tinha dezesseis.  
Que isso sirva de aviso prá vocês".  

E na saída da aula, foi estranho e bonito  
Todo o mundo cantando baixinho:  

Strawberry Fields Forever  
Strawberry Fields Forever  

E até hoje, quem se lembra  
Diz que não foi o caminhão  
Nem a curva fatal  
E nem a explosão  

Johnny era fera demais  
Prá vacilar assim  
E o que dizem que foi tudo  
Por causa de um coração partido  

Um coração  

Bye, bye Johnny  
Johnny, bye, bye  
Bye, bye Johnny.


Escrito por Renan Russo às 11h37 PM
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Matéria Retirada da Revista Online IstoÉ Gente

Renato Russo
Do inferno ao céu

Na semana em que o roqueiro faria 40 anos, amigos contam quando e com quem ele contraiu Aids e a família relata a história de Giuliano, o filho que chegou a ser noticiado como adotado

Cláudia Carneiro e André Barreto

Foto: Pedro Agilson
O ícone Renato Russo tinha um relacionamento difícil com os pais: Dona Carminha só soube que o filho tinha Aids pela TV

O cantor e compositor Renato Russo sempre surpreendeu. Aos 18 anos, fez a mãe empalidecer ao revelar que era homossexual. “Mãe, não vou casar com a Ana Paula, porque acho os homens interessantes”, admitiu ele, referindo-se à então namorada, uma fotógrafa, filha de um almirante. “Meu chão foi lá embaixo”, lembra hoje a professora aposentada Maria do Carmo Manfredini, 62 anos. “Parei um minuto para rezar: Meus Deus, o que faço agora?” Dona Carminha, como é conhecida, então respondeu a Russo, angustiado com o silêncio da mãe: “Está bem, filho, mas só não me traga homem para dentro de casa”.

Renato Russo surpreendeu os pais, amigos, fãs e a música brasileira não apenas enquanto viveu. Morto há três anos e meio, o líder da banda Legião Urbana permanece aclamado como mito do rock nacional. Na segunda-feira 27, faria 40 anos. Mesmo sem existir mais, a Legião é o grupo de rock que mais vende discos. Este mês, seu CD Acústico MTV, lançado em outubro de 1999, com um milhão de cópias, está em segundo lugar entre os mais vendidos – perde para Sandy & Júnior, em São Paulo, e Roberto Carlos, no Rio. De 1995 até agora, a Legião vendeu 10,2 milhões de cópias e os três discos-solo de Russo, 2 milhões. Renato Russo ferve em 140 sites da internet sobre a Legião.“Garotos de 13 anos o estão conhecendo e virando fãs fervorosos”, diz Simone Assad, jornalista e fã que coordenou, de Nova Friburgo, no interior do Estado do Rio, a edição do livro Renato Russo de A a Z, lançado em janeiro pela Editora Letra Livre, um dicionário com frases do cantor, com 453 verbetes. O jornalista carioca Arthur Dapieve prepara para setembro uma biografia. Seus pais, o funcionário aposentado do Banco do Brasil Renato Manfredini, 75 anos, e Maria do Carmo, lançarão um livro com os rascunhos de quando o filho compunha.

Boa parte dos manuscritos continuarão inéditos, se depender do casal Manfredini, responsável pelo espólio do filho. No apartamento do artista em Ipanema, no Rio, os pais guardam pequenas peças de teatro e letras inéditas. Os diários que escreveu até o fim da vida, em inglês, são intocados. “Enquanto vivermos e tivermos controle sobre as coisas de Júnior (Russo era Renato Manfredini Júnior), ninguém mexe nos diários”, diz a mãe. O casal prevê problemas com a biografia escrita por Dapieve.

“Não autorizaremos que o livro trate de coisas íntimas da vida de Júnior”, avisa Carminha. Dapieve acredita que superará a resistência dos pais. Segundo o jornalista, a carência de Russo levou-o a se entregar ao álcool e às drogas. “Ele tomava Cointreau em copo de requeijão em um só gole”, conta.



Escrito por Renan Russo às 11h31 PM
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Matéria Retirada da Revista Online IstoÉ Gente

Foto: Pedro Agilson
Antes de morrer, pediu ao pai provas de amor

“Quando namorava um rapaz chamado Lui, tentou suicídio para chamar a atenção dele.” Nos últimos meses de vida, Renato desistiu de tomar AZT. Uma amiga, que prefere não se identificar, acrescenta que, um mês antes de morrer, o roqueiro pedia a presença do pai:

“Ele queria provas do amor do pai e de que ele o aceitava como gay e alcoólatra.”

Renato Manfredini mudou-se para o Rio ao saber da doença, dois meses antes de perder o filho. “O Júnior carregava o mundo nas costas”, diz ele. Não contou à mulher o que o próprio filho não ousara revelar à mãe. Ela soube pela tevê que o filho tinha Aids, horas depois da morte de Renato Russo, em 11 de outubro de 1996. “À noite, ouvi na tevê: ‘Morreu hoje de Aids o cantor Renato Russo’. Foi um choque.

De manhã, declarei que meu filho tinha morrido de anorexia nervosa.” O respeito dos pais por sua opção sexual aproximou-o mais da família. Em 1988, ele assumiu publicamente a homossexualidade. A mãe não queria. “É para lutar contra o preconceito que vou fazer isso, mãe”, disse ele.

DEPRESSÃO No último mês de vida, Russo praticamente não comia. Só bebia água de coco. Saul Bteshe, 50 anos, seu médico por oito anos, conta que, nos primeiros meses após descobrir a doença, o artista reagiu com otimismo. “Perto de sua morte, caiu em depressão”, conta o médico, que tratava do cantor antes de ele ser infectado. Quando o cantor foi a seu consultório pela primeira vez, Bteshe desconhecia a Legião. “Ele perguntou se eu não o estava reconhecendo”, lembra Bteshe, que o acompanhou em shows na fase avançada da doença.

Russo soube que tinha Aids depois de ter namorado Robert Scott Hickmon, que o roqueiro conheceu em Nova York, em novembro de 1989. Morador de San Francisco, Scott era gay e tinha um namorado vítima da Aids. Russo e Scott viveram juntos alguns meses no Brasil, antes de o americano voltar para os Estados Unidos, no final de julho de 1990, quando usaram heroína juntos. “Foi fogo. O namorado do Scott estava em estado terminal de Aids e mesmo assim o Renato se envolveu com ele”, diz a amiga Leonice de Araújo Coimbra, a Léo, que estava com Russo em Nova York, em novembro de 1989, quando o romance começou. Em 1990, ela recebeu o músico em sua casa, em Brasília, que segurava o resultado de um exame. Chorando, abraçou forte a amiga e desabafou: “Sou HIV positivo”. Léo afirma: “Renato tinha certeza que pegou Aids do Scott. Ele foi embora e ninguém soube mais dele”. Russo nunca assumiu a Aids publicamente. Em 1992, perguntado por um jornalista, disse: “Não estou com Aids, que pergunta idiota”.



Escrito por Renan Russo às 11h30 PM
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Matéria Retirada da Revista Online IstoÉ Gente

Foi inspirado em Léo que Russo criou “Eduardo e Mônica”, seu primeiro grande sucesso. “Chegamos a brigar por telefone porque ele queria parar de tomar os remédios que o mantinham vivo”, conta ela, artista plástica, 41 anos. Léo morava no Equador e fez as pazes com Russo um dia antes de sua morte. Ele lhe telefonara para ler a letra de “Uma Outra Estação”, que havia composto para a amiga – à época, ela morava perto dos vulcões citados na música. No dia seguinte, Léo voltou a ligar. Só o ouviu na gravação da secretária eletrônica. Renato Russo tinha morrido. A notícia foi dada a ela pelo ex-marido, o jornalista Geraldinho Vieira, também amigo de Russo.

Outro amigo, o empresário musical Luiz Fernando Borges, lembra que, no início de 1996, Renato fez uma despedida. Tomou um “porre homérico”, bebendo cinco dias sem parar. Logo depois, passou a tomar o coquetel anti-HIV. Borges nunca ouviu Renato dizer que tinha medo da morte, mas se irritava com os medicamentos. “Ele tinha muitas dores no estômago e enjôos”, recorda. Até hoje, ele vai ao apartamento do amigo. “O quarto dele está igualzinho. Os móveis, os quadros, está tudo lá.” Parte disso deve ser transferido para o memorial do cantor que será construído em Brasília. Borges teve autorização para fazer um documentário sobre Russo.

O FILHO Um mês antes de completar 29 anos, no Rio de Janeiro, Russo telefonou para a mãe em Brasília e fez suspense sobre uma novidade. Ela achou que era sua mudança para a Inglaterra. Russo tinha o sonho de gravar um disco lá. A surpresa veio a ser revelada na data do nascimento de seu filho, na noite de 29 de março de 1989. Da maternidade, ele ligou: “É menino, mãe!” Giuliano ganhou nome de santo, como prometera na música “Pais e Filhos”.
Quando Russo morreu, aos 36 anos, foi noticiado que o filho era adotivo. A família reafirma a história contada por ele, de que tivera uma relação fugaz com Rafaela Bueno, uma fã carioca. Os pais da moça não apoiaram a gravidez. Na primeira semana de vida, Giuliano foi para as mãos da tia de Russo, Maria do Socorro de Oliveira, que morava na Ilha do Governador, na zona norte do Rio. Rafaela morreu num acidente um ano depois. Na mesma época, o artista mudou-se da Ilha – onde morou com os avós, a tia e Giuliano – e quis criar o menino em seu novo apartamento, em Ipanema. Os pais o convenceram a dar a guarda de Giuliano. Com 11 anos, ele mora com os avós em Brasília, os quais considera seus pais.



Escrito por Renan Russo às 11h28 PM
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Matéria Retirada da Revista Online IstoÉ Gente

Juvenal Pereira/AE
Aos 11 anos, na primeira-comunhão”

SEQÜESTRO Os pais de Russo não permitem que o menino seja fotografado. A proteção foi redobrada, a conselho da polícia, quatro meses após a morte de Russo. No apartamento do Bloco B da Superquadra Sul 303 do Plano Piloto, em Brasília, onde Giuliano morava desde o segundo ano de vida, Carminha recebeu uma denúncia anônima por telefone. A pessoa disse que Giuliano, então com 7 anos, seria vítima de um seqüestro. Assustada, ela correu ao Centro Educacional Maria Auxiliadora, onde o neto estudava, a um quilômetro de sua residência. O avô acionou o grupo anti-seqüestro da Polícia Militar. A polícia detectou pistas sobre um plano de seqüestro e descobriu que pessoas estranhas chegaram a acompanhar os passos de Giuliano. A família mudou de endereço.

Renato Russo adorava crianças. A família argumenta que, por isso, especulou-se que Giuliano seria filho adotivo. Na mesma época de seu nascimento, a tia de Russo levou para a casa da Ilha do Governador um bebê de nome Thaísa. “Ela era o xodó dele”, lembra sua mãe. Um dos segredos que o músico compartilhava com a mãe era o desejo de comprar uma casa e enchê-la de crianças órfãs. Meses após sua morte, a família descobriu atos generosos. Seus pais foram procurados por um jovem paraplégico desesperado com a morte do compositor. Relatou que desde que perdera o emprego, recebia ajuda financeira do roqueiro para manter seu tratamento. “Passeávamos em Nova York em 1989 quando Renato tirou do bolso um bolo de dinheiro para dar a um rapaz sentado na calçada, que segurava o cartaz: ‘Sou soropositivo’”, conta Léo. Isso aconteceu antes de saber que era soropositivo. A generosidade de Russo era unânime entre os amigos. A atriz Denise Bandeira, que foi sua namorada antes de ele definir-se pela homossexualidade, lembra que dar presente aos amigos era compromisso sério. “Antes de um aniversário, ele fazia uma pesquisa minuciosa sobre o presente mais adequado. Na dúvida, comprava vários”, conta. Para Denise, sua capacidade de ir de um extremo a outro era incrível: “Ele podia se atirar ao chão num show para 10 mil pessoas e depois, em casa, mergulhar concentrado em sonetos de Shakespeare”.

Juvenal Pereira/AE
Bonfá lança CD, Dado produz discos e Rocha deixou a música profissionalmente. "O relacionamento era difícil", diz Arthur Dapieve, que escreve sua biografia

Formado em Jornalismo, aos quatro anos ganhou o primeiro disco, dos Beatles. “Ele se trancava no quarto, colocava som alto, e eu, no quarto ao lado, aprendi tudo de rock com ele”, lembra a única irmã, Carmem Teresa. Ela canta spiritual, blues e jazz, no grupo brasiliense Spirituals de Porco. Três anos mais nova, não escapava das rédeas dele. “Ele era totalmente reacionário e protetor, coisas de irmão mais velho”, recorda. A ausência do irmão dói. “Não há um dia que não ouço alguma coisa na rua, uma música, ou vejo um filme, que não tenha vontade de falar com ele.”

 

 



Escrito por Renan Russo às 11h27 PM
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Mais Letras

Legião Urbana - A Cruz E A Espada
by Paulo Ricardo E Renato Russo

Havia um tempo,em que eu vivia 
Um sentimento quase infantiu
Havia o medo e a timides
Todo um lado q vc nunca viu 

Agora eu vejo , aquele beijo 
Era mesmo o fim 
Era o começo do meu desejo 
Se perdeu de mim 

E agora eu ando 
Correndo tanto 
Procurando aquele novo lugar
Aquela festa
O que me resta 
Encontrar alguem legal pra ficar 

Agora eu vejo ,aquele beijo
Era mesmo o fim 
Era o começo do meu desejo 
Se perdeu de mim (2x)

E agora é tarde 
Acordo tarde 
Do meu lado alguem que eu nem conhecia 
Outra criança adulterada 
Pelos anos que a pintura escondia 

Agora eu vejo , aquele beijo
Era o fim, o fim
Era o começo do meu desejo 
Se perdeu de mim (2x)


Escrito por Renan Russo às 11h23 PM
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Exposição no CCBB de Brasília mostra vida de Renato Russo

Renato Russo (1960-96) e as letras, roteiros e textos que escreveu, as roupas que vestiu, os discos que ouviu, os livros que leu, a família e os fãs que deixou. A vida de um dos maiores ídolos da música brasileira ganha uma exposição inédita no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, terra natal da Legião Urbana.

Como ainda são remotas as chances de essa mostra viajar por outras cidades do Brasil, a reportagem do Folhateen foi até lá para trazer aos fãs um pouco da sensação que é ver de perto detalhes desconhecidos de Renato Russo, morto, há oito anos, em decorrência da Aids.

Intitulada "Renato Russo Manfredini Jr.", a exposição foi idealizada pela família do cantor e teve curadoria da irmã dele, Carmem Teresa Manfredini, 41, e da amiga Renata Azambuja, 39. As duas recriaram nas salas redondas do espaço do CCBB dois ambientes diferentes. No andar térreo, está uma linha do tempo que se inicia em 1960, quando Renato nasceu, mas não termina em 1996.

"Renato não parava de produzir. Há projetos de livros, roteiros de filmes para o cinema, livros e até uma peça curta, que ele escreveu para ser encenada por estudantes e se chama "A Verdadeira Desorganização do Desespero", que pretendemos montar no futuro", conta Carmem, que quer que a mostra faça duas homenagens, uma ao irmão e outra ao pai, morto no último dia 9 de fevereiro.

É impressionante ver a organização de Renato, que guardou tudo o que escreveu em sacos de plástico e envelopes. Sorte a dos fãs, que podem acompanhar desde redações da escola até o processo de composição das letras, a maioria escrita a mão, em ótima caligrafia.

A astrologia, verdadeira paixão desse ídolo, é bem representada logo na entrada do lugar, que traz pintado no teto o céu no momento em que Renato nasceu, às 4h01 do dia 27 de março de 1960.

No subsolo do espaço, foi recriado o apartamento do cantor, na rua Nascimento Silva, em Ipanema, no Rio. É muito legal invadir a privacidade de Renato Russo e ver de perto os objetos de decoração, como o pote de jujubas, um verdadeiro vício dele, fotos de álbuns de família, retratos 3x4, roupas compradas em viagens aos EUA, revistas, coleção de postais do fotógrafo David LaChapelle e de pin-ups, desenhos de personalidades como John Lennon e Jesus Cristo, os óculos que ele usava e todo o material da banda imaginária 42nd Street Band, com entrevistas, reportagens a até o futuro desse grupo que existiu apenas na cabeça misteriosa de Renato Russo.

No centro disso tudo, está o escritório, ou seja, o lugar onde ele exercitava sua criatividade e escrevia a maioria de suas composições. A coleção de livros, os mais de 2.000 CDs, discos de vinil, pôsteres dos filmes "Betty Blue" e "A Lei do Desejo", enfim, tudo o que habitava a mente de Renato Russo.

É claro que muita coisa ficou de fora. "A idéia é criar um memorial, um espaço onde toda a obra de Renato Russo esteja exposta o tempo todo. O lugar ainda terá estúdios de gravação musical de aluguel barato, um palco, oficinas de artes, teatro, cinema e literatura", conta Carmem.



Escrito por Renan Russo às 03h20 AM
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Exposição no CCBB de Brasília mostra vida de Renato Russo

"Fiquei com mais orgulho de meu pai",
diz filho de Renato Russo GIULIANO MANFREDINI

Eu pensava que não seria uma coisa muito grande, mas depois que eu fui lá e conferi a exposição fiquei maravilhado com o que eu vi. Para mim a exposição foi uma coisa maravilhosa que aconteceu, pois os fãs de Renato Russo e Legião Urbana estavam para baixo e eu não estava escutando a música de meu pai nas rádios de Brasília como antes. Portanto esta mostra foi uma coisa muito boa não só para mim, mas para todos da minha família.

A exposição tinha coisas que eu nem pensava que existiam ou objetos que eu pensava que estavam perdidos. São coisas valiosas para mim e para todas as pessoas, fãs e familiares.

Eu fiquei muito feliz quando soube que meu pai fazia brincadeiras comigo das quais eu nem me lembrava.

Na galeria do Centro Cultural do Banco do Brasil eu vi parte do material do meu pai que me fez lembrar o que eu já havia esquecido e ter mais orgulho dele.

Às vezes nós só damos valor quando perdemos as pessoas mais próximas, por isso dêem valor ao que vocês têm, porque o para sempre sempre acaba.



Escrito por Renan Russo às 03h20 AM
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Estes são cartazes de alguns shows da Legião Urbana!!!

Força sempre!!!



Escrito por Renan Russo às 03h17 AM
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Algumas Caricaturas da Legião



Escrito por Renan Russo às 03h13 AM
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Frases Renato Russo

O Brasil é uma republica federativa cheia de arvores e gente dizendo adeus
Brigar pra que se é sem querer
Se fiquei eperando meu amor passar já me basta que então eu não sabia amar
Quando penso em alguém só penso em você
Quero me encontrar mais não sei onde estou
Neste disco alguns erros são por querer outros não( contra capa de As quatro estações)
Mudarão as estações mais nada mudou
Quem um dia ira dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração...quem ira dizer que não existe razão
Quando não esta aqui sinto falta de mim mesmo
De olhos fechados não me vejo
Venha que o que vem é perfeição
Sonhos vem sonhos vão e resto é imperfeito
Quem medera ao menos uma vez, entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
Quano tudo esta perdido sempre existe uma caminho, quando tudo esta perdido sempre existe uma luz
Quando se aprende amar o mundo passa a ser seu
Acho que não sei que sou só sei do que não gosto
O que é demais nunca é o bastante
É preciso amar as pessoas como não se ouvesse amanhã
A vida é continua e se entregar é uma bobagem
Disciplina é liberdade, compaixão é fortaleza ter bondade é ter coragem
Quero respeito e sempre ter alguém que me intenda e sempre fique ao meu lado
Se a paixão fosse realmente um bálsamo, o mundo não pareceria tão equivocado
Não se pode fechar os olhos não se pode olhar pra tarz sem se aprender alguma coisa pro futuro
A felicidae é uma mentira e a mentira é salvação
Quero ser prudente e sempre ser correto, quero ser constante e sempre tentar ser sincero
Quero ter alguém com quem conversar, alguém que depois não use o que eu disse contra mim
Tudo o que você faz um dia volta pra você
Sexo compra dinheiro e companhia, mas nunca amor e amizade
Nada era como eu imaginava, nem as pessoas como eu tanto amava
Quando o sol bater na janela do teu quarto, lembar e ve que o caminho é um só
Ainda que eu falasse a lingua dos homens, falasse a lingua dos anjos sem amor eu nada seria
O futuro não é mais do que era antigamente
Se lembra de quando a gente pensou um dia acreditar, que tudo era pra sempre sem saber que pra sempre sempre acaba
O mundo anda tão complicado
Eu cheguei a conclusão que se o amor é verdadeiro não existe sofrimento
Se você gosta, você pode fazer você tem que acreditar que você pode.Se você se amarra numa coisa, você pode fazer. Tudo só depende de você, não vai ter ninguém que vai fazer as coisas por você, você é só você!
As pessoas acham que eu tenho resposta, eu nem sei qual a pergunta!!!
Eu adoro ser idolatrado, me amem
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão
Se o mundo é mesmo parecido com que vejo, prefiro acreditar no mundo do meu jeito
Ah! Se eu soubesse lhe dizer, o que fazer pratodo mundo ficar junto
Um dia pretendo tentar descobrir, porque é mais forte quem sabe
Viver é uma dadiva fatal
São as pequenas coisas que valem mais
Quando você deixou de me amar, aprendi a perdoar e a pedir perdão
Eu faço da mentira liberdade, e de qualquer queintal faço cidade
A ignorância é vizinha da maldade
Hoje eu já sei que sou tudo o que preciso ser, não preciso, me desculpar e nem te convercer
Quem inventou o amor me explica por favor
A escuridão ainda é poir que esta luz cinza
Todos se afastam quando omundo esta errado
Triste coisa é querer bem a quem não sabe perdoar
E nossa história não estara pelo avesso assim sem final feliz, teremos coisas bonitas pra contar, e até la, vamos viver.Temos muito ainda por fazer, não olhe pra traz apenas começamos, o mundo começa agora apenas começamos
Deve haver algum lugar, onde o mais forte não conegue escravizar
Aprendi a esperar, mais não tenho mais certeza, agora que estou bem, tão pouca coisa me interessa. Contra minha própia vontade sou teimoso cincero e insisto em ter vontade própia

Um poeta que deixou saldades, e uma legião de fâs!!!!


Escrito por Renan Russo às 03h09 AM
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Mais Letras

Legião Urbana - Quando O Sol Bater Na Janela Do Teu Quarto

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto
Lembra e vê
Que o caminho é um só.

Porque esperar se podemos começar tudo de novo
Agora mesmo
A humanidade é desumana
Mas ainda temos chance
O sol nasce pra todos
Só não sabe quem não quer.

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto
Lembra e vê
Que o caminho é um só.

Até bem pouco tempo atrás
Poderíamos mudar o mundo
Quem roubou nossa coragem?
Tudo é dor
E toda dor vem do desejo
De não sentimos dor.

Quando o sol bater
Na janela do teu quarto
Lembra e vê
Que o caminho é um só.


 



Escrito por Renan Russo às 03h07 AM
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No começo da carreira da Legião o jornalista Maurício Valladares, do Rio de Janeiro, deu muita força pra banda e por isso se tornou amigo íntimo de Renato Russo. Neste bilhete escrito no final de 1984 pelo cantor demonstra todo o seu carinho e admiração por Valladares, que logo depois foi convidado pela banda para fazer as fotos do encarte e da divulgação do primeiro disco da Legião.

       Aí ta uma pequena mostra, de como Renato Russo sabia agradecer as pessoas que desde sempres apoiaram a LEGIÃO URBANA



Escrito por Renan Russo às 03h04 AM
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Rock é uma atitude, não é moda

O músico escreveu texto em 1983 para panfleto de show de bandas em Brasília

Os componentes dos quatro conjuntos fazem parte do que era conhecido como "a turma da colina da UnB", isso por volta de 1977, época da abertura e da redemocratização (embora a UnB ainda apresentasse alguns problemas). Um maço do Hollywood estava por volta de Cr$ 15,00 e na cidade não existia nada para se fazer. Mas aparece então o que iria acabar de vez com a pouca identidade que a capital tinha com a música discoteca.

Brasília deixa de ser Brasília e passa a ser Rio de Janeiro, como o País inteiro. Para quem gostava de rock, essa foi o fim. Basta ser chamado de colonizado o tempo todo; com a moda disco a situação piora sensivelmente. Ainda mais porque na mesma época aparece um movimento original e anárquico que pretende acabar com os falsos modismos. É a moda levada ao extremo: anti-moda, anti-estética, anti- tudo. Mas aqui é bem mais fácil controlar a juventude oferecendo a válvula de escape ideal e não uma música que faça todos pensarem e questionarem as hipocrisias construtivas de uma sociedade falsa, à beira da autodestruição atômica. Ha-ha.

Música discoteca não fala desse feito. E a MPB parece estar mais preocupada com cama e mesa e a sensação das cordilheiras. E o pessoal que faz letras espertas não gosta de tocar rock no Brasil. O que fazer? Será que estão todos satisfeitos? Rock é uma atitude, não é moda. É música da África. Não é música americana. Tem no mundo inteiro.

Texto escrito por Renato Russo em abril de 1983 para o primeiro grande show reunindo as quatro principais bandas de Brasília: Legião Urbana, Plebe Rude, Capital Inicial e XXX



Escrito por Renan Russo às 01h28 AM
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Negrete fala de Renato

Russo transformou música, amor e rebeldia em liberdade"
Negro, 40 anos, alto, forte, careca. Casado há nove anos, o músico tem dois filhos. Muito falante e sorridente, chegou para a entrevista de capacete e roupa de ciclismo. Fora da mídia há quase dez anos o ex-baixista da Legião Urbana é uma figura difícil de ser encontrada, embora deixe lendas por onde passa. No pequeno vilarejo de pescadores onde vivia na Zona Oeste do Rio, alguns moradores falavam sobre um crioulo forte que morou ali há cerca de um ano e tocava com uma banda de rock na pracinha. Outros lembravam de sua bicicleta diferente que valia US$ 10 mil. Mas ninguém precisava seu paradeiro. Apenas diziam que era em algum lugar de Vargem Grande. Chegando ao local, ouvimos as mesmas histórias que tinham sido contadas em Barra de Guaratiba, só que agora seu novo paradeiro seria Curicica, um sub-bairro de Jacarepaguá. Quando já nos preparávamos para a nova jornada, um menino disse que conhecia um amigo do Renato. E foi assim, através do amigo do amigo, que conseguimos contactar o músico. Isso, após ter tentado por uma semana os meios mais tradicionais: gravadora, assessoria, empresário e sites na internet. No início da tarde de um domingo, a entrevista finalmente pôde ser feita. Na casa do amigo de Renato, enquanto a família se preparava para o almoço, ele falava sobre drogas, sua saída da Legião, suas loucuras amorosas e seu isolamento quase proposital.

Por que você se afastou por 10 anos da mídia?
Primeiro porque eu fiquei muito chateado por ter sido expulso da banda, mas aceitei numa boa, pois era o Renato Russo que estava me pedindo para sair. Não queria entrar em atrito com ele, por isso fiquei calado. Renato foi o leme daquilo tudo. Eu não. Ele tinha todo o direito de me mandar embora. Jonas foi jogado às baleias, como na bíblia.



Escrito por Renan Russo às 01h22 AM
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Os integrantes da banda disseram que você teve que sair por chegar sempre atrasado e não cumprir os compromissos.
O compromisso maior que eu tinha era de fazer música e este eu cumpria. Era empregado da gravadora, não da banda. Com a banda tinha de fazer música. Cheguei a pagar três ou quatro vezes multas de R$ 100 por ter me atrasado. Mas quando eram eles que chegavam depois da hora, olhavam com aquelas caras de babaca e não pagavam nada. Importante em qualquer meio é ter integridade, hombridade, enfim, caráter e isso eles não tinham.

Nem mesmo o Renato Russo?
Renato foi um gênio, a base de tudo aquilo ali. É lógico que uma pessoa que bebia como ele de vez em quando se atrasava. Mas isto tudo é besteira. O Jimmy Hendrix era todo certinho? Não. Nem por isso deixou de ter seu trabalho reconhecido. O Renato teve que fazer uma escolha: era eu ou o Dado (Villa-Lobos guitarrista) e o Bonfá (baterista). Ficou com eles. Não quis ser um estorvo na vida do cara.

Qual o motivo da sua indisposição com o Dado e o Bonfá?
Estes caras nunca entenderam o real motivo da Legião. Nós, da Turma da Colina, éramos um bando de punks. Foi muito difícil ser diferente numa cidade como Brasília. Os play boys andando de sapato italiano e agente andando rasgado. A galera era discriminada, sofremos muito preconceito. Quem não é de lá, não imagina o que é aquilo. Você chega no supermercado e o cara entra na sua frente com seis carrinhos de compras e paga com tíquete do governo. Tudo deles é do governo. Casa, carro, seguranças, tudo do governo. É uma elite esnobe. Nós íamos de encontro a tudo isso. Vivia todo furado, roupa rasgada, mas tinha uma ideologia. Neguinho não emprestava para a gente nem a tomada da lanchonete. Achávamos que através da música íamos mudar o mundo. As trombetas derrubaram as muradas de Jericó, entende? Se eu começar a gritar revolução, revolução, eu acabo materializando a revolução. Caras como o Dado e o Bonfá vieram no pós-punk. Calça punk já vendia na "Yes Brazil". Eram os "lambi-lambi". Lixavam o jeans para parecer velho. Não entendem nada. Viveram aquilo ali. Viveram ao lado do Renato que foi o líder da juventude punk de Brasília, mas não entenderam nada.

Renato era o líder?
Lógico! O cara era um gênio. Ele nem ficava na Colina não. Só ia lá à noite. Trabalhava dando aulas de inglês. Mas quando ele chegava, todo mundo ficava embasbacado escutando. Se se falava de uma música, ele dizia: tem 4 minutos e 30 segundos, foi composta por fulano, por causa disso e daquilo. Se o papo era sobre um músico, o cara sabia a cor da cueca do sujeito. David Bowe ficou pasmo com o Renato. O dono da gravadora ficava embasbacado. Era um gênio. Parecia aqueles programas de TV "eu pergunto você responde". Lia quatro livros por noite. Sabia tudo. Cantava em inglês perfeito. Muita coisa ficou perdida com a morte dele. Se agente estivesse fora do país, seríamos como o U2. Com as músicas da Legião traduzidas em outras línguas, não teria para ninguém. Porque o jovem entende essa proposta musical em qualquer parte do mundo. Agente falava o que eles queriam ouvir.

Qual a importância da Legião na sua vida?
Foi tudo. A Legião me projetou nacionalmente. Fez eu descobrir minha veia artística. Mas os fãs falam que quando saí, a banda perdeu peso, sonoridade.

Você sabia que o Renato estava doente?
Soube logo no início, em 1990.

Poucas pessoas sabiam, quem te contou?
Um amigo, que eu não vou revelar. Há mais coisa entre o céu e a terra que possa supor nossa vão filosofia.

Você falou que o Renato tinha problemas com bebida alcoólica e que se atrasava por causa disso...
A sociedade fica nessa hipocrisia sobre o álcool. Incentiva e não diz que é droga, mas é. Também tive problema com isso. Mas graças a Deus consegui me safar. Minha maior ajuda foi Deus. A pessoa tem de ter uma assessoria. Renato não tinha. Eu falava para ele: cara, você tem que ter massagista de ego, advogado, assessor para tudo. Mas ele ficava lá sozinho. Um cara como aquele, uma sumidade, um gênio, tem de ter limusine para ir buscá-lo se ele tiver bêbado. Ter advogado para livrar a cara dele se ele decidir subir na mesa do bar e criar o maior rebú. E olha que ele decidia. Era um astro, mas quando estava bêbado ninguém queria agüentar e isso é errado.

Como você soube da morte dele?
Eu estava na casa de um integrante da Cartilagem, a banda que eu tocava, ensaiando. De repente, chegaram vários jornalistas querendo um depoimento meu sobre a morte dele. O que eu achava? Só pude pensar, "Juninho que merda que você foi fazer irmão, morreu sem realizar o seu maior sonho".

E qual era o maior sonho?
Eu sei lá (risos). Acho que era morrer velhinho. Ter um sítio, netos, essas coisas. Ele falava muito disso. De qualquer forma, ele estava preso naquele corpo inerte, muito antes de ficar doente. Acordava tarde, não fazia exercícios. Normal, pensar numa vida mais simples, mais natural. Tinha de ter amigo. Renato não tinha amigos.



Escrito por Renan Russo às 01h22 AM
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Andava com várias pessoas...
Não! Ficava sozinho. Uma puta sensibilidade e sozinho.

Você culpa a opção sexual dele pelo que aconteceu?
De maneira nenhuma. O cara escolheu o que ele tinha de escolher. Buscava muito e acabou encontrando algumas coisas. A pena é ter morrido tão cedo. Faltava muita coisa.

Entre os integrantes da banda existia amizade?
Não. Cada um na sua. Ninguém saia junto. Não tinha nada a ver. Mas eu respeitava o Renato e ele gostava de mim. Lembrava do meu aniversário. Dava presente. Bom, lembrou algumas vezes. Chegou até a me dar uma coleção de desenhos animados. Sabia do que eu gostava. Sempre dava o presente certo para cada um. Figuraça o Renato. Tinha um caderninho onde anotava tudo sobre a pessoa, logo que a conhecia. Queria fazer seu mapa astral na hora. Tempos depois, quando encontrava a pessoa de novo, ia lá no caderninho e falava tudo.

Você disse em uma entrevista que o Dado e o Marcelo não sabiam tocar e isso afetou o relacionamento de vocês.
Toco acordeom desde os quatro anos de idade. Escutava música clássica. Tenho uma cultura musical vasta. Gosto desde Pixinguinha a Sex Pitols. Os caras não sabiam nada. O primeiro disco foi claustrofóbico. Eu pensava que era sacanagem do Bonfá. Ele não acertava o tempo da música. Então tínhamos que repetir mil vezes a mesma coisa. Depois vi que ele não sabia mesmo. Quem fez a guitarra e os violões foi o Renato. O Dado só fazia barulhinho. Com um sobrenome daqueles e não herdou nada. Sim, porque Villa-Lobos era foda. Ele é descendente direto. Como pode? Mas eles continuaram na carreira artística fora da Legião.

O Bonfá lançou um disco. Você ouviu?
Não.

Ficou sabendo (risos)?
Também não (Mais risos). O Dado tem uma gravadora. Se eu tivesse no lugar dele tinha feito muito mais. Tocava na Legião e em mais duas bandas. Ensaiava, gravava e ainda ia para Curitiba de moto todo fim de semana. Parei com tudo quando a grana acabou. Não sou o Zé Colméia, o mais esperto dos ursos, mas eles não têm vitalidade, musicalidade, não têm nada.

O que você fez depois que deixou a Legião?
Sobrevivo até hoje dos royates e da vendagem de disco. Tive uma fase muito braba, com sérios problemas de drogas. O fundamental para mim foi acreditar em Deus e decidir ter um filho. Quando se tem um filho, a gente fica pensando o que o moleque vai achar da gente. Não quis ser apenas mais um roqueiro maluco. Tentei também montar uma banda, a Cartilagem. Queria lançar uma música alternativa. Falava sobre ecologia, sobre o interior do Brasil. Já morei na Chapada dos Veadeiros. O jovem não conhece o interior. Tem lugar onde um telefone é artigo de luxo. Tinha uma nova proposta para juventude, mas na mídia só se falava em pagodes, em bundas. Acabou não dando certo.

E hoje, o que você faz?
Pratico esportes. Adoro o ciclismo. A bicicleta interage de uma forma pacífica com a natureza. Toco com o Finis África. Estou assimilando as músicas deles e acrescentei algumas do Legião ao repertório. Pedi a Dona Carminha (mãe do Renato Russo) e ela liberou as canções para eu usar. Foi bem legal, pois o mais caro são os direitos autorais das letras. Fizemos uma releitura de 'Eu sei', 'Eduardo e Mônica', 'Faroeste Caboclo' e 'Que país é este?'. O show está bem legal. Vamos tocar até o final do mês todas as sextas-feiras no Ballroom (Humaitá). Mas ainda não está dando para ganhar dinheiro com isso.

Tem algo que você gostaria de falar sobre os cinco anos de morte do Renato Russo?
Acho que ele caiu numa cilada da vida. Lutou contra a doença e não conseguiu vencer. Mas fez muita coisa. Por ser formado, saber inglês, ter uma boa cultura, foi a voz da nossa geração. Transformou música, amor, rebeldia em liberdade. Pena ter morrido.



Escrito por Renan Russo às 01h21 AM
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A Trajetória Completada banda segundo Dado e Bonfá/ 1999

Doze de outubro de 1996. Na porta do crematório do Caju, no Rio de Janeiro, a mãe de Renato Russo, dona Maria do Carmo, concede uma apressada entrevista ao jornal carioca O Globo.

Indagada pela repórter se seu filho havia sido feliz, responde: "É duro dizer isso, mas tenho certeza que não. Uma vez ele me disse: 'Mãe, eu só fui feliz na infância"'. Russo (Renato Manfredini Jr.) nasceu em 27 de março de 1960, no Rio de Janeiro, e morreu, também no Rio, de complicações decorrentes da AIDS no dia 11 de outubro de 1996. À frente da Legião Urbana viveu a ambigüidade de ser bem sucedido na carreira artística e, ao mesmo tempo, ser a mais completa personificação do poeta sofrido. Pôr volta dos 15 anos, pro inferno ele foi pela primeira vez.


OS LEGIONÁRIOS DADO VILLA-LOBOS E MARCELO BONFÁ, ENTRE COADJUVANTES E PERSONAS DO ROCK NACIONAL, LEMBRAM O NASCIMENTO, A VIDA E A MORTE DA BANDA MAIS AMADA E IDOLATRADA DO BRASIL. NÃO HÁ MENTIRAS, NEM VERDADES AQUI, SÓ HÁ...
...MÚSICA URBANA!!!


Em entrevista à revista Marie Claire em janeiro de 1995, Renato relatou o drama de sua adolescência, em que um resultado médico mudou sua vida: "Eu estava com epifisiólise, doença que destrói a extremidade dos ossos. Minha perna estava pendurada só pela pele, entre o fêmur e a bacia. Meu mundo acabou. Fui operado e foi vítima de erros médicos o cara colocou o pino dentro do nervo. Contrações involuntárias me faziam gritar de dor. Fiz outras operações. Perdi dois anos de vida com medo de sentir dor, isolado". Renato, que já era um devorador de livros, passou esses anos de reclusão lendo tudo o que lhe caia nas mãos, especialmente livros sobre rock.
Recuperado, começou a se interessar por um estilo específico de rock, que começava a cravar alfinetes na conservadora face da Europa


Escrito por Renan Russo às 01h17 AM
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BRASÍLIA PUNK ROCK

Inglaterra, Segunda metade dos anos 70. Hordas de jovens desempregados, influenciados pelo rock de garagem norte-americano, começam a fazer um som básico, sujo. Logo, bandas como Sex Pistols, Clash e Buzzcocks¹ tomaram de assalto a mídia, eclodindo o movimento punk. Brasília, 1978.
Filho de um professor da Universidade de Brasília, Felipe "Fê" Lemos (atual baterista do Capital Inicial) acabara de votar de uma estrada na Inglaterra. "Morei lá em 77 e voltei cheio de discos punk!", Lembra-se. "Brasília estava como sempre tinha sido. Não acontecia nada. Havia as festinhas nas casas de um ou de outro e você acabava indo, convidado pelo amigo. Foi numa dessas festas que conheci o Renato." A partir daí, a amizade entre os dois se intensificou e outras pessoas começaram a fazer parte da turma. De apenas um bando de garotos que amavam punk rock para o surgimento de uma banda punk foi um pulo. Fê explica: "A gente - eu, Renato e André (o sul-africano André Pretorius) - se reuniu na Colina (conjunto de 4 prédios onde Fê morava e foi ponto de encontro dos punks de Brasília) e resolveu formar uma banda. Mas faltava o nome. Eu tinha lido sobre um grupo chamado Eletric Flag², fiquei com essa coisa a cabeça e sugeri Tijolo Elétrico. Aí o Pretórius disse: 'Que nada! O nome vai ser Aborto Elétrico!'... Um olhou pra cara do outro e falou: 'É isso aí!'
O nome veio daí... Depois, criou-se a lenda de estudante que perdeu o nenê pôr causa de um cassetete elétrico. Mas não duvido que isso tenha acontecido, porque a repreensão em Brasília era violentíssima!"
Os primeiros ensaios rolaram na seqüência, mas logo a banda sofreu um desfalque. Pretórius foi para a África do Sul servir o exército na segundo semestre de 79. Flávio Lemos, irmão de Fé, assumiu o baixo e Renato começou a tocar guitarra. "Ele era um guitarrista, eu diria, esporrento! Fazia uma barulheira...", diz Fé. Com cabelos descoloridos, roupas rasgadas e a palavra punk piscando na cabeça, o objetivo de Renato era chocar. "Ele adorava ver a reação das pessoas. Uma vez ele fez xixi nas calças na escada de serviço do Colina, eu fiquei chocado! Subi xingando... E ele nem aí! Ele saía na noite, todo molhado, fedendo xixi", conta. No final de 79, Pretórius voltou para Brasília para passar um mês com a família. "Foi aí que a gente ensaiou mais, fez Música Urbana e rolou nosso primeiro show", relembra Fé. O tal primeiro show do Aborto Elétrico foi em 11 de janeiro de 1980, num bar chamado Só Cana. "Foi nesse show que a palheta do Pretórius quebrou e ele tocou com os dedos", diz o baterista do Capital. "Começou a escorrer sangue pela guitarra! As pessoas não entendiam nada, mas ninguém arredava o pé! Guitarra e baixo ligados no mesmo amplificador, sem vocal, tudo rápido, pesado, distorcido e as pessoas paradas." Esse foi o momento histórico do Aborto Elétrico. Cinco anos mais tarde, Pretórius morreria vítima de overdose.
Em 81, Iço Ouro-Preto, irmão de Dinho (atual vocal do Capital Inicial), assumiu a outra guitarra liberando Renato para ficar só nos vocais.
Porém, em março de 82, Renato brigou com Fê Lemos por causa da música Química - Fé achava a música babaca - e declarou o fim do Aborto. Para o baterista aquilo era inevitável. "Nas férias, eu sumia de Brasília, assim como todos. Menos o Renato", assume Fé. "Ele ficava lá e queria tocar. Ele sabia o poder da música dele." Os desentendimentos crescentes, aliados à briga - que, hoje, Fé Lemos classifica como "bobagem" - por causa de Química levaram Renato a abandonar a banda.

TROVADOR URBANO

Como fazia durante as "férias" do Aborto, Renato assumiu de vez a persona de "O Trovador Solitário" e saiu pela cidade fazendo shows acompanhado apenas de um violão.
A quilométrica Faroeste Caboclo é dessa época. Paralelamente, havia o grupo Dado e o Reino Animal, com Marcelo Bonfá na bateria, Dado Villa-Lobos (sobrinho-neto do maestro Heitor Villa-Lobos³) e Loro Jones - atualmente no Capital Inicial - nas guitarras e um tal de Pedro Thompson Flores nos teclados.
O conjunto teve uma passagem efêmera pela cena brasiliense e Renato acabou conhecendo Bonfá numa festa. "Depois do fim do Aborto, eu e o Renato chegamos a tocar sozinhos algumas vezes", conta Bonfá. "Ele tocava teclado e eu tocava bateria. Mas quando a legião começou mesmo eu não sei. Existem lendas. Teve uma 'Festa do Chapéu' em que o Renato chegou pra mim e disse 'Aí Bonfá! Vamos fazer a Legião Urbana?'", busca na memória o legionário. Uma vez formado, o grupo teve problemas com guitarristas. "O Paraná (Eduardo Paraná, primeiro guitarrista da Legião) não pegou o começo da banda", continua Bonfá.
"A gente tocava Soldados, Ainda É Cedo, Conexão Amazônica... tudo isso sem guitarra! Às vezes era bateria e teclado, bateria e voz, bateria e baixo. O Iço veio depois, porque o Paraná foi para o Sul estudar, mas também ficou pouco. Aí entrou o Dado", conta. "Me chamaram um mês antes de um festival em Brasília que iria durar um mês inteiro", lembra Dado. "A gente marcou uns ensaios e começou a fazer as músicas que acabaram virando o repertório do primeiro disco. Daí pra frente, as coisas se encaminharam. No final do ano, a gente fez umas fitas demo que tocaram na rádio Fluminense4, do Rio de Janeiro. Além disso, os Paralamas do Sucesso estavam dando uma força, tudo conspirando a favor da Legião ir pro Rio e gravar um disco."



Escrito por Renan Russo às 01h17 AM
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FOI MUITO RÁPIDO

Final de 83. Os também brasilienses Paralamas do Sucesso haviam acabado de ser contratados pela gravadora EMI. Durante as gravações do primeiro disco do trio, Cinema Mudo, um fato chamou a atenção de Jorge Davidson, diretor-artístico da EMI entre 83 e 93: "Estava no estúdio com os Paralamas e eles começaram a tocar Química", explica Davidson, que se impressionou com a música e foi falar com o vocalista e guitarrista da banda, Hebert Vianna. "Ele me disse que era de um amigo dele, chamado Renato Manfredini Jr., que morava em Brasília e era tudo que ele - Hebert - gostaria de ser. Isso me impressionou mais ainda, porque eu já achava aquele rapaz ali o máximo e ele estava me dizendo que o outro era mais maravilhoso ainda. A partir daí, me interessei em ouvir a Legião. Recebi uma fita - por meio dos Paralamas também. Era voz e violão, o Renato tocando Eduardo & Mônica, Geração Coca-Cola, entre outras. Aquilo me impressionou terrivelmente! Acabei de ouvir a fita e liguei para Brasília para convidá-lo a vir ao Rio conversar conosco."
"Foi muito rápido, na verdade", afirma Dado. "Entrei para a banda em fevereiro de 83 e a gente fez a primeira demo no Rio no final do mesmo ano. Nesse mesmo período, o Renato cortou os pulsos numa tentativa de suicídio - ele cortou os pulsos e correu pra mãe: 'Manhê! Cortei os pulsos!' - e o levaram para o hospital. Ele já queria se ver livre do baixo. Apesar de ser um excelente baixista, ele ficava meio preso por ter de tocar e cantar. Aí, o Bonfá chamou o Negrete (Renato Rocha, gravou os três primeiros álbuns da Legião). O Renato se recuperou e nós fomos gravar no Rio. A EMI chamou a gente pra fazer uma espécie de demo que iria virar um compacto."

"EU QUERO É GRANA!"

O compacto acabou virando um LP, o primeiro da Legião, intitulado simplesmente Legião Urbana. Mas atritos com produtores quase inviabilizaram o disco. "Botaram o Marcelo Sussekind (produtor, co-produziu recentemente De Volta Ao Planeta, do Jota Quest) para produzir a gente", conta Bonfá. "Ele queria que Geração Coca-Cola fosse country! Pô, a gente era punk! Começaram a encher tanto o saco, que eu falei: 'Olha pessoal, tô indo pra casa!'. E eles disseram 'não, mas peraí... vocês têm um contrato!'... A gente cagava pra essas coisas! Aí colocaram um outro cara, o Ricky... era o Ricky o cara que queria fazer o country? Não lembro... acabou que ficou o Zé Emílio (o jornalista José Emílio Rondeau) como produtor, mas eu tive uma briga legal com ele!", ri Bonfá.
"O Bonfá é uma pessoa muito difícil no estúdio", entrega Dado. "Eles brigaram e o Zé Emílio falou "então foda-se, tchau, vou embora!' Ele foi pro estacionamento e o Renato foi atrás dele." José Emílio lembra do ocorrido. "Eu falei que ia embora porque não tinha mais paciência pra fazer o disco. O Renato veio junto dizendo 'pára com isso, deixa de ser bobo' e ficamos conversando... Aí, ele disse 'Rondeau, sabe o que eu mais quero?' Falei que ele queria que as pessoas gostassem do disco. Ele falou 'Não! O que eu quero é grana! Eu tô precisando é de grana!' Aquilo me desarmou. Falei: 'Peraí gente! Vamos dormir, esfriar a cabeça'. No dia seguinte estava tudo ótimo!"
O primeiro compacto Será?, fez grande sucesso no verão de 85 e transformou a Legião na mais nova sensação vinda de Brasília. O disco de estréia vendeu bem, surpreendendo a banda e a própria gravadora. "Na gravadora, ninguém dava nada. Só que o disco vendeu, na época, 50 mil cópias", relatou Renato Russo em entrevista publicada no jornal O Estado de São Paulo, em dezembro de 95. Mas o sucesso estrondoso veio mesmo com o segundo disco, o Dois, de 86, que vendeu, na época, quase um milhão de cópias. O sucesso havia chegado para os punks de Brasília. "No primeiro disco, a gente tocava em danceterias. No Dois, a gente já estava tocando em ginásios", explica Dado. "É um disco muito bacana, apesar das pessoas falarem, por causa de Tempo Perdido, que éramos os Smiths brasileiros. Quando a gente fez o arranjo dessa música, a gente estava em Brasília e nunca tinha ouvido falar em Smiths. E ficaram insistindo naquela tecla, quando no disco tinha Eduardo & Mônica, que não tem nada a ver com Smiths, Andréa Dória5, Índios, que tocou do Oiapoque ao Chuí, rádio AM e FM... Lembro de estar indo visitar Savalla (Carlos Savalla, técnico de som dos Paralamas que deu uma força nas gravações do Dois) e ver um peão com um radinho AM na mão ouvindo essa música. Foi incrível, realmente. A gente tinha muitos sucessos nesse disco."

NEGRETE FORA

Em 87, a Legião lançou um terceiro disco, Que País É Este, marcado pôr releituras da fase punk com o Aborto Elétrico. O álbum aumentou o sucesso da Legião, trazendo todas as devidas conseqüências. "A gente passou de ginásio de esportes a tocar em estádios de futebol. Estávamos sendo pioneiros nisso", recorda Dado. Em junho de 88, rolou em Brasília, no estádio Mané Garrincha, o show-caos, tido como fatídico pôr Dado. Além da falta geral de experiência na produção de eventos desse porte, Dado aponta como causas para a catarse do público a mistura altamente explosiva do repertório da banda com a atitude punk de Renato Russo. "A gente abriu aquele show com Que País É Este, e o público ficou fora de controle. Era punk rock brasileiro. Não era só entretenimento, era entretenimento e provocação, como se o Renato intimasse: 'Eu quero respostas de vocês agora, já!' E era muita gente, o Mané Garrincha lotado. Não demorou muito, jogaram bombas no palco. As grades de segurança foram desencaixadas e passavam de mão em mão. Nisso, subiu aquele cara que agarrou o Renato. Ele não ia fazer nada, mas foi assustador! Tocamos mais de uma hora até que não deu mais. Depois desse show, a Legião nunca mais voltou pra Brasília."
O disco seguinte, As Quatro Estações, de 1990, foi marcado pela saída de Negrete e pôr uma retomada do caminho iniciado no Dois. "Terminou o Que País É Este e o Renato disse 'a gente não pode continuar nisso que a gente tá. Vamos fazer umas coisas mais leves, na paz'", conta Dado.
"Daí, vieram Pais & Filhos, Monte Castelo, coisas bem mais espirituais. A gente começou a fazer as músicas nos estúdios da gravadora, no Rio, e o Negrete tinha ido morar numa fazenda. Ele não aparecia e quem pegava o baixo era eu ou o Renato. E as coisas oram caminhando assim, até que o Negrete praticamente se auto-ejetou da banda", explica o guitarrista. Bonfá completa: "A gente estava no estúdio, fazendo As Quatro Estações. Ele chegava e ficava tocando pra dentro, sabe? Não saía nota nenhuma. O Negrete saiu e eu disse 'beleza!' Sempre gostei dele, ele é muito legal, mas, musicalmente a gente não se entendia." A Legião voltava a ser um trio



Escrito por Renan Russo às 01h16 AM
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PRO INFERNO PELA SEGUNDA VEZ

O disco As Quatro Estações levou a Legião Urbana a estourar de vez.
O grupo fez uma extensa turnê pelo País, com estádios lotados, e tudo sempre correndo na santa paz. Parecia que as coisas estavam na boa, principalmente para Renato, que resolvera, dois anos antes, em 88, assumir publicamente sua homossexualidade. Mas uma notícia mudou tudo. "No final da excursão As Quatro Estações, o Renato estava num estágio avançado de alcoolismo", conta Dado. "Ele achou por bem ser internado numa clínica. Lá, fizeram o teste de HIV." Para infelicidade de todos, o teste deu positivo.
Novamente um diagnóstico médico mudou a vida de Renato. E, conseqüentemente, de toda a Legião. Russo ia ao inferno pela segunda vez.
"Não me lembro exatamente quando foi que eu fiquei sabendo que o Renato era soropositivo", explica Bonfá. "A gente pensou em como poderia se ajudar. Vamos trabalhar? Ficou provado que - até o último momento - essa era a coisa que mais importava. Principalmente pro Renato. O que a gente podia fazer? 'Não vamos parar, não! Não vamos falar de nada...' Eu nunca falei de nada! Se ele quisesse conversar comigo, talvez eu até tentasse. Mas ele nunca falou nada sobre isso." Na época, a banda sumiu de cena, parou de excursionar. A mídia, os fãs começaram a criar suposições sobre o que teria acontecido. Dado conta: "As pessoas especularam sobre o porquê de a gente ter parado de fazer shows e tudo. Na verdade, isso aconteceu porque o Renato se descobriu HIV positivo. Isso gerou uma série de decisões a serem tomadas. O Renato tinha um físico de touro, mas a partir daquele momento as coisas teriam de ser revistas em relação à saúde dele. A gente começou a fazer menos coisas e só sob controle."

VIAGEM PROGRESSIVA

Em 1991, em plena era Collor, longe dos palcos e com tudo sob "controle", a Legião lançou seu quinto álbum, V. repleto de canções longas, com temas pesados, o disco é um retrato fiel da época. Dado Villa-Lobos comenta o trabalho: "O V é mais viajante que o As Quatro Estações. A gente estava numa viagem meio progressiva, com pop e tal. Ele fala muito sobre drogas. A Montanha Mágica é impressionante, uma das minhas músicas favoritas daquele disco. O Renato estava clean (sem usar drogas ou álcool) nessa época, mas havia passado por uma fase brava. Ele estava reestruturando a pessoa dele. Foi um disco estranho, foi uma época estranha. Parecia que tinha uma nuvem negra em cima da gente e era o Collor - espero que São Paulo não eleja esse idiota. E foi um disco bem carregado das emoções e percepções daquela época". Em 92, a Legião gravou o Acústico MTV, fazendo releituras desplugadas para sucessos da banda, além de algumas covers. "O Acústico é um registro histórico de tudo que estava rolando", analisa Bonfá. "Não é 'o novo disco da Legião Urbana'. É um 'novo mas velho' disco da Legião", avisa. Por essa época, também saiu Música Para Acampamentos, com versões ao vivo e raridades da Legião. Em 93, foi a vez de O Descobrimento Do Brasil, sexto álbum com material inédito da banda. "O Descobrimento Do Brasil foi uma evolução da Legião, em matéria de sonoridade", diz Bonfá. No ano seguinte, Renato lançou seu primeiro disco-solo, o The Stonewall Celebration Concert. O álbum, cujo título cita o Stonewall6, um evento marco na luta gay, é uma coleção de covers em inglês, revelando o lado crooner de Renato. Em seguida, mais um solo de Russo, o Equilíbrio Distante, desta vez uma visita ao universo pop romântico italiano. Em 96, já debilitado pela doença, Renato gravou o que seriam as últimas musicas da Legião Urbana. "Era muito triste saber que o fim estava chegando, que você tinha que produzir o disco e conviver com aquilo", recorda Dado. "Pra esse disco, a gente fez umas 30 músicas e Renato ia pouco pro estúdio", conta Bonfá. "Um dia, eu liguei para ele e falei que tinha separado as músicas em duas listas.
O Renato ficou duas horas comigo ao telefone, falando um monte. No final das contas, passei as listas para ele e ele acabou aprovando." Da primeira lista, resultou o disco A Tempestade de 96. João Augusto, diretor artístico da EMI entre 93 e 97, lembra daquela época: "Quando fomos fazer a masterização de A Tempestade, fomos até a casa do Renato buscar as instruções e ele estava muito debilitado. Mas eu continuei mentindo pra mim, continuei aceitando a hipótese de anorexia nervosa, que era o que ele falava".

"...E FOSSE O FIM CHEGANDO CEDO"

João Augusto ficou preocupado quando algumas rádios cariocas começaram a noticiar que Renato havia cometido suicídio. Tranqüilizou-se ao ligar para a casa dele e descobrir que estava tudo bem. Sabendo dos boatos, Dado rumou ao apartamento do amigo em Ipanema e foi informado de que Renato não comia há vários dias e se recusava a sair do quarto.
Pouco depois, Renato morria em seu apartamento no Rio de Janeiro. Rafael Borges, empresário da Legião Urbana, conta como foi que recebeu a notícia. "O médico que o assistia me ligou à uma hora da manhã dizendo que Renato em estado crítico. Liguei pro Dado e pro Bonfá, avisando. A gente já havia feito uma visita e sabia que ele estava na fase terminal, já estava em coma e, quando o médico me ligou, ele tinha acabado de falecer. Quando cheguei, o Dado e o Bonfá já estavam lá. Nós fomos encaminhando as providências práticas que deveriam ser tomadas de acordo com a vontade do Renato."
Em 97, foi lançado o disco da outra lista feita por Bonfá e aprovada por Russo, Uma Outra Estação. "A idéia não era lançar depois que ele tivesse morrido", afirma Bonfá. "Tem gente que não entende isso. Recebo e-mails até hoje com gente dizendo 'vocês lançaram aquela música que o Renato não queria que fosse lançada!' A gente ia lançar o disco com o intervalo que foi lançado mesmo."
Após a morte de Renato, ainda foi lançado O Último Solo, com sobras dos dois discos solo dele. Terminava o ciclo da banda mais cultuada, amada e idolatrada do rock brasileiro, capaz de comover gente das mais diversas camadas sociais e faixas etárias. Dado lembra de uma história dos bastidores do Jornal Nacional.
"Não sei se é verdade, mas alguém contou que quando o Renato morreu, era época da Lillian Witte Fibe e do Willian Bonner. Toda a equipe estava discutindo a pauta e a Lillian chegou, e falou: `Vem cá, vocês não estão achando meio exagerado isso? Dez minutos no Jornal Nacional? É isso tudo mesmo? Vai pegar o jornal inteiro!'. Aí o Willian Bonner virou pra ela e começou a cantar: 'Não tinha medo o tal João de Santo Cristo...'" Convenhamos. Na época da morte de Renato, o Willian Bonner já não era nenhum adolescente.



Escrito por Renan Russo às 01h15 AM
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Ainda Era Muito Cedo

Revista Capricho - 27 outubro de 1996.

Aos 36 anos, Renato Russo deixou um monte de gente com saudades e algumas idéias que devem ser eternizadas na vida de todo mundo. Dado Villa-Lobos conversou com o nosso colaborador, o cantor Léo Jaime.

Foi muito bom ver Dado Villa-Lobos e a Fernanda, mulher dele, e poder compartilhar esse momento. Pensei muito no Dado, no Bonfá e no quanto tinha sido difícil lidar com o que aconteceu, afinal eles conviveram com a tristeza de ver o parceiro ir embora, sem demonstrar para ninguém. Foi bom ouvir o desabafo do Dado, o alívio por ver o sofrimento do amigo e do parceiro de treze anos chegar ao fim. Encontrei com eles na casa do Dado, em Angra. Falamos sobre tudo e é um pouco disso o que quero dividir com você.

Tudo nas canções

As razões por que não se fez enterro, nem velório e não se falou de doença era uma única: Renato não queria. Ele queria dar a seu público aquilo que achava que as pessoas mereciam: suas canções. Por isso se entregou de corpo e alma à gravação do último disco, mesmo não tendo ido muito ao estúdio. Ficou em casa escrevendo um grande material em que trabalhou a poesia e o sentimento de tudo o que estava vivendo... O Dado me pediu para escrever alguma coisa para você. Ele queria contar que a Legião acabou. Dado fala para a Capricho:

"Ninguém consegue imaginar a Legião sem Renato. Por outro lado, vamos cuidar para que o próximo disco e o que quer que venha a ser lançado tenha a nossa marca, o nosso jeito. Foi muito difícil conviver com o fim do nosso trabalho. O último disco foi superdoloroso e eu me defendia disso pensando que aquilo já não era mais importante para mim e nem para ninguém. Já não nos encontrávamos mais para tocar, fazer shows, nada. Só nos reuníamos para compor e gravar as canções. Para fazer discos. Acho que era a nossa forma de lidar com o fim iminente, tentar não perceber o quanto aquilo era fundamental em nossas vidas. Hoje penso que o Renato foi muito importante para o Brasil nos anos 80. Ele significou muito para todos nós. Muito mesmo. E pensar que tudo começou numa brincadeira que a gente nunca imaginou que pudesse crescer tanto. O Renato tinha um senso de humor único e, quando queria, sabia ser engraçadíssimo. Ele era jornalista e nós, estudantes. Hoje vejo que o o que nós fizemos foi realmente importante, coisa que eu não gostava de pensar ultimamente. Quem gostou do que nós fizemos tem as canções prediletas e pode ouvi-las, mas eu não tinha idéia de como iria assimilar tudo isso. O que é que eu vou fazer? Tô com preguiça até de jogar bola."

A Legião Urbana acabou, mas as letras do Renato Russo, não. O grupo vai lançar (provavelmente só em meados do ano que vem) um disco com as músicas que foram gravadas e "sobraram" do último CD, Tempestade, que era para ser duplo. A Legião gravou 28 músicas e só 15 entraram no disco. Além desse novo CD já garantido pela gravadora, a família de Renato Russo está pensando em publicar um livro com os muitos poemas que ele escreveu nos meses que antecederam sua morte, na madrugada do último dia 11. Fora isso, também já está programado o lançamento de uma megacaixa com um CD-plus e um songbook da banda. Ainda não tem data marcada, mas a gente espera que seja o mais rápido possível. O CD vem com seis músicas interpretadas por outros compositores (Marina, Léo Jaime, Adriana Calcanhoto,etc.) e tem em sua última faixa, games com perguntas sobre a banda e a vida dos integrantes. O mais legal: quem acertar tudo, terá direito a assistir ao clipe da música Giz, uma das preferidas de Renato. Não é tudo: no songbook, há o melhor da Legião tocado por eles próprios e historinhas da banda. E atenção: no dia 4 de novembro, às 19h30, vai ter uma homenagem para o Renato Russo, preparada pelos alunos da faculdade Anhembi/Morumbi (rua Casa do Ator, 40, tel. 821-9020), os mesmos que estão fazendo a megacaixa. Há seis anos, Renato Russo sabia que era portador do vírus da Aids. Enquanto foi possível para ele, continuou compondo, fazendo shows, dando entrevistas e aparecendo para os fãs. No início deste ano, a doença começou a se manifestar. Aos poucos a depressão foi tomando conta e ele preferiu não aparecer mais em público para não fazer alarde da doença. Mas durante todo esse tempo escreveu muito, até para poder pôr para fora o drama que estava vivendo.

Começo punk

O cantor nasceu Renato Manfredini Júnior, no dia 27 de março de 1960 (ariano com ascendente em Peixes). Morou em NY entre os 7 e 10 anos com os pais. Voltou para o Rio e aos 13 anos foi morar em Brasília. Aos 15 anos, já dava aulas de inglês. Nessa época teve uma doença nos ossos que o fez passar dois anos de cama e em uma cadeira de rodas. Em 1978, recuperado da doença, formou sua primeira banda, a Aborto Elétrico, inspirada nos grupos punks ingleses. Em 1982, Renato formou a Legião Urbana, com Marcelo Bonfá (bateria), Eduardo Paraná (guitarra) e Paulo Paulista (teclado). No ano seguinte, Dado Villa-Lobos assumiu a guitarra, Eduardo e Paulo saíram e a Legião ficou com a formação que você conhece. Juntos venderam mais de 5 milhões de discos e fizeram a cabeça dos adolescentes dos anos 80 e 90. Além das músicas que a gente adora, Renato Russo deixou o filho Giuliano, de 7 anos, fruto do relacionamento que teve com uma modelo que era sua fã. Ela (parece que se chamava Rafaela, mas Renato nunca quis revelar quem era a mãe de seu filho) morreu de acidente de carro quando o menino tinha 1 ano. Desde então, Giuliano mora em Brasília com os pais de Renato (ele visitava o filho mais ou menos a cada três meses). Giuliano chama a avó de mãe, o avô de pai. Às vezes chamava Renato de tio, mas sabia que ele era seu pai. Foi por volta de 1990 que Renato Russo assumiu publicamente que era homossexual (ou que gostava de "meninos e meninas"). Foi uma atitude corajosa para um ídolo tão adorado por seus fãs. Foi também nessa época que conheceu em San Francisco, na Califórnia, Robert Scott, com quem teve um relacionamento muito marcante. Extremamente romântico e desiludido com suas relações, Renato deixou letras inesquecíveis para qualquer pessoa que já tenha amado pelo menos uma vez.



Escrito por Renan Russo às 04h32 PM
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ANTES DE MORRER

Renato deixa uma série de gravações inéditas, que fariam parte de A Tempestade, caso este tivesse sido um disco duplo, como ele queria. Existem também registros ao vivo dos últimos shows da Legião. Seu maior legado, porém, já está na boca dos jovens, que continuarão cantando suas canções, como A Via Láctea. "Quando tudo está perdido / Sempre existe um caminho / Quando tudo está perdido / Sempre existe uma luz."


Antes de morrer, pediu ao pai provas de amor
“Quando namorava um rapaz chamado Lui, tentou suicídio para chamar a atenção dele.” Nos últimos meses de vida, Renato desistiu de tomar AZT. Uma amiga, que prefere não se identificar, acrescenta que, um mês antes de morrer, o roqueiro pedia a presença do pai:

“Ele queria provas do amor do pai e de que ele o aceitava como gay e alcoólatra.”

Renato Manfredini mudou-se para o Rio ao saber da doença, dois meses antes de perder o filho. “O Júnior carregava o mundo nas costas”, diz ele. Não contou à mulher o que o próprio filho não ousara revelar à mãe. Ela soube pela tevê que o filho tinha Aids, horas depois da morte de Renato Russo, em 11 de outubro de 1996. “À noite, ouvi na tevê: ‘Morreu hoje de Aids o cantor Renato Russo’. Foi um choque.

De manhã, declarei que meu filho tinha morrido de anorexia nervosa.” O respeito dos pais por sua opção sexual aproximou-o mais da família. Em 1988, ele assumiu publicamente a homossexualidade. A mãe não queria. “É para lutar contra o preconceito que vou fazer isso, mãe”, disse ele.

DEPRESSÃO No último mês de vida, Russo praticamente não comia. Só bebia água de coco. Saul Bteshe, 50 anos, seu médico por oito anos, conta que, nos primeiros meses após descobrir a doença, o artista reagiu com otimismo. “Perto de sua morte, caiu em depressão”, conta o médico, que tratava do cantor antes de ele ser infectado. Quando o cantor foi a seu consultório pela primeira vez, Bteshe desconhecia a Legião. “Ele perguntou se eu não o estava reconhecendo”, lembra Bteshe, que o acompanhou em shows na fase avançada da doença.

Russo soube que tinha Aids depois de ter namorado Robert Scott Hickmon, que o roqueiro conheceu em Nova York, em novembro de 1989. Morador de San Francisco, Scott era gay e tinha um namorado vítima da Aids. Russo e Scott viveram juntos alguns meses no Brasil, antes de o americano voltar para os Estados Unidos, no final de julho de 1990, quando usaram heroína juntos. “Foi fogo. O namorado do Scott estava em estado terminal de Aids e mesmo assim o Renato se envolveu com ele”, diz a amiga Leonice de Araújo Coimbra, a Léo, que estava com Russo em Nova York, em novembro de 1989, quando o romance começou. Em 1990, ela recebeu o músico em sua casa, em Brasília, que segurava o resultado de um exame. Chorando, abraçou forte a amiga e desabafou: “Sou HIV positivo”. Léo afirma: “Renato tinha certeza que pegou Aids do Scott. Ele foi embora e ninguém soube mais dele”. Russo nunca assumiu a Aids publicamente. Em 1992, perguntado por um jornalista, disse: “Não estou com Aids, que pergunta idiota”.


Renato Russo
Do inferno ao céu
Na semana em que o roqueiro faria 40 anos, amigos contam quando e com quem ele contraiu Aids e a família relata a história de Giuliano, o filho que chegou a ser noticiado como adotado

Cláudia Carneiro e André Barreto

Foto: Felipe Barra



Escrito por Renan Russo às 04h23 PM
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“Ele disse que era homossexual aos 18 anos. ‘O que faço?’, pensei. Mas disse: ‘Está bem, mas só não me traga homem para dentro de casa’.’’ Maria do Carmo Manfredini
Foi inspirado em Léo que Russo criou “Eduardo e Mônica”, seu primeiro grande sucesso. “Chegamos a brigar por telefone porque ele queria parar de tomar os remédios que o mantinham vivo”, conta ela, artista plástica, 41 anos. Léo morava no Equador e fez as pazes com Russo um dia antes de sua morte. Ele lhe telefonara para ler a letra de “Uma Outra Estação”, que havia composto para a amiga – à época, ela morava perto dos vulcões citados na música. No dia seguinte, Léo voltou a ligar. Só o ouviu na gravação da secretária eletrônica. Renato Russo tinha morrido. A notícia foi dada a ela pelo ex-marido, o jornalista Geraldinho Vieira, também amigo de Russo.

Outro amigo, o empresário musical Luiz Fernando Borges, lembra que, no início de 1996, Renato fez uma despedida. Tomou um “porre homérico”, bebendo cinco dias sem parar. Logo depois, passou a tomar o coquetel anti-HIV. Borges nunca ouviu Renato dizer que tinha medo da morte, mas se irritava com os medicamentos. “Ele tinha muitas dores no estômago e enjôos”, recorda. Até hoje, ele vai ao apartamento do amigo. “O quarto dele está igualzinho. Os móveis, os quadros, está tudo lá.” Parte disso deve ser transferido para o memorial do cantor que será construído em Brasília. Borges teve autorização para fazer um documentário sobre Russo.

O FILHO Um mês antes de completar 29 anos, no Rio de Janeiro, Russo telefonou para a mãe em Brasília e fez suspense sobre uma novidade. Ela achou que era sua mudança para a Inglaterra. Russo tinha o sonho de gravar um disco lá. A surpresa veio a ser revelada na data do nascimento de seu filho, na noite de 29 de março de 1989. Da maternidade, ele ligou: “É menino, mãe!” Giuliano ganhou nome de santo, como prometera na música “Pais e Filhos”.
Quando Russo morreu, aos 36 anos, foi noticiado que o filho era adotivo. A família reafirma a história contada por ele, de que tivera uma relação fugaz com Rafaela Bueno, uma fã carioca. Os pais da moça não apoiaram a gravidez. Na primeira semana de vida, Giuliano foi para as mãos da tia de Russo, Maria do Socorro de Oliveira, que morava na Ilha do Governador, na zona norte do Rio. Rafaela morreu num acidente um ano depois. Na mesma época, o artista mudou-se da Ilha – onde morou com os avós, a tia e Giuliano – e quis criar o menino em seu novo apartamento, em Ipanema. Os pais o convenceram a dar a guarda de Giuliano. Com 11 anos, ele mora com os avós em Brasília, os quais considera seus pais.

Juvenal Pereira/AE

Aos 11 anos, na primeira-comunhão”
SEQÜESTRO Os pais de Russo não permitem que o menino seja fotografado. A proteção foi redobrada, a conselho da polícia, quatro meses após a morte de Russo. No apartamento do Bloco B da Superquadra Sul 303 do Plano Piloto, em Brasília, onde Giuliano morava desde o segundo ano de vida, Carminha recebeu uma denúncia anônima por telefone. A pessoa disse que Giuliano, então com 7 anos, seria vítima de um seqüestro. Assustada, ela correu ao Centro Educacional Maria Auxiliadora, onde o neto estudava, a um quilômetro de sua residência. O avô acionou o grupo anti-seqüestro da Polícia Militar. A polícia detectou pistas sobre um plano de seqüestro e descobriu que pessoas estranhas chegaram a acompanhar os passos de Giuliano. A família mudou de endereço.


Renato Russo adorava crianças. A família argumenta que, por isso, especulou-se que Giuliano seria filho adotivo. Na mesma época de seu nascimento, a tia de Russo levou para a casa da Ilha do Governador um bebê de nome Thaísa. “Ela era o xodó dele”, lembra sua mãe. Um dos segredos que o músico compartilhava com a mãe era o desejo de comprar uma casa e enchê-la de crianças órfãs. Meses após sua morte, a família descobriu atos generosos. Seus pais foram procurados por um jovem paraplégico desesperado com a morte do compositor. Relatou que desde que perdera o emprego, recebia ajuda financeira do roqueiro para manter seu tratamento. “Passeávamos em Nova York em 1989 quando Renato tirou do bolso um bolo de dinheiro para dar a um rapaz sentado na calçada, que segurava o cartaz: ‘Sou soropositivo’”, conta Léo. Isso aconteceu antes de saber que era soropositivo. A generosidade de Russo era unânime entre os amigos. A atriz Denise Bandeira, que foi sua namorada antes de ele definir-se pela homossexualidade, lembra que dar presente aos amigos era compromisso sério. “Antes de um aniversário, ele fazia uma pesquisa minuciosa sobre o presente mais adequado. Na dúvida, comprava vários”, conta. Para Denise, sua capacidade de ir de um extremo a outro era incrível: “Ele podia se atirar ao chão num show para 10 mil pessoas e depois, em casa, mergulhar concentrado em sonetos de Shakespeare”.


Juvenal Pereira/AE

Bonfá lança CD, Dado produz discos e Rocha deixou a música profissionalmente. "O relacionamento era difícil", diz Arthur Dapieve, que escreve sua biografia
Formado em Jornalismo, aos quatro anos ganhou o primeiro disco, dos Beatles. “Ele se trancava no quarto, colocava som alto, e eu, no quarto ao lado, aprendi tudo de rock com ele”, lembra a única irmã, Carmem Teresa. Ela canta spiritual, blues e jazz, no grupo brasiliense Spirituals de Porco. Três anos mais nova, não escapava das rédeas dele. “Ele era totalmente reacionário e protetor, coisas de irmão mais velho”, recorda. A ausência do irmão dói. “Não há um dia que não ouço alguma coisa na rua, uma música, ou vejo um filme, que não tenha vontade de falar com ele.”



Escrito por Renan Russo às 04h22 PM
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Segredos de Renato Russo

O roqueiro da Legião Urbana escondeu dos fãs várias histórias de sua vida pessoal

CELINA CÔRTES E IVAN CLAUDIO

O cantor e compositor Renato Manfredini Júnior, o Renato Russo, morto na sexta-feira 11, aos 36 anos, em decorrência da Aids, tinha dois grandes segredos em sua vida. O primeiro pegou de surpresa o País e os milhares de fãs adolescentes da banda de rock Legião Urbana. Renato se sabia soropositivo há seis anos e morreu recluso em seu apartamento em Ipanema, Rio de Janeiro, sem tornar pública sua enfermidade. O segundo grande segredo dizia respeito ao seu filho, Giuliano Manfredini, de sete anos, fruto do relacionamento fortuito com uma fã. Desde o nascimento do garoto, que mora com os avós paternos em Brasília, Renato se recusava a falar sobre o episódio. Dizia apenas que a mãe de Giuliano era uma modelo paulista, morta em um acidente de carro em 1990. Seu nome, segundo revelou a ISTOÉ um parente próximo do artista, era Rafaela Bueno.

A garota, fã da Legião Urbana, invadiu o quarto do hotel onde Renato estava hospedado em São Paulo durante uma turnê. Sabendo que estava no período de fertilidade, foi incisiva. "Tudo o que quero na vida é ter um filho seu." Renato satisfez seu desejo. Três meses depois do nascimento da criança, o artista foi surpreendido pela visita da mãe de Rafaela na casa em que o cantor morava com os avós, na Ilha do Governador, Rio de Janeiro. Com o bebê nos braços, a mulher pediu para que Renato o criasse, pois na sua família ninguém se responsabilizaria pela tarefa. Nunca mais se viram. Giuliano nem sequer sabe o nome da mãe. Ele reserva este tratamento à mãe do cantor, Maria do Carmo, 60 anos, professora aposentada. Mas, de três em três meses, quando se encontrava em Brasília com Renato, o chamava de pai. Tão certo da paternidade, recentemente o músico reagiu quando o pai dele sugeriu um exame de DNA para ter certeza de que Giuliano era mesmo seu neto. "Imagina que besteira, eu sei que ele é meu filho, eu sinto isso", afirmou.

Histórias como esta recheiam a curta e intensa vida de Renato Russo. O autor de longas narrativas como Eduardo e Mônica e Faroeste caboclo teve uma trajetória mais rica e acidentada que os próprios personagens que criou em rocks ácidos e baladas melancólicas. Renato começou a sofrer os sintomas mais graves da Aids no início do ano, entrando em profunda depressão. Segundo Admo Manfredini, primo-irmão de Renato Manfredini, 71 anos, pai do cantor, o artista se entregou completamente à doença. "Costumava visitá-lo sempre. Ultimamente, ele passou a sofrer de anorexia nervosa, que não o deixava comer. Com isso, foi enfraquecendo cada vez mais. Não fazia nenhuma força para se restabelecer. Não tinha nenhuma disposição ou ânimo nem tomava mais os remédios. Foi se acabando e perdeu o controle das atividades fisiológicas. Acho que não queria mais viver."

Diferente de Cazuza, que suportou os devastadores efeitos da Aids durante três anos, no caso de Renato as infecções oportunistas características da síndrome foram fulminantes. Ele emagreceu 20 quilos dos seus 65 habituais no curto espaço de três meses e começou a ter problemas pulmonares e hepáticos. Nem o tão festejado coquetel de drogas, que reduz a quantidade de vírus do sangue, conseguiu deter a sua debilidade progressiva. Alcoólatra desde os 17 anos e durante longo tempo viciado em cocaína - tendo, inclusive, experimentado a heroína, considerada o último patamar do dependente de drogas -, Renato tinha sequelas dos excessos cometidos. Isto talvez tenha apressado o processo. O clínico geral Saul Bteshe, um dos três médicos que o assistiram em seu apartamento, conta que ele teve uma grande recaída na semana anterior à morte e pediu para suspender a medicação. A velocidade com que foi consumido pela enfermidade impediu até que sua mãe o visse vivo. Quando morreu, à 1h15 da madrugada, vítima de septecemia, infecções pulmonares e renais, estava acompanhado apenas do pai e de um dos quatro enfermeiros que se revezavam a seu lado.

Tudo na vida de Renato Russo se deu de forma muito rápida. Quando morava em Brasília, em meados dos anos 70, ele era apenas um professor de inglês e estudante de jornalismo. Um belo dia, começou a espetar alfinetes nas roupas e resolveu montar uma banda punk, Aborto Elétrico. O ambiente era propício. Mas sua carreira só detonou mesmo em 1983, quando se juntou aos parceiros Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, formando a Legião Urbana. Em oito discos, a banda vendeu mais de cinco milhões de cópias e emplacou hinos adolescentes como Será , Geração Coca-cola, Ainda é cedo, Tempo perdido, Que país é este, Há tempos e Pais e filhos. O sucesso não lhe proporcionou uma vida tranquila. Já no início de carreira, Renato havia tentado o suicídio quando a gravadora EMI ameaçou rescindir o contrato com o grupo. Cortou os pulsos e por um período não conseguia tocar o baixo. O músico Renato Rocha, o Negrete, foi convocado às pressas para substituí-lo no instrumento e acabou ficando na banda três anos. Outra tentativa de suicídio teria ocorrido quando Renato soube que havia se contaminado com o HIV.



Escrito por Renan Russo às 04h14 PM
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Devido às constantes crises de seu temperamento instável, ano a ano os shows da Legião foram ficando mais raros. Desde o antológico confronto do vocalista com uma ensandecida turba de 50 mil espectadores no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, em 1988, Renato começou a ter problemas com a platéia. Nesse show malsucedido, o artista foi agredido por um fã com problemas mentais que invadiu de repente o palco. Disparou um discurso inflamado contra a violência e provocou um quebra-quebra generalizado que resultou em 385 feridos, 60 detidos e 64 ônibus depredados. No último espetáculo da banda, em janeiro de 1995, em Santos, depois de ser atingido no peito por uma lata de cerveja vazia, fez um protesto debochado, permanecendo deitado no palco por nove minutos enquanto seus parceiros tocavam Faroeste caboclo.

Em 1988, alegando não mais poder enganar seu público, ele assumiu publicamente ser homossexual. "Isto faz parte de minha vida, não é um problema", comentou mais tarde em entrevista a ISTOÉ. Na verdade, seu relacionamento afetivo com seus namorados é que lhe traziam problemas. Renato teve duas grandes paixões. A primeira delas aconteceu em 1990, quando conheceu num bar gay de Nova York o americano Robert Scott, viciado em anfetaminas. O namoro durou dois anos e neste período Scott chegou a morar com Renato no Rio de Janeiro. Numa temporada americana chegaram a compartilhar durante um mês e meio sessões de heroína. A separação deixou o artista muito mal. "Acho que vou ficar uns dez anos escrevendo músicas do tipo meu amor partiu", lamentou na época.

Para se curar da fossa, Renato gravou em 1994 o disco solo The Stonewall celebration concert, onde interpretava canções populares americanas. O disco comemorava os 25 anos do surgimento do movimento gay nos Estados Unidos e trazia no encarte uma recordação deixada por Scott. Numa foto da mesa de trabalho de Renato se pode ver uma placa verde com os dizeres "Russ - California". Segundo um ex-namorado de Renato, que não quis se identificar, o artista se referia com nostalgia à recordação. A outra paixão de Renato foi o carioca Cristiano, um garoto de periferia com quem o artista se relacionou até meados de 1995. O rompimento se deu durante a gravação do segundo disco solo Equilíbrio distante, só com canções italianas.

A videomaker Mari Stockler, que dirigiu o clipe de Strani amori, uma das faixas do disco, lembra a angústia do cantor. "Tivemos de adiar a gravação devido a uma crise do Renato. De repente ele começava a repetir que ia ficar deprimido e no dia seguinte estava incomunicável." Depois, como que saído de uma tormenta, ele era outra pessoa. Quando viu o clipe pronto, adorou. "Parece filme italiano", disse. O elogio fazia sentido. Cinéfilo apaixonado, Renato tinha uma coleção invejável de títulos. Um diretor, no entanto, ocupava sua preferência. Era o italiano Pier Paolo Pasolini, cujos filmes o artista não cansava de exibir para os amigos, imitando inclusive os trejeitos popularescos dos personagens. A adoração por Pasolini transcendia as telas. Como o cineasta, também homossexual, Renato tinha uma predileção por rapazes de subúrbio. Nelson Feitosa, editor da revista Sui generis, dedicada ao público GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), que frequentava a casa de Renato, confirma essa preferência. "Era uma espécie de opção estética, ele gostava de pessoas simples e do seu estilo natural."

Embora corra o risco de se converter num ícone gay, Renato com certeza deixou um grande legado poético para a legião de roqueiros. Onze músicas inéditas foram excluídas de A tempestade ou o livro dos dias, o último CD do Legião Urbana, lançado há um mês. Existem ainda três canções em italiano e uma assinada por Sérgio Mendes. O último desejo de Renato era que suas cinzas fossem jogadas num jardim florido.



Escrito por Renan Russo às 04h13 PM
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Conversações com Renato Russo",

Trechos da entrevista ao Jornal do Brasil, 9 de outubro de 1994:


"Perfume: Tenho uma tendência ao cheiro natural das pessoas, mas os meus preferidos são Egoist, da Chanel e Incense.

Shampoo: Também não tenho preferência, mas uma vez,
na casa do Marco Nanini, usei um de jojoba e adorei.

Roupa: Jeans e camiseta.
Quando é uma roupa mais sofisticada, peço ajuda às minhas amigas.

Sapatos: Tênis ou bota.

Cueca: BVD. Se não encontrar esta, qualquer uma de algodão.

Restaurante: Madame Butterfly, Viethay e Enotria.

Comida: Tailandesa, massas ou qualquer comida bem feita. Das brasileiras, gosto de feijão, arroz e batata frita.

Comida de que não gosta: Fígado. Odeio... Também não gosto de comer sozinho.

Fruta: Tangerina, cereja, banana, maracujá. E todas as berries.

Bebida: Água de coco, chás e água.

Coleção: Livros e CDs

Esporte: Natação

Religião: Sou batizado pela Católica Apostólica Romana.
Não sigo, mas tento. Acredito na espiritualidade das pessoas.

Hobby: Assistir filmes

Ator: Todd Haynes, Gregg Araki e Collin Firth, o meu favorito.

Atriz: Cybill Sheppard, Diane Keaton e Monica Vitti.

Mulher inteligente: Marina Colasasnti e Adélia Prado. Toda mulher é inteligente.

Homem inteligente: Betinho. É de uma inteligência sã. E Chico e Caetano, inteligentésimos.

Motivo de orgulho: Ser brasileiro.

Motivo de arrependimento: Quando não aprendo com meus erros.

Ginástica: Levantamento de controle remoto.

Mito: Beatles e Jesus Cristo.

Palavra mais bonita da língua portuguesa: Toda vez que eu leio o Perfil do Consumidor, ponso no que falaria. Toda palavra pode ser bonita, depende de quem fala e se é dita com sinceridade. Eu adoro quando a pessoa que me ama me chama pelo nome.


Palavra mais feia: Qualquer uma que é dita por pessoas intolerantes e injustas.

Quem gostaria que compusesse uma música para você: Schubert

Homem elegante: Dado Villa-Lobos

Mulher elegante: Minha mãe.

Homem bonito: Meu filho.

Mulher bonita: Todas. Isabella Rosselini, Vivian Leigh, Maria Bethânia e Zezé Motta.

Sonho de consumo: Não tenho.

Livro de cabeceira: Tao Te King. Explica o caminho perfeito.

Cantor: De rock, gosto do Greg Lake e Scott Walker. Também gosto de Thomas Hampson e Dietrich Fischer-Dieskau. No Brasil, é Caetano.

Cantora: Maria Bethânia e Maria Callas.

Ópera: Parsifal e A Flauta Mágica. Esta última vai fazer parte da abertura do nosso show.

Remédio: Não posso, parei com isso. Eu estou evitando remédio. O melhor remédio hoje em dia para mim é sexo, amor e saúde.

Símbolo sexual: Rivelino, adoro ele, e Leivinha. Feminico, eu gosto de Leila Diniz e Mônica Vitti.

Personalidade: Betinho

Superstição: Não tenho. Só com coisas pequena, do tipo "se eu acertar uma bolinha de papel dentro do copo, o telefone vai tocar".

Livro: Zen e a arte da manutenção das motocicletas, de Robert Pirsig, e O Discurso da servidão voluntária, de Etienne de La Boetie.

Escritor: Carlos Drummond e Fernando Pessoa

Filme: Poison, Satirycon, Saló e O Mágico de Oz.

Trechos da entrevista a Marisa Adán Gil, Revista da Folha, 9 de outubro de 1994:


Sobre a condição - assumida - de gay: Resolvi minhas dúvidas quando fui aos EUA em 89. No Brasil, ou você é enrustido e pega michê ou travesti, ou é bicha-discoteca. Não sou nada disso. Gay lá pode ser macho. Eles são setorizados: musculosos, sadomasoquistas, loucos...

Sobre a relação com o filho Giuliano: Minha relação com ele é maravilhosa. Mas sou bem durão, ele me respeita. O mais importante é ele sssaber que meu amor não é condicional, não depende de nada que ele faça.

Sobre como decidiu ser cantor de Rock: Dos 15 aos 17, fui obrigado a andar em uma cadeira de rodas. Eu tinha uma doença de fundo virótico. Então lia revistas de música, tipo Melody Maker. Foi aí que tudo começou...

Sobre a necessidade de resistir às drogas: Tenho um problema sério no fígado, me entorpeci por muito tempo. Falar sobre isso me dá forças. Não quero que sigam meu exemplo. Por que buscar a morte? Chega dessa coisa ingênua de glorificar a relação drogas & Rock and Roll ! Não posso dizer que nunca mais vou beber. Mas posso dizer que não vou beber hoje.

Homens são...: bobos, que nem cachorro.

Mulheres são...: misteriosas, que nem gato.

Canção: I Get Along Without You Very Well

Compositor preferido: Bob Dylan.



Escrito por Renan Russo às 04h07 PM
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Reportagem Especial em Tributo :5 anos sem Renato/2002

Cinco anos depois da morte de Renato Russo, sua filosofia continua - guardada nas letras que todos sabem de cor e na legião de novos fãs que conquista a cada dia.

Renato Russo influenciou uma geração. Criou músicas que tocavam em qualquer lugar do Brasil que tivesse, ao menos, um radinho de pilha. Como Raul Seixas, ele virou uma espécie de guru - coisa que, categórico, dizia passar longe: "Meu filho, não tem essa, sacou? Eu não quero exercer influência nenhuma".

 

Modesto, justificava o sucesso das letras de suas músicas pela mania que brasileiro tem de contar histórias. Não tem jeito: até hoje decorar Faroeste Caboclo é uma espécie de rito de passagem dos jovens urbanos. E, na carona, vêm Será, Eduardo e Mônica, Tempo Perdido... "Uma só música não seria o bastante para mudar o que você é", acredita Antonio Carlos Sforza, que decidiu ser baixista da Legião Cover logo depois da morte do cantor. "Todas as músicas da Legião Urbana são inspiradoras e acabam influenciando o que você pensa da vida!", completa.

Renato Russo sabia fazer músicas engajadas em tom de poesia. E assim, meio sem querer acabou virando um mito. Mito de milhares de fãs anônimos espalhados pelo Brasil e também de amigos bem próximos, artistas que sentem sua falta no cenário musical. "O Renato é muito superior a mim, é fácil ver issi, não estou fazendo nenhum exercício de autopiedade, só dizendo a verdade", desabafou Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial. Outra pessoa que não poupa elogios é Cássia Eller. Ela nos escreveu num e-mail curto e emocionado, a seguinte frase: "É um dos maiores compositores da gente, porra! Ele me ensina até hoje. Filho da puta!!! Muito obrigada, Renato Russo".

O anjo na Terra

"Renato Russo era bastante autodestrutivo", conta Arthur Dapieve, o autor da biografia Renato Russo - O Tovador Solitário. "Ele se achava muito feio - declarou certa vez que tinha sex appeal de uma velhinha de bóbis e penhoar", conta.

Desde a adolescência, Renato Russo já era alcoólatra. Só decidiu tentar abandonar o vício quando descobriu que estava com Aids, em 1990. Freqüentou o Alcoólicos Anônimos, mas mesmo quando á estava bem doente, no ano de sua morte, se escondia para beber. "Renato enchia um copo de requeijão até a borda com licor e tomava mesmo que fosse de manhã, ou no calor do Nordeste. Era impressionante", lembra Dapieve.

Além do álcool, Renato foi por muito tempo consumidor regular de drogas pesadas. E dizia: "No começo tem um certo glamour, mas depois... todo mundo lá se divertindo na piscina e eu lá, trancado", lamentava.

E, para completar o perfil de roqueiro irreverente, Renato Russo assumiu, em 1989, sua homossexualidade. Coisa pouco comum de se fazer, publicamente, aquele Brasil de 12 anos atrás. Mas nada disso soou como uma grande novidade para seus inúmeros fãs, algumas músicas, como Meninos e Meninas, davam dicas suficientes.



Escrito por Renan Russo às 03h37 PM
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O punk romãntico

Renato Russo vagava do punk rebelde à mais melódica música romântica. O próprio Renato não entendia. Dizia sempre ter achado que a Legião era uma banda de rock, mas que quem ouvia rock pesado a considerava MPB. Ele mesmo resolvia o problema: "Isso não importa, rótulo é para reédio".

É difícil comparar a revolucionária. Que País é Este com a melancolia Vento no Litoral. "Tenho pavor de me repetir", falava Renato. "Quero cantar canções de amor, baladas íntimas, musiquinhas para cantar junto. Já desisti de salvar o mundo. Eduardo e Mônica estão divorciados", completava.

Renato inédito

Para matar a saudade dos fãs, o pesquisador de música Marcelo Froes foi contratado pela família de Renato para fazer um minucioso levantameto do material que nunca foi publicado. "Tem muita coisa legal, bastante música inédita, arranjos prontos, versões de músicas do David Bowie, Beatles e Led Zeppelin", antecipa.

Marcelo está mapeando todas as fitas do acervo particular de Renato, vasculhando o arquivo da banda na gravadora e logo terá acesso a tudo o que dado, Bonfá, técnicos e produtores dispõem. Por fim, fará um garimpo em rádios e TVs. Ainda não se sabe ao certo o que será feito de todo esse material, mas provavelmente sairá coisa muito boa.

Renato Russo virou mesmo um profeta pagão cujo culto só aumentou depois de sua morte em 11 de outubro de 1996. Ele conseguia transcender como ninguém ao tempo e ao espaço e tornar as palavras eternas. Já foram lançados discos póstumos, coletâneas e livros. Há também o projeto do Memorial Renato Russo em andamento. E, mesmo sem muitas coisas inéditas no catálogo, a Legião Urbana vende em média 350.000 discos por ano, mais ou menos o mesmo que Caetano vende a cada disco.


LETRAS COMENTADAS
Convidamos três pessoas - um amigo, um pesquisador musical e um fã profissional - para comentar algumas letras de Renato Russo.

Eu Sei
Marcelo Froes, produtor musical
Renato sempre comentava que ficou orgulhoso quando o engenheiro de som do estúdio londrino de Abbey Road, ao remasterizar a coleção de Cds da Legião Urbana, disse que Eu Sei soa como Beatles.
A parte da letra que diz: "Com quem você quer falar / Por horas e horas e horas" me faz sentir saudades dos nossos papos de madrugada.
Renato não tinha muita noção de fuso horário e ligava na hora que bem entendia. E eu sempre dava um jeito de espantar o sono e engrenar na conversa, que muitas vezes, rolava em inglês, sabe-se lá por quê.

Quase Sem Querer
Dinho Ouro Preto
Existe um pedaço desta letra que eu acho sensacional. Fala sobre coisas que são impossíveis de ser ditas.
É um dos talentos do Renato: sintetizar coisas que todos querem dizer e não coseguem.
Num outro pedaço, ele fala que "o infinito é realmente um dos deuses mais lindos". Eu venho de uma família atéia, mas hoje me consdero um agnóstico.
Pra pessoas que, como eu, não têm religião isso é justamente a síntese da religiosidade.
Quando penso onde estamos e para onde vamos, o que mais me aproxima da sensação de Deus é o infinito.

Metal Contra as Nuvens
Eduardo Toledo, do site O Sopro do Dragão
Renato Russo usou e abusou da situação política que o país atravessava para compor esta música. Ele estava querendo comprar um apartamento e teve seu dinheiro confiscado da poupança. Isso fica bem claro quando o cantor diz que quase acreditou nas promessas. Continua com mais críticas: "E o que vejo é fome e destruição", e completa, desacreditado, "perdi o meu castelo". No fim, muda de assunto e fala sobre Aids.
Já desconfiava de que era soropositivo, faz referência aos amigos que morreram da doença e termina dizendo que não se entregaria sem lutar



Escrito por Renan Russo às 03h37 PM
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" A juventude esta Sozinha/ Não tem Ninguem para Ajuda"  Renato Russo - Aloha



Escrito por Renan Russo às 01h24 AM
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Curiosidades



Faroeste Caboclo

Criada em 1981 e só registrada em disco em 1987, a canção "Faroeste Caboclo" da Legião Urbana conseguiu um fato inédito até então. Pela primeira vez, uma música totalmente fora dos padrões comerciais "tendo em vista seus 9 minutos e poucos de duração", alcança o primeiro lugar em várias emissoras de FM no País inteiro. Na época, por causa da censura, os palavrões chegaram até a ser substituídos. Mais o épico de João de Santo Cristo deu a volto em tudo isso e quase virou filme com Fernanda Torres no papel de Maria Lúcia. Foi inevitável. Dia 22 de maio de 88, a Legião ocupou o último bloco inteiro do Globo de Ouro (extinto programa da Rede Globo de TV), que ia ao ar aos domingos em horário nobre.



The Stonewall


Em 27 de junho de 1969, a polícia americana invadiu o bar Stonewall Inn, na cidade de Nova York (Estados Unidos), para reprimir um grupo de duzentos homessexuais, que enfretaram os policiais. Foi o primeiro levante gay de que o mundo teve notícia, que iniciou o chamado Orgulho Gay. Nos Estados Unidos, esta data e comemorada todos os anos, com passeatas pelas ruas de Nova York. Foi dai que partiu a idéia de Renato Russo fazer do seu disco em Inglês um homenagem ao dia do Orgulho Gay, batizando o disco com o nome The Stonewall Celebration Concert.

Responsabilidades : Renato
Renato Russo: "...mesmo quando eu escrevo uma música de amor, eu tenho que falar nas coisa que estão acontecendo. A partir do momento em que você abre a boca para falar num país onde 60% dos eleitores são analfabetos, eu sinto uma certa responsabilidade".



Escrito por Renan Russo às 01h09 AM
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Curiosidades

A Maldita

A rádio Fluminense FM, conhecida como "A Maldita", entrou no ar no dia primeiro de março de 1982 na cidade do Rio de Janeiro e fez parte da história das principais bandas de Rock nacional brasileiro tocando as primeiras fitas-demos de bandas como Legião Urbana, Paralamas do Sucessos, Capital Inicial e Plebe Rude. Saiu do ar no dia 30 de setembro de 1994, ao som de (The End), dos The Doors, deixando inconsolada a multidão de órfãos roqueiros no Rio. Hoje em dia a maior rádio Rock do país é a 89 FM, de São Paulo - SP, que em nível de qualidade supera indubitavelmente a antiga Fluminense FM, mais que em fator de importância na cena música do país não à alcança nem de longe.



Dado e o Maestro

Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana, é sobrinho neto do carioca Heitor Villa-Lobos. Até hoje considerado internacionalmente o maior maestro brasileiro. Teve seu primeiro contato com a música aos seis anos de idade e foi o compositor brasileiro que mais produziu: fez sete óperas, 12 sinfonias, 13 poemas sinfônicos, 17 quartetos para cordas e regeu 83 orquestras em 24 países diferentes. Uniu a música clássica à música popular e ao folclore brasileiro. (Bachianas Brasileiras) e (Choro) estão entre suas principais obras. Morreu em 17 de novembro de 1959, de câncer.



Andrea Dória

O nome da música Andrea Doria, do segundo disco da Legião Urbana, foi extraido do nome de um navio Italiano, que naufragou perto de Estocolmo, na Suécia, em 25 de julho de 1965, numa vresão bem mais light do Titanic. Demorou cerca de dez horas para afundar completamente e 52 pessoas morreram. 1.610 se salvaram.



Frases de Músicos e Artistas após a morte de Renato:

Bonfá e Dado.
"Temos muito orgulho de ter feito parte da Legião , e de ter trabalhado com o Renato."
Carlos Trilha , tecladista que tocou em todas as faixas dos últimos disco da Legião.
"Renato sempre foi muito triste e sozinho , mas nos últimos 3 meses ele se isolou."

Lulu Santos , cantor e guitarrista.
"Estou muito chocado para falar a respeito."

Toni Garrido , vocalista do Cidade Negra.
"O Cidade Negra sempre fez Reggae , mas mesmo assim a gente foi muito influenciado pelas letras dele. O Renato era um ídolo para todo mundo da nossa geração . Eu ficava tremendo toda vez que era apresentado a ele."

Roger Moreira , vocalista do Ultrage a Rigor.
"O Renato era um cara de uma carisma impressionante , um idealista . Admirava também o seu caráter - Nunca precisou se vender ao sistema para fazer sucesso."

Fernanda Takai , vocalista da banda mineira Pato Fu.
"É um episódio muito triste , não há como medir a perda de um artista assim. Apesar de atitudes como não querer dar entrevistas ou mesmo fazer shows , Renato Russo era adorado pelos fãs , para eles , suas palavras valem ouro."

Luis Carlos , vocalista do Raça Negra.
"Perdemos um dos maiores poetas do país . O conjunto Raça Negra sempre foi fã das músicas da Legião , e por isso decidimos gravar "Será"."

Cascão , vocalista do Detrito Federal.
"..o que Juscelino representou para Brasília , o Renato representou para a Juventude .. "

Francisca Maria da Silva , 50 anos , vizinha de Renato.
"Gostava muito de ouvir ele tocando teclado. Ele costumava a tocar Brasileirinho , Asa Branca e Pais e Filhos , uma música que me marcou muito. Há 3 semanas parei de ouvir o teclado , e achei que ele tivesse viajado."

Nota oficial da EMI - Odeon.
"Lamentamos profundamente a morte ocorrida nesta madrugada do nosso querido Renato Russo , cuja memória permanecerá viva na lembrança do povo perpetuada que esta em seu inesgotável talento e na beleza de suas obras e interpretações , que tivemos o privilégio de fixar para a eternidade . Mais do que um extraordinário artista , perdemos um grande companheiro e amigo . Que Renato descanse em paz."



Escrito por Renan Russo às 01h07 AM
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Curiosidades

Grampos na Boca

Passada a fase do guarda-chuva e da capa preta, Renato começou a se furar (colocava rebites metálicos no rosto) e freqüentemente adotava o visual punk mais tradicional. Em entrevista publicada na BIZZ em maio de 1989, Renato conta que copiava os modelos de um livro "cor-de-rosa que falava dos primeiros punks" e que colocava grampos na boca, se furava de verdade. "Nossa, ele ficava uma feiúra... Pintava o cabelo com três cores diferentes, rasgava a roupa toda e botava alfinetes de fralda. Também usava um pé de tênis vermelho, outro azul...", descreve hoje sua mãe, dona Maria do Carmo. "Eu não gostava daquela coisa, reclamava com o Júnior, mas ele ria e falava: "Isso é punk, mãe! É punk!!!" Ela lembra ainda de uma ocasião em que Renato foi vestido desse jeito a uma apresentação nobre do bailarino Mikhaíl Baríshnikov. "Era um espetáculo em que estavam muitos nomes importantes do cenário político de Brasília, inclusive militares. Naquele dia, pensei que ele fosse ser preso... Antes mesmo de ver o balé - que ele adorava -, queria provocar." Resumindo a ópera: falando inglês o tempo todo, Renato - se passou por alguém de alguma embaixada, conseguiu lugar na primeira fila, foi ao camarim ao fim da apresentação e ainda ficou amigo do bailarino. "Ele chegou em casa às duas da madrugada e logo foi me acordar para contar a história e dizer que Baríshnikov fazia questão de que ele estivesse presente nas outras duas performances que faria no Rio e em São Paulo", diz a mãe. Renato acabou nem seguindo o astro, mas mostrou o tamanho do seu carisma.



Pai de Todos

Durante as reuniões da "tchurma", além de ouvir discos de punk rock, conversava-se muito. Noites inteiras só de papo. E era nessas conversas que Renato se destacava. Com habilidade para usar as palavras, ele chamava a atenção do grupo. "O Renato começava a falar e num determinado momento estava todo mundo sentado no chão ouvindo. Era impressionante", lembra Paraná. "Ele tinha uma personalidade fortíssima. Às vezes chegava até a ter alguns problemas com o pessoal, principalmente com o Fê (Lemos) que também não era fácil. Mas o discurso do Renato sempre acabava prevalecendo", diz Ico.



Indivíduo Competente

Renato tinha a também um talento musical fora do comum, reconhecido e aplaudido pela turma. Naquela época, mais ou menos 1982, depois do sucesso local do Aborto Elétrico, a primeira banda punk de Brasília, formada inicialmente por Renato (baixo e voz), Fê Lemos (bateria) e André Pretorius (guitarra), o grupo de moleques já se dividia em várias bandas de rock: Legião Urbana, Capital Inicial, Blitx 64, XXX, Plebe Rude, entre outras. Esses grupos interagiam entre si e Renato era visto como o garoto-prodígio do pedaço. Logo após o fim do Aborto, ele fez algumas apresentações solo, só com voz e violão. O estilo folk-urbano, que depois o consagraria, nascia ali. "A maioria das músicas eram concebidas no violão", conta Ico Ouro-Preto, que teve uma breve passagem pela Legião, entre a saída de Paraná e a entrada de Dado. "Passamos uma fase tocando violão na minha casa e depois ensaiando na casa do Renato. Ele freqüentemente chegava com as músicas prontas de cabo a rabo. A gente só mexia nos arranjos, dava um palpite aqui outro ali...", completa Ico. "O Renato normalmente mostrava uma capacidade incrível para compor, nos surpreendia com lances absolutamente geniais", conta Paraná. Desde sempre Renato Russo foi um compositor brilhante. "Dado, Viciado" (incluída recentemente no último CD da Legião, Uma Outra Estação), "Química", "A Dança", "Faroeste Caboclo", "Conexão Amazônica" e "Eduardo E Mônica" eram algumas músicas do seu repertório daquela fase. "Quando inscrevemos 'Química' num festival promovido por um colégio, a música não passou nem na primeira triagem. Imagino que os diretores da escola tenham achado a letra um pouco ofensiva...", ri Paraná. Outra curiosidade da época era a (con)fusão entre "Faroeste Caboclo" e "Fátima", do Capital Inicial. "Renato cantava 'Faroeste Caboclo a letra de 'Fátima' o Capital fazia o inverso. Dá pra imaginar? Depois as coisas foram acertadas", conta Ico.



Escrito por Renan Russo às 01h06 AM
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Curiosidades

Patinho Feio

Embora tivesse talento e a admiração de todos que o cercavam, Renato era uma cara depressivo. "Eu só li feliz na infância", disse ele à sua mãe, momentos antes de morrer. Um dos motivos disso era que Renato se achava o feio no meio de um grupo formado, na sua maioria, por jovens bonitos. Franzino e meio desengonçado, ele não aceitava sua aparência. "Era uma situação bem difícil. Todo mundo gostava dele, mas ele tinha esse complexo. Se achava o patinho feio da turma", revela Ico. E soltava sua insatisfação toda vez que bebia. "Ele era meio temperamental... Mas isso aumentava muito quando tomava umas e outras nas festas... Aí, qualquer coisinha o irritava", lembra Paraná. Por várias vezes, Renato saiu mais cedo das tais festinhas e voltou sozinho e a pé para casa. Andava quilômetros e quilômetros nas místicas madrugadas do Planalto Central. Sabe-se lá o que se passava pela cabeça dele. Provavelmente, entre outros assuntos, Renato já se atormentava com questões relativas à sua sexualidade, questão que só resolveu mesmo quase dez anos depois, em 1990, quando foi "sair do armário" nos EUA. "Eu precisava me assumir há muito tempo... Mas fica
aquela coisa, filho de católico, 'você é doente' etc., etc. etc. No meio do caminho já estava pensando: 'Pô, eu sou um cara legal, eu não posso ser doente.. 'Eu sou assim desde que eu me lembro, desde os 3, 4 anos. Eu sempre gostei de meninos...", disse, em entrevista a José Augusto Lemos, na BIZZ.



Porre Revelador

Embora a turma fosse composta por várias meninas, Renato não teve envolvimento público com nenhuma delas. A garota com quem tinha mais contato era uma descendente de chineses chamada

Suzy. "Ele só conversava em inglês com ela. Eram muito amigos", lembra dona Maria do Carmo. Apesar de não ter namorada, ninguém da turma desconfiava que Renato tivesse tendências homossexuais. "Não víamos Renato paquerar, nem falar de

garotas. Mas nunca cogitamos que ele fosse gay", diz Paraná. A primeira vez que ele deu sinal de que gostava de meninos foi quando, depois de ter bebido, agarrou um sujeito numa festa. Quem lembra dessa história é Ico Ouro-Preto. "Estávamos num grupo grande... Eu, André (Muller), Dinho, Dado... Tínhamos ido a uma festa num lugar longíssimo, mesmo para os padrões de grandes distâncias de Brasília. Lá pelas tantas, o Renato, já meio bêbado, agarrou um cara, ele não gostou e foi a maior confusão. Rolou uma briga, um empurra-empurra... Todo mundo ficou muito surpreso... Ninguém suspeitava da homossexualidade dele e não havia motivo para ele nos esconder uma coisa dessa. Nós tínhamos contato com outros gays e era um relacionamento normal - quer dizer, não existia preconceito." Naquela noite, mais uma vez, Renato voltou para casa a pé, sozinho. Meses depois, ele próprio faria uma insinuação sobre o episódio num texto a respeito da Legião, que você lê na íntegra nesta edição. Num PS, de uma biografia da Legião, ele joga neblina: "Com a saída de Ico-Ouro Preto, após incidentes curiosos que, um dia talvez, serão revelados aos verdadeiros fãs da banda..." Hoje, quinze anos depois do tal "incidente curioso", Ico revela a história. "Aquela briga da festa realmente foi a gota d'água no relacionamento complicado que Renato e eu vínhamos tendo naquele período. Eu estava confuso e já achava que tinha mais talento como fotógrafo do que como músico. Comprei uma passagem para Madri e fui embora." Só meses mais tarde é que Ico e Renato voltaram a se falar e começaram a trocar correspondência. Muitas cartas, cujo tema principal era astrologia. Renato era fascinado pelo assunto. "Sempre fomos muito ligados nisso. Passávamos horas falando a respeito", conta Ico. Paraná lembra de um episódio interessante. "Uma vez estávamos ensaiando, uma mulher veio reclamar do barulho, nos deu o maior esporro e foi embora. Aí, o Renato foi atrás dela: 'Espera, espera... Qual é o seu signo? Volta aqui, eu senti um astral interessante em você...' "
Embora Ico e Renato tivessem o interesse pela astrologia em comum, o principal motivo de terem restabelecido o contato foi outro: Ico conheceu o maior ídolo de Renato nos anos 80."Ele ficou maravilhado quando soube que eu tinha feito uma sessão de fotos com o Morrissey", lembra o fotógrafo. "Me ligou querendo saber todos os detalhes", conclui.



Escrito por Renan Russo às 01h04 AM
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Curiosidades

De Fã para Ídolo

Depois que os Paralamas do Sucesso foram tocar na antiga capital do Rio) e aconteceram com "Vital e Sua Moto", a Legião, já com Dado, pegou a mesma estrada e também saiu de Brasília. O sucesso não demorou a vir e então, sutilmente, foi acontecendo a metamorfose de Renato. "No começo, nós tínhamos uma banda cujo objetivo principal era tocar ao vivo. Aí, pintou gravadora, um monte de compromissos, as coisas mudaram muito e a gente ficou em função do trabalho. O espírito inicial se perdeu. É inevitável, as pessoas acabam mudando muito com a fama...", atesta Dado Villa-Lobos. Renato Russo, aquele garoto que seguia a fio a doutrina punk pregada pelos Sex Pistols, passou a ver as suas frases de efeito repercutirem, viu também seus amigos saírem de Brasília, fazer sucesso com suas bandas e constatou à distância que a "tchurma" que tanto fez para aglutinar, enfim, havia se dissolvido. O Planalto Central se transformou numa grande garagem onde se via uma banda em cada esquina e a minoria virou maioria. Mesmo de longe, a lenda de Renato era uma espécie de exemplo para toda aquela geração de novas bandas. Hoje, um ano após a sua morte e muitos anos desde que deixou

Brasília, a "tchurma' já é história e muitos de seus integrantes assumiram empregos normais, como é o caso de André Muller, ex-baixista da Plebe Rude, anualmente trabalhando para o Banco Central. Fica a lembrança. "Sinto saudade por ter sido um época mais livre em que acreditávamos em grandes ideais. Éramos só uns garotos que tinham algo em comum. E o Renato foi o cara que proporcionou tudo isso", agradece Dado Villa-Lobos.


A Legião terminou seu primeiro show nos braços da policia.
Surpreendentemente o primeiro show da Legião Urbana não foi em Brasília. Aconteceu dia 12 de fevereiro de 1982, na cidade de Patos de Minas, MG. A estréia foi o mais marcante possível: no final da apresentação, a banda saiu algemada do palco. O evento chamava-se Festa do Milho e, entre atrações bem populares, o produtor resolveu encaixar dois grupos de rock: a Legião Urbana e a Plebe Rude, que na época era a banda que mais fazia sucesso em Brasília.


O guitarrista Paraná conta: "Vivíamos o governo Figueiredo e estava cheio de polícia no lugar. enquanto tocávamos, o André Muller, baixista da Plebe, conversava com os peões da platéia, jogando todo aquele papo socialista que a gente já conhece das músicas da Plebe Rude. Durante o show, eles perguntavam aos trabalhadores o que achavam do salário que recebiam, se concordavam com as condições em que viviam... Pronto. Foi só descermos do palco que havia uma fila de policiais nos esperando para nos levar para a delegacia. Ficamos detidos por algum tempo antes de ser liberados". Depois dessa experiência, Paraná ainda faria outros poucos shows com a Legião.


O mais importante de todos aconteceu num pequeno festival ao ar livre, num local conhecido como Centro Comercial Norte. Nessa época, com Renato no baixo e Marcelo Bonfá na bateria, eles tocavam, entre outras, "Química", "Música Urbana", "Faroeste Caboclo", "Conexão Arnazônica" e duas canções que depois foram abandonadas: "Carne Clandestina", sobre a maneira pouco saudável de como a carne de boi chegava à Brasília, e a instrumental "O Cachorro". "Essa apresentação foi interessantíssima.


Não foi um sucesso estrondoso, não tinha tanta gente na platéia. Mas o público reagiu muito bem. Pode-se dizer que foi um grande passo para a banda." Com a saída do guitarrista, bom demais para os padrões punks que Renato idealizava, a solução mais rápida e conveniente foi a entrada de Ico Ouro-Preto, que havia tocado na última fase do Aborto Elétrico. Ele fez alguns ensaios com a banda, mas saiu do grupo sem fazer um showzinho sequer. Reza a lenda que Ico se pelava de medo do palco. É aí que, quando Renato e Bonfá já pensavam em formar um núcleo e só chamar guitarristas convidados, surge Dado Villa-Lobos. Ele chega para "apagar um incêndio" e tocar num show pouco após entrar no grupo.

A "tchurma" havia alugado o Teatro da AOB (Associação Odontológica Brasileira) por quatro finais de semana. Era a primeira vez que bandas como Blitx 64, Capital Inicial, Plebe Rude, XXX e Legião Urbana se juntavam para um grande evento cultural juntos. "Como havíamos alugado o teatro, ficamos ensaiando lá direto. A gente era quase hardcore, mas como as melodias do Renato eram geniais, o resultado acabou ficando bem satisfatório. Viramos a zebra do páreo. Nos saímos tão bem que a galera resolveu nos dar a maior força", conta Dado, que naquela noite se apresentou de pijama.

"Só tocamos umas sete músicas. Era mais um negócio de tocar para os amigos, uma festa... Mas como continuamos ensaindo forte para as sete apresentações que restavam, acabamos até fazendo algumas canções naquele teatro. "A Dança" e várias outras músicas que entraram no primeiro disco tiveram seus arranjos finais feitos lá", revela. Dali em diante, a carreira da Legião começou a engrenar. "Partimos para shows na Escola Parque, no Galpão, nas cidades-satélites de Brasília e o resto você já sabe...", conclui Dado.



Escrito por Renan Russo às 01h02 AM
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Curiosidades

Rapidinhas

O nome desta seção, Ah, se eu soubesse..., é o primeiro verso da música Petróleo do Futuro, do primeiro disco da Legião! O verso inteiro é Ah,se eu soubesse lhe dizer o que eu sonhei ontem à noite.
Você sabia que a música mais longa da Legião Urbana é Metal contra as Nuvens, do disco V? É verdade, ela tem longos 11 minutos e 20 segundos e mesmo assim foi bastante executada nas rádios de todo o Brasil. No disco acústico, a música ganhou uma versão menor, com 9 minutos e 21 segundos.

Por outro lado, a música mais curta que foi gravada pela Legião é a instrumental Schubert Länder, com apenas 1 minuto e nove segundos. Porém, nessa música, apenas Carlos Trilha toca.


Faroeste Caboclo, um dos maiores sucessos da Legião Urbana tem 159 versos, nenhum repetido e 9 minutos e três segundos de duração. Ah, quando o LP Que País é Este foi lançado, em 1987, a música teve sua radiofusão proibida por causa dos palavrões. As emissoras de FM foram obrigadas a colocar um sinal sonoro sobre o general que fica atrás da mesa com o PIIIIIM na mão...



Segundo o jornalista Jocimar Nastari, antigo editor do Jornal da Feira, onde Renato Russo chegou a trabalhar como jornalista (formado em jornalismo pela CEUB), ele era um dos seus melhores repórteres, muito inteligente. Durante uma entrevista para o extinto programa Câmera Machete, Nastari conta que mandou Renato fazer uma reportagem sobre o problema de carne ilegal na Ceilândia, periferia de Brasília. No dia de entregar a matéria, Renato disse ter feito uma música chamada Corações Clandestinos, inspirado no que pôde apurar para a matéria: Dois corações de bois que foram apreendidos pela polícia por estarem em abatedouros ilegais. Onde essa letra está é que é o grande mistério.

Love Song, do disco V, é uma cantiga de amor do século XIII, escrita por Nuno Fernandes Torneol e é cantada em espanhol antigo.

Se você prestar atenção, na contra capa do disco acústico da Legião, a música O Teatro dos Vampiros está sem o artigo 'O': Teatro dos Vampiros. Foi uma falha de impressão do encarte. A EMI ainda não arrumou o erro.

O amor de Renato Russo pelo cinema era grande, isso todo mundo sabe. Mas o que quase ninguém sabe é que Renato já fez uma ponta num filme. O média-metragem 'Ascenção e queda de quatro rudes plebeus', que foi dirigido por Helena Resende e por Carlos Augusto Woorthmann (o Guntje, baterista da Plebe Rude). Renato Russo fazia o papel de Manfredo, o caçador de Talentos. Ele vestia terno, dois relógios no pulso e propunha um contrato bem baixo a recém criada banda Plebe Rude. O filme recebeu o prêmio de melhor filme experimental do 4º festival de Cinema Super-8 de Brasília, em 1982. Recentemete, num show da Plebe no Rio, imagens do filme (que é mudo) foram mostradas no telão e farão parte do novo vídeo clipe da banda que estreiou em janeiro de 2001.

Você sabia que Dado Villa-Lobos não participou da gravação de índios? Se você não acredita basta ver o encarte do CD ou do LP, está lá, aliás, não está o nome dele. Marcelo Bonfá também não participou da gravação da belissíma Central do Brasil.

Você sabe qual é o significado da frase "Kyrie Eleison. Christe Eleison. Pie Jesu, qui tollis peccat a mundi dona eis requiem" que Renato Russo usou no encarte do disco As Quatro Estações? Segundo o pessoal do curso de Latim Napoleão Mendes de Almeida, a tradução do enunciado é: "Senhor, tende piedade. Cristo, tende piedade. Pio Jesus, que arrancas do mundo os pecados, dá-lhes o descanso. Há, neste trecho, uma frase em grego bizantino, transliterada em caracteres latinos: 'Kyrie Eleison. Christe Eleison.' Apenas o período que a acompanha está em latim". Essa ninguém sabia.

Tudo bem, essa é fofoca, mas não dá para deixá-la de fora: O primeiro caso homossexual de Renato Russo foi aos nove anos de idade, com seu primo, um verdadeiro escândalo na família. Segundo uma entrevista de Renato em 1995, ele sempre gostou de homens bonitos e, segundo ele, seu primo era lindo: "Eu era o inteligente, com idéias maravilhosas; e ele era o Adônis, o Davi de Michelangelo, que até hoje tem problemas de dependência química, mas ainda não conseguiu ficar feio. Até os 13 anos, tivemos uma amizade absurda. Depois, ele seguiu o caminho dele e eu continuei perdidamente apaixonado". Esse primo de Renato foi a inspiração para a música "Dado Viciado".

Você sabia que a música instrumental Come Share my Life do disco V é uma adaptação do tradicional folclore americano? No mesmo disco a faixa Teatro dos Vampiros tem, como introdução, Canon de Pachelbel e A Ordem dos Templários inclui Douce Dame Jolie de Guillaume de Machaut, do século XIV.



Escrito por Renan Russo às 01h00 AM
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Entrevista com Renato Russo
para a revista Atrevida, setembro de 96

Que shows você assistia quando tinha a idade de quem assiste aos shows da Legião?

"Na minha época não havia nada. O primeiro show de rock que vi foi da Rita Lee, quando ele foi tocar e Brasília, tinha uns 15 anos. Saía com meus amigos, ia ao cinema, lia bastante, ouvia música. Mas não sobrava muito tempo para essas coisas, eu estudava bastante."
Você era CDF?

"Fui bom aluno até a sétima série."
E desandou por quê?

"Não sei!!! [risos]. Acho que fui para um colégio mais difícil, quando minha família mudou do Rio de Janeiro para Brasília. Tive dificuldade para me adaptar. Lembro do primeiro dia de aula, todo mundo de uniforme e eu lá com o meu macacão."
Para ser diferente?

"Eu era meio freak [extravagante]. Por isso não tinha muitos amigos no colégio. Era mais amigo das meninas. Principalmente das meninas estudiosas, daquelas que sentam na primeira fileira. E dos nerds também. Nunca fui nerd, mas me relacionava bem com eles."
Qual era a sua turma?

"Sempre fui mais estranho do que qualquer outra coisa. Era muito... não sei se intelectualizado é a palavra certa, mas eu lia muito. Teve um dia na aula de literatura que o professor pediu para escrever numa folha de papel todos os livros que já havíamos lido. Eu disse: [com voz esganiçada] "Impossível. Em uma folha só não cabe". [risos]"
E você já sabia o que queria fazer da vida?

"Alguma coisa ligada à palavra, ser jornalista, escritor. Ou então trabalhar com algo ligado à expressão artística. E, de preferência, uma coisa que me desse muito dinheiro... fama e sucesso. Ah, meu sonho era ser um dos Beatles!"
Por que tanta modéstia?

"Ah, talvez para me vingar do mundo."
O que a gente fez de mal para você?

"Bem, o mundo nunca me maltratou. Mas eu achava que as pessoas sempre podiam muito mais do que faziam. Todas muito servis, aceitando tudo. Pensava: agora chegou minha vez. Esperei minha infância inteira para Ter 18 anos. Acreditava que podia tentar mudar alguma coisa para melhor."
Seus pais eram muito exigentes?

"Eram sim. Eles diziam: "Quer comprar sua guitarra? Vai trabalhar, economize e compre". Isso me ajudou muito. Cheguei a dar aula na Cultura Inglesa. Fui um bom professor, tanto que mandavam os piores alunos para mim."
Como Sidney Poitier, no filme Ao Mestre, com Carinho?

"Não fazia milagres, mas um aluno com média 3 passava para 6. Hoje em dia tem essa coisa toda de aprender rock em aula de inglês, falar de Mel Gibson e tudo. Na minha época não tinha nada disso."
Ficava no "the book is on the table?

"E olha lá. Aí comecei a dar música do B-52, dos Ramones. Distribuía instrumentos musicais para os alunos. E claro que tinha um prato, que eu dava para o mais bagunceiro da turma. Acho que se for fazer outra coisa na vida, vai ser dar aula - mas não para adolescentes, que são muito complicados."
Você era complicado?

"Adorava essa coisa de família quando era criança. Na adolescência comecei a me incomodar um pouco. Mas quando era moleque, brincava de pique, soltava pipa, andava de rolimã, ia nadar na praia."
Foi difícil ser obrigado a sossegar pela epifisiólise, a doença que você teve nos ossos?

"Muito. Nesse período resolvi realmente me interessar por música. Ficava deitado ouvindo os discos, sofrendo, tadinho. Tive que fazer vária operações, andei de cadeira de rodas, de muletas. Mas não tava nem aí. Era adolescente tinha mais problemas em Ter espinhas na cara do que em andar de muleta. Pelo menos ficava claro que eu era diferente. Sempre quis ser diferente."
Por isso virou punk?

"Era para espantar o tédio. Em Brasília não tinha nada para fazer. Até hoje não tem muito. E olha que eu trabalhava e estudava. Mas no fim de semana não tinha o que fazer."
O que era mais divertido em ser punk?

"Juntava sempre uma galera, tinha a música, as festas, um monte de bandas. O Aborto Elétrico [banda pré-Legião Urbana] é desse tempo. Tudo muito divertido, muito inocente. É você contra o mundo; você ganha uma identidade própria."
E você ainda precisava disso?

"Claro, eu era muito inseguro. Porque sempre soube que era gay. Sempre. O mundo me dizia que eu era doente, pervertido. Queria ser completamente diferente e, ao mesmo tempo, aceito pelas pessoas. Mas isso faz tanto tempo. Acho que fui adolescente até os 26 anos."
Estilo Geração X [termo criado pelo escritor Douglas Coupland], os marmanjos que não desgrudam da mamãe?

"Ah, acho esse povo da Geração X muito mal-resolvido. Vai se virar, vai trabalhar. Não estou falando das pessoas pobres, que têm dificuldades. Geração X é classe média."
É preguiça mesmo?

"A pessoa é jovem, tem saúde, disposição, o mundo inteiro pela frente, vai ficar em casa assistindo Vale a Pena Ver de Novo? [risos] Nem todas são assim. Tem uns 10% que fazem as coisas. Os outros ficam por aí. O que eu posso fazer?"
Você exerce influência sobre elas?

"Esta lá no palco cantando as minhas músicas. Não quero exercer influência nenhuma. Se a Legião tem uma mensagem é "seja sua própria pessoa". E não acreditem no que eu falo."
Isso é meio Fernando Henrique Cardoso, não?

"Mas é verdade. A pessoa pode até gostar e se identificar, só não pode uma coisa virar verdade porque eu falei. Tenho uma responsabilidade, mas não sou o salvador da pátria. Uma vez uns garotos vieram aqui no prédio falar comigo. Não quis descer, tava de mau humor."
O que faz você ficar mal-humorado?

"Às vezes acordo de mau humor, por nada. E quando estou com fome ou preocupado, pronto. Agora estou controlando. As drogas me atrapalhavam muito."
Como você começou a se drogar?

"Eu sou dependente químico e não sabia. O alcoólatra não é sem-vergonha. Existe uma enzima que o corpo do alcoólatra processa num ritmo duas a três vezes mais lento do que o de uma pessoa normal. Então ele acha que não é alcoólatra porque todo mundo bebe e fica bêbado, e ele não."
Até ficar dependente?

"Com o tempo, o organismo começa a precisar daquilo. E começam a aparecer problemas de relacionamento. Virei aquele chato com quem as pessoas não podiam falar, porque não sabiam qual seria a minha reação. E vai ficando mais pesado, cheguei a usar heroína."
Quando você percebeu que havia perdido o controle?

Continua...



Escrito por Renan Russo às 12h56 AM
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"Na hora que começaram a sair reportagens dizendo que o Renato estava bêbado, o Renato deu ataque, o Renato apanhou de seguranças no Canecão..."
No show do Emerson, Lake & Palmer?

"É. E o mais chato nem foram essas notícia. Foi quando começaram a mentir. Tudo era eu. Nem estava nos lugares e diziam que eu tinha quebrado tudo. Estava me sentido sozinho."
Como você se sente hoje?

"Não posso beber nunca, sou dependente químico. É como diabético, que nunca pode comer açucar. Tive uma recaída. Séria há uns dois meses. Durou quase quatro dias e foi um inferno, mas me recuperei."
Você não se incomoda em contar tudo isso?

"Não, para mim é bom. Me dá força, não sou louco, sou alcoólatra. É diferente. Não vou ter vergonha de ter cabelo preto, de ser canhoto. Sou uma pessoa pública, não acho que devo mentir para as pessoas."
E porque só assumiu que era gay em 87?

"Não falava para não ter problema. Na minha adolescência, sempre me perguntavam se eu era filho único. [risos] Tem menino que é uma flor, eu não. Sou bem macho. Não dá nem para fingir. Acho que é por causa dos filmes de gladiador que eu via quando era pequeno. [riso]"
Você gravou um disco solo em inglês o Stonewall, e agora um em italiano. E em espanhol, que dá dinheiro?

"Eu não me identifico com a língua espanhola, é belíssima, mas não me identifico. Se for para cantar em espanhol, canto em português. Acho muito parecido. Italiano é completamente diferente."
O disco é brega de propósito?

"Ficou menos do que era para ser, mas tem coisas bem bregas. Tentei trabalhar numa linguagem que não domino, música romântica para consumo popular. Ela fala grandes verdades. Tem aquele dia que você está lá, de coração partido, e toca aquela música do Gilliard. Aí você presta atenção na letra e , putz, é exatamente o que está sentindo."
O que faz você cantar hoje, depois de doze anos de carreira e 4 milhões de cópias vendidas?

"Uma boa melodia e uma letra interessante. Gosto muito de cantar. Às vezes fico a tarde inteira ouvindo meus discos favoritos e cantando junto."
Dinheiro não faz cantar?

"Dinheiro me faz gravar discos, é diferente."
Deveria levar você a fazer mais shows, não?

"Mas não gosto de fazer show, me canso muito. O esgotamento físico até que passa, o problema todo são as responsabilidades, a gritaria. Como nós vendemos bastante, tudo bem. E não preciso de mais nada. Se gostasse de comprar roupa, precisaria de mais dinheiro para aquele terno Armani de 1500 dólares..."
Só para ir ao Prêmio Sharp?

É. [risos] Usar uma vez só. Com meu estilo de vida, vivo bem. Gosto de comprar livros e CDs, viajar de vez em quando. Tenho um carro, uma Caravan 86, que fica com meus parentes."
Você dirige?

"Não. O carro é para eles. É impossível dirigir aqui no Rio de Janeiro. Dirigir não é só pilotar, tem que seguir as regras do trânsito. Há pessoas na minha vida que se foram por acidente de carro."
A mãe do seu filho, Giuliano?

"Exato. Não quero falar mais nada sobre isso."
Ele continua com seus pais?

"Tá sim, não tenho como educar o Giuliano agora. De jeito nenhum. Nossa relação é ótima, ele esta com 6 anos e é esperto. Quero que venha ficar comigo um dia. Ele fica com meus pais, em Brasília."
E quando você morava e Brasília, com seus pais - lá é tudo tão longe - não dava vontade de ganhar um carro?

"Não, queria uma guitarra!"



Escrito por Renan Russo às 12h55 AM
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Renato Russo dá voz para sua geração

O trabalho do vocalista, letrista e compositor da Legião Urbana supera a nostalgia dos anos 80

GABRIEL BASTOS JUNIOR

Adécada de 80 foi marcada pelo auge do rock brasileiro, que entrou definitivamente para o universo da música popular produzida no País. Muita coisa ficou para trás e já é, em tão pouco tempo, motivo para nostalgia (vide a volta com sucesso da Blitz). Do que ficou, um nome se destaca como o letrista que melhor cantou essa geração: Renato Russo, de 35 anos. Neste fim de ano, ele se expõe de maneira dupla - em Equilíbrio Distante, seu segundo disco solo, e na caixa com os seis discos de estúdio da Legião Urbana remasterizados (nas lojas na semana que vem), ambos pela EMI.

O vocalista, letrista e compositor da Legião, a banda de maior sucesso na história do rock brasileiro, vive entre a conclamação de público e classe artística e as alfinetadas da imprensa, que o acusa de ultrapassado e até de "rock mauricinho", o que explica o tempo que ele passa em cada entrevista falando das sandices escritas a seu respeito. Mas já é tempo de se admitir - como fazem Lobão, Cássia Eller, Boca Livre, Marina e tantos outros - que, como Cazuza, Russo é um nome importante, com o mesmo peso para a sua geração que têm Caetano e Gil para a anterior.

Comparações musicais são injustas, porque a proposta da Legião nunca foi ter uma produção complexa, sofisticada ou experimental nesse sentido. "Nossas música são duas notas", ironiza o próprio Russo. Mas sua capacidade lírica é incontestável quando se lê com atenção Acrilic on Canvas, por exemplo, do elogiado disco Dois. "Minha geração sempre foi tachada de vazia e idiota", comenta. A chance de provar que isso não era verdade sempre foi um incentivo para escrever as coisas com cuidado. "Eu não podia fazer uma besteira."

Agora Renato Russo enfrenta o desafio de mostrar que, embora seja um cantor intuitivo (sem técnica), pode se sair bem como intérprete e produtor, cuidando minuciosamente de todas as fases - até da produção gráfica - de Equilíbrio Distante. Com esse disco romântico, assumidamente brega e todo cantado em italiano - com faixas que vão de Laura Pausini (leia entrevista com a cantora na página 2) à versão de Como uma Onda -, ele pretende experimentar o máximo da absorção na cultura pop, sem misturar com o seu trabalho na Legião, que está preparando novo disco. Até lá vai se ouvir falar muito dele.



Escrito por Renan Russo às 12h49 AM
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RENATO RUSSO, UM LEGADO QUE NEM A MORTE APAGA

Um ano depois de sua morte, o vocalista da Legião Urbana continua idolatrado pelos jovens brasileiros.

(Jornal DIÁRIO DO NORDESTE - 11/10/1997)

(Por Henrique Nunes)

"Vai passar na televisão", vai tocar nas quatro melhores estações da cidade, vai mexer com a cabeça da "Geração Coca-Cola". Na véspera do segundo dia das crianças sem a sensibilidade desse guia de milhões - e do próprio gênero com que expressou suas impressões cruas e melancólicas - as homenagens a Renato Russo devem tocar mesmo é nos "corações e mentes" de todos os bem informados "meninos e meninas". Foi em sua casa, na já musicalmente marcada rua carioca Nascimento Silva, onde faleceu o cantor e compositor, em decorrência de AIDS, a 1h 15min da madrugada de 11 de outubro do ano passado.

Há um ano, portanto, extinguia-se o grupo mais questionador do rock brasileiro, sobretudo nos ainda assombrados anos 80. Mas nem mesmo a nota de enterro divulgada, naquele dia difícil para muitos que admiravam aquela criança séria, franzina e barbada, sepultou a magia da Legião Urbana. Aliás, os remanescentes do grupo, o guitarrista Dado Villa-Lobos, e o baterista Marcelo Bonfá, ainda participam de iniciativas ligadas à perpetuação da imagem da Legião, gerada oficialmente em 84, quando sai o primeiro álbum pela gravadora de todos os seus sucessos - nem sempre, exatamente "populares".

Para este mês, está previsto o lançamento de uma coletânea chamada "Música Urbana". Prometido pela Universal Music, com parte de sua arrecadação destinada à Sociedade Viva Cazuza, o disco está sendo dirigido por Dado e Sérgio Espírito Santo e deve ter a participação de Pato Fu ("Eu Sei"), Virna Lisi ("Há Tempos"), Skank ("Quando o Sol Bater na Janela do Teu Quarto"), Cássia Eller ("Vento no Litoral"), Devotos do Ódio ("Fábrica"), Mundo Livre ("Geração Coca-Cola"), Cidade Negra ("Índios") e Maria Bacana ("Daniel na Cova dos Leões").

O ex-guitarrista da Legião Urbana descreveu ao "O Globo" que também está aprontando para breve um documentário sobre a vida de Renato Russo, com direção de Flávio Tambellini, roteiro de Hermano Vianna e fotografia de Breno Silveira. "Será uma mistura de apresentações ao vivo e em estúdio, mais imagens de arquivo históricas, até então inéditas, da Legião", revelou ao jornal carioca. Já para "O Estado de São Paulo", Dado contou que há ainda muito material com músicas ao vivo, não aproveitadas pela banda.

Para quem escuta com atenção "Será" ou "Flores do Mal" fica muito bom saber que vamos continuar sentindo a força da poesia de Renato Russo, também com músicas inéditas e novas homenagens. Eles se acrescentam aos 10 discos que lançou em vida, às declarações sempre inquietas e autênticas e àquela dança insandecida e coerente, com todo o vigor de uma postura que continua a influenciar, ou melhor, descrever, o comportamento de milhões de brasileiros. Pelo menos, daqueles mais novos, que se disponham a se envolver com o seu tempo através da música, seja em seus quartos, na casa dos amigos, nas rodinhas de violão, ou nos shows de qualquer banda disposta a iniciar-se nos caminhos do rock.

Assim é desde que Renato Manfredini Júnior, um carioca tímido que nasceu em 27 de março de 1960, no Rio de Janeiro, se configurou como um dos maiores ídolos do rock brasileiro, a partir de sua mudança para Brasília. Assim seja, por muitos e muitos tributos, particulares ou midiáticos, desde que nos poupem do sensacionalismo de que Russo fugiu em seus últimos dias. De qualquer modo, os fãs do grupo sabem de cor: URBANA LEGIO OMNIA VINCIT. Deslatinizando: A LEGIÃO URBANA TUDO VENCE.



Escrito por Renan Russo às 12h42 AM
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A Ultima Entrevista

REVISTA INTERNATIONAL MAGAZINE/JULHO DE 1996

O brasileiro é alegre, mas não é feliz
A última entrevista de Renato Russo foi concedida a Marcelo Fres, da revista de rock International Magazine, em julho de 1996. Aqui, alguns trechos:

O heavy está morrendo...

Renato Russo - E... Ah, mas ele volta, ele volta.

Mas e você, como é que você está?

Russo - Ah, eu tô complicado. Eu não quero falar sobre isso.

E o lançamento do disco (A Tempestade)? Você já sabe quando será?

Russo - (silêncio) Essa eu não vou responder. Quando sair, a gente faz uma sessão especial. Agora eu não tô muito legal. Você nota como eu estou.

Outro dia, você me ligou, eu achei que estivesse. Estava mais pra cima.

Russo - Não, tudo bem. Eu tô bem, eu sou uma pessoa que está bem. Aqui eu tô legal. Quer dizer, neste exato momento, eu tô legal, mas meu processo é muito complicado.

Você tem consciência de que seus fãs sabem exatamente como você está?

Russo - (silêncio) Mais ou menos. Eu fico bem de manhã e fico mal de tarde. Qual foi? Hoje de manhã eu tava supermal, tava lá pensando nas minhas coisas. Eu não sou filhote de Dostoievski, entendeu? Meu temperamento e meu caráter são assim, ora bolas. Você é jovial, você é fortinho... Existe uma tradição, os medievais começaram a estudar isso. Eu sou mais um outro tipo de pessoa, sinto muito. Eu não tô especialmente a fim de dançar a dança da garrafinha (risos). Eu não acho isso divertido.

Você é otimista com relação às suas fases e a sua recuperação?

Russo - Eu acho que qualquer pessoa que tenha uma visão do que acontece e do que eu faço - do meu trabalho, da minha vida, das minhas palavras e dos meus atos - vai ter resposta para essa sua pergunta. Eu não sou dono de nada, eu não entendo nada. É só que eu gosto mais de falar como Bob Dylan. É porque na época as pessoas eram completamente idiotas, mas eu já li entrevistas magníficas de Bob Dylan, quando ele, de repente, percebeu que podia pelo menos abrir o jogo e falar um pouco de verdade.

Três ou quatro anos atrás, esse era o discurso do Bono. Agora, a gente aprendeu a mentir. Todos passam por esse processo; acho que é humano.

Fiz a pergunta porque você comenta sua melancolia com frequencia...

Russo - Mas não é bem uma melancolia. É porque não é a dança da garrafinha! São dois extremos. (...) Aqui no Brasil, nós somos alegres, mas não somos felizes. Existe toda uma melancolia e uma saudade que a gente herdou dos portugueses e a gente nem começou a resolver. A gente não sabe o que é nosso país. Não existe um debate, por exemplo, dizendo o que é Adriane Galisteu! (risos) Pra explicar a sério a motivação da televisão, dando números e as necessidades psicológicas das pessoas, etc, etc.(silêncio) Eu sou a pessoa mais mentirosa e mais pretensiosa do mundo!

Talvez em outros momentos, menos agora.

Russo - Ponto final.



Escrito por Renan Russo às 10h14 PM
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Mais letras

 

 

BAADER-MEINHOF BLUES

Letra: Renato Russo

Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

 


 

A violência é tão fascinante

E nossas vidas são tão normais

E você passa de noite e sempre vê

Apartamentos acessos

Tudo parece ser tão real

Mas você viu esse filme também.

 

Andando nas ruas

Pensei que podia ouvir

Alguém me chamando

Dizendo meu nome.

 

JÁ estou cheio de me sentir vazio

Meu corpo é quente e estou sentindo frio

Todo mundo sabe e ninguém quer mais saber

Afinal, amar ao próximo é tão demode.

 

Essa justiça desafinada

É tão humana e tão errada

Nós assistimos televisão também

Qual é a diferença?

 

Não estatize meus sentimentos

Prá seu governo,

O meu estado é independente.


 



Escrito por Renan Russo às 07h51 PM
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NOSSA SENHORA DO CERRADO

Letra: Nonato Veras

Música: Nicolas Behr

 

 

 

Nossa Senhora do Cerrado

 

Protetora dos pedestres

 

Que atravessam o eixão

 

Às seis horas da tarde

 

Fazei com que eu chegue são e salvo

 

Na casa da Noélia

 

 

Nonô Nonô Nonô Nonônô ...



Escrito por Renan Russo às 03h49 AM
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Mais Letras

 

SERENÍSSIMA

Letra: Renato Russo

Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

 


 

Sou um animal sentimental

Me apego facilmente ao que desperta o meu desejo

Tente me obrigar a fazer o que não quero

E você vai logo ver o que acontece

 

Acho que entendo o que você quis me dizer

Mas existem outras coisas

 

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,

Tudo está perdido mas existem possibilidades,

Tínhamos a idéia, você mudou os planos

Tínhamos um plano, você mudou de idéia

 

Já passou, já passou - quem sabe outro dia.

 

Antes eu sonhava, agora já não durmo

Quando foi que competimos pela primeira vez?

O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe

No entendo terrorismo, falávamos de amizade.

 

Não estou mais interessado no que sinto

Não acredito em nada além do que duvido

Você espera respostas que eu não tenho

Mas não vou brigar por causa disso

 

Até penso duas vezes se você quiser ficar.

 

Minha laranjeira verde, porque está tão prateada?

Foi da lua desta noite, do sereno da madrugada

Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço

Enquanto o caos segue em frente

Com toda a calma do mundo.



Escrito por Renan Russo às 03h43 AM
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BAÚ

Site de fã do Legião traz raridades

Pode-se afirmar que o Legião Urbana é o Radiohead brasileiro em termos de capilaridade on-line: uma série de sites com farto material produzidos por fãs que demonstram mais interesse pela banda do que os seus próprios integrantes. Um desses sites, o Sopro do Dragão (
www.paremasmaquinas.com.br/legiao), um dos mais completos sobre a banda de Brasília, traz sete músicas em versões ao vivo e inéditas, como "Fátima" na versão do Aborto Elétrico ao vivo. É dessa rede descentralizada que virão as maiores homenagens dos cinco anos de morte de Renato Russo, no dia 11.



Escrito por Renan Russo às 02h18 AM
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Quando tudo esta perdido

Sempre existe um caminho

Quando tudo esta perdido

                        Sempre existe uma luz                           

 

"Renato Russo" Trecho de A Via Lactea



Escrito por Renan Russo às 01h27 AM
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Daniel na Cova dos Leões

Tempo Perdido

Música Urbana

 



Escrito por Renan Russo às 11h14 PM
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Legião Urbana

O lendário grupo Legião Urbana foi formado em Brasília no ano de 1983. Surgiu da separação do grupo punk Aborto Elétrico formado por Renato Russo em 1978. Do Aborto, fizeram parte os irmãos Fê Lemos e Flávio Lemos (ambos do Capital Inicial), André Pretórius e Ico Ouro Preto. 

       Antes de formar a Legião, Renato Russo tentou uma carreira solo, apresentando-se em vários locais da cidade, ficando então conhecido como "Trovador Solitário". São desta época várias canções que viriam a compor o repertório da futura banda. Entre elas o grande sucesso Faroeste Caboclo (1981).

       Em sua primeira formação a Legião era: Renato Russo (baixo, vocais), Marcelo Bonfá (bateria), Eduardo Paraná (guitarra) e Paulo Paulista (teclados). Ainda em 1983, saíram Eduardo Paraná e Paulo Paulista. Ico Ouro Preto assumiu a guitarra por um certo tempo sendo substituído em seguida por Dado Villa-Lobos..

       Foi tocando fora de Brasília que A Legião tornou-se conhecida; realizou um importante show no Circo Voador, Rio de Janeiro, em 1983. Suas primeiras canções eram, em grande parte, herdadas do Aborto, tais como: Que País é Este (espécie de hino da banda), Conexão Amazônica, Geração Coca-Cola, Ainda é Cedo, Química, etc.

       Embora fosse um excelente baixista, Renato Russo fica  impossibilitado de tocar por algum tempo( havia cortado os pulsos em uma crise depressiva); em seu lugar é convidado Renato Rocha para o baixo e após a recuperação de Renato, é lançado o primeiro LP com a nova formação, o disco Legião Urbana.

       A Legião despontava então como uma das bandas de rock mais conhecidas do país, ao lado de Paralamas do Sucesso, Barão Vermelho, Titãs, etc. A postura messiânica de Renato Russo era acentuada por um comportamento totalmente anti-pop. Além de não abrir shows de outras bandas, não estimulavam qualquer tipo de violência durante seus shows. Já com sua carreira consolidada e uma exaustiva agenda, a banda viria a passar por maus momentos entre os integrantes e mesmo com o público, após os incidentes ocorridos no show 

       Em 1989, logo no início dos trabalhos de gravação do novo álbum, sai Renato Rocha. Bonfá lembra que, principalmente ele e Rocha, não mais se entendiam musicalmente. Russo e Dado revezam-se no baixo na gravação de "As Quatro Estações". Este álbum iniciou uma nova fase para a banda.

Deixada de lado a fúria do anterior, este era mais ligado à assuntos espirituais e sentimentais, falando de temas como a Aids (Feedback Song for a Dying Friend), romantismo (Sete Cidades) e Homossexualismo (Meninos e Meninas) mas sem deixar a crítica de lado como em 1965 (Duas Tribos). 

       Segundo Renato, este álbum é fundamentalmente sobre sexo. Foi o álbum mais vendido depois do "DOIS". O fato surpreendeu o grupo já que nenhuma das músicas tinha qualquer característica pop. 

       No final de 1990, Renato passa por problemas de saúde por causa da
dependência do álcool. Durante o tratamento, um exame constata que
ele é soropositivo. A turnê é interrompida e se faz necessária uma s&eacut e;rie de reestruturações.

       No início 1996, Renato começa a enfraquecer-se devido a doença. Passa o carnaval daquele ano escrevendo as letras daquele que seria o último álbum da Legião com ele vivo. Ao longo das sessões de gravação, o estado de Renato piora além de ficar cada vez mais deprimido. 

       Os trabalhos de gravação do disco foram interrompidos várias vezes e duraram cerca de 6 meses. Toda a trilha de voz de Renato foi gravada apenas com a voz guia (utilizada apenas para orientação dos músicos).

      Renato tinha tudo em mente. O projeto original era o de um álbum duplo. A situação fez com que o disco saísse simples sob protestos dele.

       O álbum é concluído meio que às pressas em julho. Depois disso, Renato isolou se no apartamento em Ipanema dando raríssimas entrevistas e escondendo de todos a sua atual situação.

       Em 21 de setembro de 1996, sai o último álbum da banda "A Tempestade (Ou O Livro Dos Dias)" com produção de Dado Villa-Lobos e da Legião. Neste trabalho, não aparecem agradecimentos, nem a frase em latim presente em quase todos os álbuns "URBANA LEGIO OMNIA
VINCIT" (Legião Urbana vence todas as coisas). No lugar, a frase de Oswald de Andrade: "O Brasil é uma república cheia de árvores e gente dizendo adeus." 

       Nessa época, começavam os boatos de que Renato tentara o suicídio. Os próprios Dado e Rafael Borges, empresário da banda, constataram o boato. Infelizmente, Russo já estava totalmente enfraquecido e sem condições de falar.

       Dia 11 de outubro de 1996, Renato vem a falecer. Segundo a versão dos médicos e da imprensa, vítima de AIDS.

       O fim da Legião Urbana é então anunciado dia 22 de outubro pelos parceiros Dado e Marcelo acompanhados do empresário da banda, Rafael Borges.



Escrito por Renan Russo às 11h13 PM
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Discos Solos

Disco 01: THE STONEWALL CELEBRATION CONCERT (1994). 
200.000 Cópias Vendidas. 

Sucessos: Cherish, Cathedral Song. 

Informação:  Um  disco  gay  com  músicas  de Madonna a Billy Joel, todas na língua inglesa.


Disco 02: ESQUILÍBRIO DISTANTE (1995). 
550.000 Cópias Vendidas. 

Sucessos: Strani Amori, La Solitudine. 

Informação: O cantor resgata suas próprias raízes, além   de   fazer   um   trabalho   descaradamente romântico. Com este trabalho Renato conquista o título de o "Melhor Intérprete Italiano do Ano de 1995(6)".


Disco 03: O ÚLTIMO SOLO (1997) (Disco Lançado Após a Morte de Renato Russo). 
Nenhuma fonte sobre Cópias Vendidas. 

Sucessos: Nenhuma fonte. 

Informação:  Este  disco  é  composto por 8 faixas musicais  escritas   em   língua  inglesa  e   italiana, também consta no disco depoimentos e entrevistas de Renato Russo (faixa multimídia) e o Clipe do STRANI AMORE (faixa multimídia). 



Escrito por Renan Russo às 03h13 AM
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Discografia


Disco 01: LEGIÃO URBANA (1984).
550.000 Cópias Vendidas (12/10/96).

Sucessos: Será, Geração Coca - Cola, Soldados, Ainda é Cedo. 

Informação: O grupo chama atenção com seu som cru, raivoso, herança do passado punk, falando de injustiça social, alienação e dramas amorosos. 


Disco 02: DOIS (1986). 
1.001.000 Cópias Vendidas (12/10/96).

Sucessos: Tempo Perdido, Eduardo e Mônica, Índios, Andrea e Doria. 

Informação:  Este  disco  é  o  mais  marcante da carreira do Legião: a partir dele, o conjunto virou mito, e Renato Russo, Deus da juventude.


Disco 03: QUE PAÍS É ESTE? ( L. URBANA 1978-1987 )
770.000 Cópias Vendidas (12/10/96). 

Sucessos: Que País é Este?, Faroeste Caboclo, Angra dos Reis. 

Informação: Tributo ao próprio passado do grupo, com a gravação de canções do tempo do Aborto Elétrico.


Disco 04: AS QUATRO ESTAÇÕES (1989) 
1.100.000 Cópias Vendidas (12/10/96). 

Sucessos: Há Tempos, Pais e Filhos, Meninos e Meninas. 

Informação: Pela primeira vez, Renato Russo fala abertamente de homossexualismo.


Disco 05: LEGIÃO URBANA V (1991) 
465.000 Cópias Vendidas (12/10/96). 

Sucessos: Teatro dos Vampiros, Vento no Litoral. 

Informação: Sombrio, flerta abertamente com estilo progressivo, com temas longos e climáticos.


Disco 06: MÚSICA P/ ACAMPAMENTO (1992) 
270.000 Cópias Vendidas (12/10/96). 

Sucesso: O Senhor da Guerra. 

Informação:  Álbum   duplo   com   registros   de gravações ao vivo, sobras de estúdios, trechos de um show acústico feito para a MTV.


Disco 07: O DESCOBRIMENTO DO BRASIL (1994) 
430.000 Cópias Vendidas (12/10/96). 

Sucessos: Perfeição, 29, Barcos, Os Anjos. 

Informação: Menos triste que o anterior, Renato Russo resolve demonstrar sua fé na humanidade, apesar do próprio desespero.


Disco 08: A TEMPESTADE ou O LIVRO DOS DIAS (1996) (O Último Disco de Renato Russo).
400.000 Cópias Vendidas (12/10/96), Com menos de 1 ano de lançamento. 

Sucessos: A Via Láctea, 1º de Julho. 

Informação: O disco do Legião fala de amor e ética. Com   letras   quase   declamadas   em    melodias acridoces.


Disco 09: UMA OUTRA ESTAÇÃO (1997) (Disco Lançado Após a Morte de Renato Russo). 
Nenhuma fonte sobre Cópias Vendidas. 

Sucessos: Nenhuma fonte. 

Informação: O disco foi feito do estilo variado, com músicas tristes e alegres, Riding Song é uma música de apresentação dos integrantes da banda, Sagrado Coração  uma  música com letra e sem  registro  da voz de  Renato Russo  e  também algumas músicas apenas com instrumentais.


Sem ilustração
Disco 10: MAIS DO MESMO (1998) (Disco Lançado Após a Morte de Renato Russo). 
Nenhuma fonte sobre Cópias Vendidas. 

Sucessos: Nenhuma fonte. 

Informação: O disco  é  uma retrospectiva  de das melhores músicas de cada disco da Legião Urbana



Escrito por Renan Russo às 03h04 AM
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Autografos

Renato Russo
Dado Villa-Lobos
Marcelo Bonfá


Escrito por Renan Russo às 02h58 AM
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Renato Russo

Ao falecer, à 1h15 da madrugada de 11 de outubro de 1996, Renato Manfredini Júnior, 36 anos, era o maior ídolo  do  rock  e da música pop   do   país.  Líder   da   banda  Legião  Urbana,  Renato  Russo conquistou  milhares  de  fãs  ao  longo  de  sua  carreira, onde suas músicas revelaram toda a sua poesia, seu amor e sua sensibilidade.

A finalidade desta pagina é manter viva a sua imagem, sua história e, principalmente, sua música; hoje e sempre...

Renato Manfredini Júnior  nasceu  no  Rio de Janeiro  em  27  de  março  de  1960,  filho  do  economista  Renato Manfredini, funcionário  do  Banco  do  Brasil  e  de  Dona Maria  do  Carmo,  professora de inglês.
Ele aprendeu inglês  desde pequeno,  quando morou,  dos 7 aos 10 anos,  em  Nova York.  Nova  transferêcia do pai levou o menino, já com 13 anos, a Brasília que tanto marcou sua música. Renato teve uma infância e adolescência de classe média alta, típica do pessoal das bandas de Brasília. Entre os 15 e os 17 anos enfrentou várias operações e viveu entre a cama e a cadeira de rodas, combatendo uma doença óssea rara chamada epifisiólise.

Em  78,  inspirado  pelo  Sex  Pistols,  Renato  formou  o  Aborto  Elétrico,  que  no  vai  e  vem  de  integrantes,  contou  com participações de Fê e  Flavio Lemos  (depois do Capital Inicial),  Ico  Ouro  Preto  e  André  Pretorius. Em  82  abandonou  o Aborto Elétrico  e  passou  a  fazer trabalhos  solos.  Neste  período  ficou conhecido como "O Trovador Solitário". Quando a lendária "cena de Brasília" já era uma força underground reconhecida,  Renato  Russo  formou  a  Legião Urbana com Marcelo Bonfá, Eduardo Paraná e Paulo Paulista. Um ano depois, Paraná e Paulista deixavam a banda e entrava Dado Villa-Lobos.

Quando  Renato  Rocha  se  juntou  a  banda  em  84, a  Legião Urbana  já  havia se apresentado diversas  vezes  em Brasília, notadamente  nos  célebres  shows  no  Circo  Voador,  no  Rio  de  Janeiro  e no Napalm, em São Paulo. O sucesso de seus shows  levou  rapidamente  a  um contrato com a EMI-Odeon. No primeiro dia do ano seguinte saiu o primeiro álbum, Legião Urbana, que emplacou os hits "Geração Coca-Cola", "Ainda é Cedo" e "Será".

Com seus refrões  poderosos  e  letras  que  falavam  de  inseguranças emocionais e do niilismo da geração crescida durante o regime militar, a Legião Urbana bateu fundo nos anseios  dos  jovens  brasileiros. A receita foi aperfeiçoada no álbum seguinte, Dois, melhor tocado, melhor gravado e mais elaborado.  Sucessos como  "Eduardo e Mônica" e "Quase Sem Querer" falavam uma língua que qualquer jovem urbano brasileiro dos anos 80 podia entender e se identificar.

Dois consolidou Renato Russo como um dos maiores popstars do país. Já na turnê desse segundo disco, começou a aparecer o  Renato  Russo  estrela:  seus  shows  incluíam  discursos  pregadores  (o adjetivo "messiânico" aparecia  em  nove entre dez matérias sobre o grupo) e um alto consumo de drogas e álcool.

Em 1987 sai terceiro álbum, Que País É Este, gerando  hits  como  "Faroeste Caboclo", e mais uma turnê nacional abarrotada. Em 89, sai  As Quatro  Estações  que  inaugura  a  fase mais madura da banda, tanto  no  som,  menos  pop, como  nas  letras, abordando assuntos como AIDS e homossexualismo. Em "Meninos e Meninas",  Renato  sugere  bissexualidade. Logo depois, numa história entrevista à revista Bizz, Renato confirmava o fato.

V, lançado em 91, veio carregado de uma tristeza que refletia a instabilidade emocional-psicológica vivida por Renato. A turnê que se seguiu teve que ser interrompida devido ao seu precário estado de saúde.

O Descobrimento  do  Brasil, de 93, acabou sendo  o  último disco da banda (A Tempestade, é um disco solo de Renato com participações de Dado e Bonfá). A partir de Descobrimento, Renato  deu  vazão  a  seus projetos solo e lançou The Stonewall Celebration Concert e Equilíbrio Distante.

O primeiro, cantado em inglês, foi homenagem ao grande amor de sua vida que morreu de overdose.
Renato faz então seu disco mais militante ao som o orgulho de ser gay, ao som de covers da Broadway e Madonna. Stonewall é  o  nome  de  um  bar  nova-iorquino  onde, num célebre acontecimento em  69,  gays  se  rebelaram  contra  a ação política. Equilíbrio Distante traz Renato interpretando canções de música italiana, uma das manias recentes do cantor.

Renato  era  HIV  positivo  desde  1990,  mas  nunca  assumiu  publicamente a doença. Desde a época de "Descobrimento do Brasil", Renato andava recluso e arredio e evitava a imprensa. As  suspeitas  se comprovaram em 11 de outubro de 1996 com sua morte por broncopneumopatia, septicemia e infecção urinária - consequências da AIDS -, pesando só 45 quilos.

Outubro 11  -   Aos  36  anos,  pesando  apenas  45  quilos,  Renato Russo veio a falecer no apartamento dos pais, no Rio de Janeiro, à 1h15  da  madrugada.  As  causas  foram broncopneumopatia, septicemia e infecção urinária, onsequências da Aids. Sua morte se deu um mês depois de Legião lançar o disco "A Tempestade" ou "O livro do Dias".



Escrito por Renan Russo às 02h54 AM
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Escrito por Renan Russo às 02h49 AM
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Escrito por Renan Russo às 02h30 AM
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"Se eu tenho medo que me esqueçam? Não; eu estou com o público e ele está comigo." Renato Russo. Renato estava certo, nunca o esqueceremos!



Escrito por Renan Russo às 02h20 AM
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Escrito por Renan Russo às 02h14 AM
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Mais Letras

A Canção Do Senhor Da Guerra
Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo

Existe alguém esperando por você
Quer comprar a sua juventude
E convence-lo a crescer

Mas uma guerra sem razão
E já são tantas as crianças com armas na mão
E lhe explicam novamente que a guerra gera empregos
E aumenta a produção

Uma guerra sempre avança a tecnologia
Mesmo sendo guerra santa, quente, morna ou fria
Pra que exportar comida
Se as armas dão mais lucros na exportação ?

Existe alguém que está contando com você
Pra lutar no seu lugar
Já que nessa guerra não é ele quem vai morrer

E quando longe de casa ferido e com frio
O inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando novos jogos de guerra

Que belíssima cena de destruição
Não teremos mais problemas com a super população
Veja que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se sempre que Deus está do lado de quem vai vencer

(solo)

Existe alguém que está contando com você
Pra lutar no seu lugar
Já que nessa guerra não é ele quem vai morrer

E quando longe de casa ferido e com frio
O inimigo você espera
Ele estará com outros velhos
Inventando novos jogos de guerra

Que belíssima cena de destruição
Não teremos mais problemas com a super população
Veja que uniforme lindo fizemos pra você
E lembre-se sempre que Deus está do lado de quem vai vencer

O Senhor da Guerra não gosta de crianças...



Escrito por Renan Russo às 02h09 AM
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Mais Letras

Pais E Filhos
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Estatuas e cofres. E paredes pintadas.
Ninguém sabe o que aconteceu.
Ela se jogou da janela do quinto andar.
Nada é fácil de entender.

Dorme agora.
É isso o vento lá fora.
Quero colo. Vou fugir de casa.
Posso dormir aqui com vocês?
Estou com medo. Tive um pesadelo
Só vou voltar depois das três.

Meu filho vai ter nome de santo.
Quero o nome mais bonito.

É preciso amar as pessoas como se
Não houvesse amanhã.
Porque se você parar para pensar,
Na verdade não há.

Me diz porque o céu é azul.
Explica a grande fúria do mundo.
São meus filhos que tomam conta de mim.

Eu moro com a minha mãe
Mas meu pai vem me visitar.
Eu moro na rua, não tenho ninguém
Eu moro em qualquer lugar.
Já morei em tanta casa que nem me lembro mais.
Eu moro com os meus pais.

É preciso amar as pessoas como se
Não houvesse amanhã.
Porque se você parar para pensar,
Na verdade não há.

Sou uma gota d'agua
Sou um grão de areia.
Você me diz que seus pais não entendem.
Mas você não entende seus pais.

Você culpa seus pais por tudo.
E isso é absurdo.
São crianças como você
O que você vai ser, quando você crescer?


Escrito por Renan Russo às 02h07 AM
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reflitam cada palavra que essa música tem a nos dizer

O Reggae

Letra: Renato Russo
Música: Renato Russo/Marcelo Bonfá


Ainda me lembro aos três anos de idade
O meu primeiro contato com as grades
O meu primeiro dia na escola
Como eu senti vontade de ir embora

Fazia tudo que eles quisessem
Acreditava em tudo que eles me dissessem
Me pediram para ter paciência
Falhei
Então gritaram: - Cresça e apareça!

Cresci e apareci e não vi nada
Aprendi o que era certo com a pessoa errada
Assistia o jornal da TV
E aprendi a roubar prá vencer
Nada era como eu imaginava
Nem as pessoas que eu tanto amava
Mas e daí, se é mesmo assim
Vou ver se tiro o melhor prá mim.

solo

Me ajuda se eu quiser
Me faz o que eu pedir
Não faz o que eu fizer
Mas não me deixe aqui

Ninguém me perguntou se eu estava pronto
E eu fiquei completamente tonto
Procurando descobrir a verdade
No meio das mentiras da cidade
Tentava ver o que existia de errado
Quantas crianças Deus já tinha matado.

Beberam meu sangue e não me deixam viver
Tem o meu destino pronto e não me deixam escolher
Vem falar de liberdade prá depois me prender
Pedem identidade prá depois me bater
Tiram todas minhas armas
Como posso me defender?
Vocês venceram está batalha
Quanto a guerra,
Vamos ver.



Escrito por Renan Russo às 01h39 AM
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genti..tem um tempo q nao posto..então aqui vai..Legião Urbana Vence todas as coisas, ainda que os bons morram jovens, que o brasil seja o pais do futuro, mais então que pais é este?onde querem transformar dignidade em doença, inteligencia em traição, estupides em recompensa e esperança em Maldição...De que lado vc esta? ja que a nossa historia não estara pelo avesso assim sem final feliz...Teremos coisas bonitas pra contar...e até lá vamos viver, temos muito ainda por fazer, não olhe pra tras apenas começamos...o mundo começa agora...Soldados que em Um dia perfeito...Quase sem querer alcançaram a Perfeição......Joãos e Marias, Eduardos e Monicas,ontem Duas tribos......hoje LEGIÕES

é isso ae!!!


 



Escrito por Renan Russo às 01h25 AM
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Legião Urbana expressa o que jovens não conseguem dizer

ÁLVARO PEREIRA JÚNIOR
COLUNISTA DA FOLHA

"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã/ Porque, se você parar para pensar, na verdade não há." Os versos da canção "Pais e Filhos", da Legião Urbana, foram cantados na semana passada, em absoluta comoção, no enterro do estudante Felipe Caffé, assassinado aos 19 anos...



Escrito por Renan Russo às 12h27 AM
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Mais uma letra

Eu era um Lobisomen Juvenil
Letra: Renato Russo
Música: Dado Villa-Lobos/Renato Russo/Marcelo Bonfá

Luz e sentido e palavra
Palavra é que o coração não pensa.

Ontem faltou água.
Anteontem faltou luz.
Teve torcida gritando quando a luz voltou.

Não falo como você fala.
Mas vejo bem o que você me diz.

Se o mundo é mesmo parecido com o que vejo.
Prefiro acreditar no mundo do meu jeito.
E você estava esperando voar.
Mas como chegar até as nuvens com os p‚s no chão?

O que sinto muitas vezes faz sentido.
E outras vezes não descubro o motivo.
Que me explica porque é que não consigo.
Ver sentido no que sinto, o que procuro.
O que desejo e o que faz parte do meu mundo.

O arco-íris tem sete cores.
E fui juiz supremo.
Vai, vem embora . Volta
Todos tem, todos tem suas próprias razões.

Qual foi a semente que você plantou?
Tudo acontece ao mesmo tempo.
Nem eu mesmo sei direito o que está acontecendo.
E daí, de hoje em diante.
Todo dia vai ser o dia mais importante.

Se você quiser, alguém prá ser isso seu.
É isso não se esquecer: estarei aqui.

Não digo nada, espero o vendaval passar.
Por enquanto eu não sei
O que você me falou me fez rir e pensar.
Porque estou tão preocupado por estar tão preocupado assim?

Mesmo se eu cantasse todas as canções.
Todas as canções, todas as canções.
Todas as canções do mundo.
Sou bicho do mato mas...

Se você quiser alguém prá ser isso seu.
É só não se esquecer: estarei aqui.

Ou então não ter jamais a chave do meu coração.


Escrito por Renan Russo às 11h53 PM
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Renato Disse



"Sexo seguro... Pode fazer de tudo, contando que seja com camisinha."

"A música do Menudo é cafona, mas é bonita. Fico emocionado..."

"Acho importante cantar em português. Criar em inglês é uma coisa esquisita"

"Eu errei para caramba. Vocês são muito bonzinhos e nem perceberam"

"A gente devia ter ensaiado mais. Essa coisa de timidez é tudo ensaiada..."

"Se a gente tiver que repetir uma música 20 vezes, tenham paciência!"


Escrito por Renan Russo às 11h26 PM
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Recado

E ai pessoal blz? Me ajudem a divulgar o Site

     Se vcs quiserem me mandar sugestões ou arquivos sobre a Legião me mandem um e-mail para bruxo123@uol.com.br

                                 Legião Sempre

O novo disco não é a estação final para a banda. Outros trabalhos virão e a obra de Renato Russo, Dado e Bonfá vai continuar sendo lembrada.


 

O recém - lançado álbum Uma Outra Estação não marca a despedida da Legião Urbana. Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá avisam que seu trabalho com Renato Russo vai continuar aparecendo em registros ao vivo, vídeos, e página na Internet. Por enquanto, porém, o guitarrista vai para Viena, na Áustria, visitar a mãe, e Bonfá dá um tempo nos trabalhos de um projeto solo (originalmente instrumental) para uma fase de "crescimento interior". Em março do ano que vem, sai o álbum de Renato com out-takes de StoneWall e Equilíbrio Distante, provavelmente acompanhado de um vídeo.

Dado, primeiro a chegar à entrevista - no estúdio Casa da Foto, em Botafogo, bairro carioca - , acha legítimo o interesse pelo caderno de Renato com as letras do Aborto Elétrico recentemente divulgado por SHOWBIZZ. "Tem coisas incríveis ali. ‘Helicópteros No Céu’! Eu e o Bonfá éramos macacos-de-auditório do Aborto. Mas o Renato não queria de jeito nenhum que aquilo fosse gravado". Fê era desafeto do cantor. Devorando atualmente a biografia de Che Guevara, Dado sai de férias do comando do seu selo Rock It! lamentando que o mundo do rock esteja "motivado apenas pelo dinheiro". Assim que bonfá chega, começa a sessão de fotos, relembrando uma capa de BIZZ em 1989.


Escrito por Renan Russo às 05h59 PM
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Pensamentos

"...Pra que levar a vida tão a sério
se a vida é uma alucinante aventura da qual jamais sairemos vivos..."

"Nunca diga que amou alguém e o esqueceu, diga apenas que não quer falar
nele para que seus olhos não se encham de lágrimas, pois mais vale a
tristeza do adeus do que a certeza do nunca mais."

"Nunca chore por alguém que não mereça seu amor, antes de dar mais
uma chance, pense nas lágrimas que derramou.Pois essa pessoa podia
estar bebendo suas lágrimas numa taça de orgulho e despreso."


"Busquei no horizonte uma forma nova de ser feliz.... Nada achei!
Busquei na meia-noite uma maneira suave de sonhar... Não adormeci!
Busquei então, onde a razão não pode alcançar, fui dentro de mim,
bem profundo e quase sem querer te descobri por entre letras mágicas
e risos escondidos..., te achei!"


"Coisas inexplicáveis acontecem na vida de uma pessoa. Jamais pensei
que existisse alguém assim , tão amável e verdadeira como você.
Ontem apenas gostava de estar ao seu lado, hoje eu te amo e percebo
o quanto preciso de você. Fecho os olhos para imaginar a figura suave
do teu rosto. E então cheia de saudades, consigo escrever uma só frase: EU TE AMO!!"


"Talvez tenha sido por um olhar...Talves por um sorriso...Talvez tenha
sido por aquelas palavras ou talvez aquele instante contigo...
Talvez um dia estaremos juntos e talvez tudo será esquecido...
Talvez possa existir outros momentos e aí quem sabe...
Nem tudo estará perdido."


"Te Amo, não somente pelo que és, mas pelo que sou quando estou contigo!
Te Amo, porque puseste a mão pela minha alma e passaste por debaixo de
minhas fraquesas e com teu Amor fizeste sair à luz toda a beleza que
ninguém antes de Ti conseguiu encontrar !!!!!!"


Escrito por Renan Russo às 01h20 AM
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No dia 27 de março de 1960, nasce o Renato Manfredini Jr., na cidade do Rio de Janeiro. Sete anos depois, muda-se da Ilha do Governador para Nova York. Mais tarde, abandona a faculdade de jornalismo e banda Aborto Elétrico é formada, com Renato Russo (baixo), André Petrórius (guitarra) e Fê (bateria). Porém, em novembro de 1981, Renato é preso por causa de uma discussão durante show do Aborto Elétrico que abandonou um depois, passando a fazer trabalhos solos junto com Marcelo Bonfá (bateria), Eduardo Paraná (guitarra) e Paulo Paulista (teclados), formando assim, a Legião Urbana. Nasce, em 1989, Giuliano Manfredini, filho de Russo e para surpresa de alguns, em junho de 1990 declara pela primeira vez, em entrevista a uma revista, que é homossexual.Em abril de 93 lança seu primeiro trabalho solo, "The Stonewall Celebration Concert". Dois anos depois, "Equilíbrio Distante", com canções italianas. E foi no dia 11 de outubro de 1996 no Rio de Janeiro que, ao 36 anos de idade em decorrência da Aids, perdemos Renato Russo um mês depois de lançar "O Livro dos Dias".Renato Russo, foi compositor, cantor, baixista, e além de trabalhar com jornalismo e rádio, era também professor de Inglês. Mais do que isso, Renato foi nosso amigo, pois somente ele foi capaz de revelar os sentimentos mais profundos de toda uma juventude. Valeu amigo!


Escrito por Renan Russo às 01h18 AM
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Mais Uma Letra

 

SÓ POR HOJE

Letra: Renato Russo

Música: Dado Villa Lobos/Renato Russo

 


Só por hoje eu não quero mais chorar

Só por hoje eu espero conseguir

Aceitar o que passou e o que vir

Só por hoje vou me lembrar que sou feliz.

 

Hoje eu já sei que sou tudo o que preciso ser

Não preciso me desculpar e nem te convencer

O mundo é radical

 

Não sei onde estou indo

Só sei que não estou perdido

Aprendi a viver um dia de cada vez.

 

Só por hoje eu não vou me machucar

Só por hoje eu não quero me esquecer

Que há algumas pouco vinte e quatro horas

Quase joguei minha vida inteira fora.

 

Não, não, não, não

Viver é uma dadiva fatal,

No fim das contas ninguém sai vivo daqui mas,

Vamos com calma!

 

Só por hoje eu não quero mais chorar

Só por hoje eu não vou me destruir

Posso até ficar triste se eu quiser

Mas só por hoje; ao menos isso eu aprendi.     

Yeah!



Escrito por Renan Russo às 01h10 AM
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Homenagem a outro GRANDE.

RAMONES.

Escrito por Renan Russo às 01h01 AM
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Mais letras

 

VINTE E NOVE

Letra: Renato Russo

Música: Renato Russo

 


Perdi vinte em vinte e nove amizades

Por conta de uma pedra em minhas mãos

Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes

Estou aprendendo a viver sem você

(Já que você não me quer mais.)

 

Passei vinte e nove meses num navio

E vinte e nove dias na prisão

E aos vinte e nove com o retorno de Saturno

 

Decidi começar a viver.

 

Quando você deixou de me amar

Aprendi a perdoar

E a pedir perdão.

 

E vinte e nove anjos me saudaram

E tive vinte e nove amigos outra vez.


 



Escrito por Renan Russo às 12h58 AM
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O cantor e compositor Renato Russo, do grupo Legião Urbana, morreu na madrugada de hoje, à 1h, por infecção pulmonar. O músico deixou um bilhete para seus amigos de Brasíla, dizendo que queria que seu corpo fosse cremado e que não houvesse velório. A assessoria de imprensa da gravadora EMI-Odeon confirmou a notícia, mas não quis dar mais informações. Além das complicações pulmonares, o cantor estava com anemia profunda. Renato Russo será cremado hoje a tarde, no Cemitério do Caju.

A gravadora EMI Music divulgou há pouco uma nota lamentando a morte do cantor e compositor. Segue a íntegra da nota:

"Lamentamos profundamente a morte, ocorrida nesta madrugada, do nosso querido Renato Russo, cuja memória permanecerá viva na lembrança do povo, perpetuada que está em seu inesgotável talento e na beleza de suas obras e interpretações, que tivemos o privilégio de fixar para a eternidade. Mais do que um extraodinário artista, perdemos um grande companheiro e amigo. Que Renato Russo descanse em paz."


Escrito por Renan Russo às 06h06 PM
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Letras Inéditas Vão Para Museu e Justiça Pode Abortar Disco-Tributo

Se depender da Justiça, as onze letras inéditas de Renato Russo, escritas quando ele fazia parte do Aborto Elétrico e descobertas por SHOWBIZZ (ed. 142), não irão virar disco-trubuto, como quer Fê Lemos, do Capital Inicial, ex-baterista do grupo. Falando por telefone, de sua casa em Brasília, dona Maria do Carmo Manfredini, mãe de Renato, explica: "Infelizmente, esse projeto é impossível. Essas letras fazem parte do episódio do Renato, que só poderá ser mexido quando Giuliano, o filho dele, tiver 21 anos". Isso explica que as letras vão ficar guardadas por mais treze anos, até 2010.

Escritas em Brasília de 1977 a 1981, quando Renato tinha entre 17 e 20 anos, as letras do cadernos estavam em poder de Fê Lemos há dezesseis anos. Fê, seu irmão Flávio Lemos, ex-baterista do Aborto, e o produtor Luiz Fernando Artigas articularam um projeto que reuniria vários artistas do rock brasileiro interpretando as canções nunca gravadas do Aborto Elétrico. "Isso tudo é um sonho ... Estamos cientes de todos os problemas legais e sabemos que há um juiz cuidando do caso. É difícil, mas se a família do Renato realmente quiser o disco, isso pode influenciar na decisão do juiz." Voz tranqüila, a doce dona Maria do Carmo diz, se dependesse dela, o baixista realizaria o tributo sem problemas. "Conheço o Fê desde menino, gosto dele. Por mim, tudo bem, o problema é que, juridicamente, não tem condição", insiste. Fê quase se conforma: "Sinto como se isso tudo fosse uma missão. Se não der, fica o sonho ... Mas essa não é a última palavra". Sem perder as esperanças, ele, Flávio e Fernando estão tocando a idéia. Já pensaram em até alguns nomes para participar do disco, como Raimundos, Planet Hemp, Max Cavalera e Os Cbeludos. "As pessoas ficam muito empolgadas com a idéia. Chegamos a nos encontrar com o pessoal do Planet e foi maravilhoso. A nossa idéia é que as músicas tenham arranjos originais do Aborto", diz Fê. Caso o álbum role, parte da renda do disco será revertida para o Hospital Gafrée Guinle. "O próprio Renato já fez algo parecido, quando doou parte da venda de Stonewall (o primeiro solo de Russo, The Stonewall Celebration Concert) para a Campanha Conta a Fome", lembra Fê. Se Renato gostaria da idéia de ver suas primeiras letras gravadas ? "Sabe que nunca pensei nisso ? Ele jamais demonstrou interesse por essas letras . E olha que ele sabia que o caderno estava com o Fê. O Júnior tinha uma memória de computador", diz dona Maria do Carmo. O caderno já está com o pai do poeta, Renato Manfredini. As letras foram registradas na Editora Coração Perfeito, que cuida dos direitos autorais de Renato Russo. A princípio, elas serão incluídas num grande álbum que dona Maria do Carmo está fazendo com toda obra do filho. No futuro, provavelmente ano que vem, ela pretende colocar todo esse material numa exposição permanente no Museu da Imagem e do Som, no Rio. "Agora não tenho condições de fazer nada em relação ao Júnior. Nem sequer consigo ouvir as músicas dele. As pessoas dizem que minha dor vai passar com o tempo. Estou esperando esse dia chegar." Dona Maria do Carmo não vai deixar os fãs de seu filho na mão. "Recebo várias cartas por dia. Todo mundo pede alguma coisa. Imagina se eu atender um por um ... Por isso vou expor tudo num museu." Tudo, inclusive material publicado em BIZZ e SHOWBIZZ. "Ele adorava a revista. Todo mês, me pedia: "Mãe, vê se a BIZZ já chegou na banca ..."


Escrito por Renan Russo às 05h57 PM
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O Descobrimento do Poeta


O caderno do Aborto Elétrico, com letras inéditas compostas por Renato Russo, ficou esquecido numa caixa de papelão por doze anos. Agora, a juventude e a genialidade do poeta e toda história de uma época efervescente do rock nacional voltam à tona nessa descoberta.


Escrito por Renan Russo às 05h39 PM
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Nada de Novo. Só Mudaram as Estações

Eram meninos e meninas que comungavam idêntico vazio ante um Brasil do qual eles não foram chamados a opinar. Eles existem em algum momento nebuloso entre as Diretas Já e os caras-pintadas. Morrer pela pátria não passava na cabeça de ninguém e gritar que "Somos os filhos da revolução / Somos burgueses sem religião" eram palavras de ordem mais cheias de som do que sentido. Rebeldes sem causa versão shopping-center, vestiam grifes jovens tipo Company e Cantão e velhos jeans apertados no bumbum das garotas. A Geração Coca-Cola bebeu e comeu do mau e do pior. Por falta de dinheiro, derrubava-se cachaça, conhaque ou traçados para dar onda. Cerveja pouca. No fina de noite, quase sempre solitária ou com amigos, o jeito era esperar o ônibus no ponto comendo com os últimos trocados um hot-dog caprichado com refrigerante. Natural só na praia, com frango desfiado, maionese e plus-vita.

Os namoros continuavam a existir, mas muita gente ficava. Fosse sob os andaimes mal iluminados do Circo Voador ou no morro da Urca (Rio), nas esquina, do shoppingGilbertinho e no Clube do Exército (Brasília), ou na, arquibancadas do estádio da Portuguesa (São Paulo), apertos e amassos distraíam os meninos meninas que não tinham muito mais o que fazer. Dia seguinte iam à aula. Os surfistas já gritavam "Içaaa". Naquele tempo muita gente experimentou maconha. E ninguém usava camisinha.


Escrito por Renan Russo às 05h20 PM
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O Rock de Luto

Renato insistiu até o fim em esconder a doença de seus milhares de admiradores. Mas no disco A Tempestade, lançado um mês atrás, mandou um recado de despedida na letra de Música Ambiente: "E quando eu for embora / Não, não chore por mim. "Em A Via Láctea, primeira música do mesmo CD a tocar no rádio, referiu-se explicitamente aos efeitos da AIDS: "Eu nem sei porque me sinto assim / Vem de repente, um anjo triste perto de mim / E essa febre que não passa." Para a família, reservou recordações ainda mais dramáticas, ao fazer o balanço de sua vida amargurada: "Mãe, eu só fui feliz na infância", confessou pouco antes de morrer.



Escrito por Renan Russo às 05h18 PM
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Suicídio E Ritual

Houve quem não suportasse o sofrimento e a morte do ídolo. No mesmo dia em que Renato morreu, o baiano Luís de Souza Araújo, de 22 anos, suicidou-se com um tiro na cabeça, dentro de um trem fantasma em que trabalhava no município de Euclides da Cunha, a 314 km de Salvador. Em carta, deixou registrado o desejo de encontrar-se no além com o roqueiro. Dezenas de jovens, também desolados, foram tentar se despedir de Renato no Caju. Entre eles, o publicitário paulista Afonso Whitehead, 25 anos, era o único a manter o pé no chão: "Não sou fã fervoroso, mas vim aqui fechar o ciclo da minha adolescência." Como ele, que saiu de sua cidade só para cumprir o estranho ritual, milhares foram os adolescentes de todas as idades que ficaram órfãos. "Ele falava as coisas que eu pensava, antes mesmo de eu pensar", resumiu o estudante Eduardo Ferro, que acompanhou aos prantos a vigília pelo ídolo, junto com a irmã Renata.

A escalada de Renato Russo até o coração da juventude brasileira começou em 1984, quando a Legião lançou seu primeiro homônimo disco, quase sem divulgação. Aos poucos, muito graças aos shows que fazia no Circo Voador (Rio) e em São Paulo, as canções encontraram seu alvo: meninos e meninas carentes de alguém que expressasse as suas inquietudes. "Quando nascemos fomos programados / Pra receber o que vocês / Nos empurraram com os enlatados / Dos USA, de nove às seis", recitava Renato em Geração Coca-Cola, um dos maiores sucessos na parada radiofônica do ano de 1985.

"Eu Sou Diferente"

Outras músicas, inconformadas, porém, líricas, como Tempo Perdido, Quase Sem Querer e Índios, vieram em seguida, credenciando o vocalista como um dos grabdes (e raros) poetas do rock que despontava no começo dos anos 80 com Cazuza, Lobão, Titãs e Ultraje a Rigor. Os oito discos lançados pela Legião Urbana venderam até agora cerca de cinco milhões de cópias.

Nascido em 1960, no Rio de Janeiro, Renato Manfredini Júnior, foi um menino recluso e tímido, que, como lembrou com carinho sua mãe, Maria do Carmo: "Se trancava no quarto para ouvir música clássica, ler a Enciclopédia Britânica e a coleção Os Pensadores." "Eu dizia: 'Júnior, vai jogar bola, vai namorar.' "Ele ria baixinho e dizia: ‘Não adianta, mãe, eu sou diferente’." Aos 15 anos, ficou mais diferente ainda. Já morando em Brasília, Renato recebeu um pino de platina na perna, afetada por uma doença na cartilagem, e teve de se trancar em casa nos dois anos seguintes. Quando voltou a andar normalmente, fez a descoberta que iria mudar de vida: o som punk dos Sex Pistols, Ramones e Sham 69.

Admirador do chamado progressivo, rock de inspiração sinfônica, Renato viu naqueles garotos rasgados, que faziam canções curtas e rápidas com três acordes, um exemplo a ser seguido: todo mundo poderia ter uma banda. E fundou, com os amigos André Pretorius e Felipe Lemos (futuro integrante do Capital Inicial) o Aborto Elétrico, um dos pioneiros de movimento punk-rock de Brasília, uma ousadia numa época em que a cidade ainda vivia o amordaçamento do regime militar. Nessa época, ele adotou o sobrenome Russo, uma homenagem coletiva aos filósofos Jean Jaques Rousseau e Bertrand Russel e ao pintor Henri Rousseau.


Escrito por Renan Russo às 05h17 PM
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Trovador Solitário

Desfeita a banda, depois de muitas mudanças em sua formação, Renato não deixou cessar sua inquietação musical. Em 1981, com violão em punho , foi mostrar suas canções recém-compostas nos bares de Brasília. Ele intitulava-se o Trovador Solitário. Em seu repertório, estavam Química, Eduardo e Mônica e algumas outras músicas que mais tarde seriam sucesso em todo o Brasil. Enquanto isso, educava jornalismo no CEUB - Centro de Ensino Unificado de Brasília -, dava aulas particulares de inglês e tentava a carreira de radialista, comandando um programa sobre jazz. Um dia, Renato conheceu o baterista Marcelo Bonfá e com ele iniciou o projeto de uma nova banda: a Legião Urbana. Depois de alguns desencontros, os dois resolveram chamar para a guitarra um garoto que jamais havia tocado tal instrumento, Dado Villa-Lobos. A Legião tanto que fez que acabou caindo nas graças da EMI Odeon, que lançou o primeiro disco da banda.

Contestação

Desde os primeiros dias de sucesso, Renato Russo era um estranho no Rock Brasil, com sua postura absolutamente rebelde e política, de sinceridade extrema. Além disso, numa época em que Paulo Ricardo adotava o modelito roqueiro e arrancava suspiros das meninas com o RPM, Renato fazia o contraponto, mergulhava fundo na contestação e encarnava o anjo muito louco. "Acho muito fácil as pessoas sentarem suas bundas gordas na cidade e ficarem definindo a juventude. Não tenho que saber como é a cabeça do jovem. Tenho é que, como cidadão, ajudar as pessoas que vem depois de mim", dizia. Em 1986, ele reforçou suas intenções ao gravar Música Urbana 2, de intenso realismo à la Tom Waits - "Nas ruas os mendigos com esparadrapos podres / Cantam música urbana." Em 1987, foi a vez de Que País é Esse - "Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da Nação."

Sua sensibilidade lhe custou caro na vida pessoal. Renato nunca escondeu seus problemas com a depressão, as drogas e a bebida. Em 1984, por causa de uma rescisão de contrato com a gravadora, ele tentou suicídio cortando os pulsos. Perdeu temporariamente o movimento das mãos e teve que passar o baixo para Renato Rocha, vulgo Negrete, que gravou os três primeiros discos da Legião. Três anos depois, o vocalista confessou em entrevista: "Nunca bebi pelo gosto, mas para ficar louco. Bebia Contreau em copo de requeijão. "Pouco depois, Quatro Estações, disco de 1989, abria com a frase "Parece cocaína, mas é só tristeza." Era uma história de dependência química que Renato tentou purgar no fim da vida. "Passei 15 anos da minha vida me destruindo com drogas e álcool. Eu estava que nem Kurt Cobain (do conjunto Nirvana, que, viciado em heroina, acabou se matando em 1994). Estava muito deprimido."

Alvo de uma veneração quase doentia por parte de seu público, Renato nem sempre soube lidar com as pressões do star system. E os shows eram seus pontos mais fracos. Em 1988, no Estádio Mané Garrincha, em Brasília, ele perdeu o controle e discutiu com os seguranças, encerrando a apresentação poucos minutos após seu início. Foi a senha para uma baderna que acabou com 385 pessoas feridas e 60 presas. Nos camarins, após o incidente, a banda chorava. Renato levou a culpa e, desde então. Resolveu nunca mais se apresentar na cidade onde a Legião nasceu.

No dia da morte de Cazuza - 7 de julho de 1990 -, num show no Jockey Clube Brasileiro, no Rio, ele foi mais feliz. Os fãs pegaram areia na pista e começaram a fazer uma verdadeira guerra. O tumulto só não foi maior porque Renato deu uma bronca e conseguiu parar a brincadeira de mal gosto. Mas as apresentações da Legião se tornaram cada vez mais raras. Houve uma miniturnê para divulgar o disco V (1991) e outra mais curta ainda para Descobrimento do Brasil (1993), mesmo assim , só um ano depois que este tinha sido lançado. Em 1995, Renato Russo passou a sofrer síndromes de pânico que o impediram de voltar aos palcos.

Em 1990, Renato Russo decidiu quebrar o silêncio sobre um assunto que sempre aparecia velado em suas letras: suas condições de homossexual. "Revelar que está na contra mão da heterossexualidade normativa é uma questão difícil, às vezes. Cada pessoa tem sua decisão." Se no primeiro disco, esta era detectada penas ao se ler nas entrelinhas (Nossas meninas estão longe daqui / Não temos com quem chorar e nem pra onde ir / Se lembra quando era só brincadeira / Fingir ser soldado a tarde inteira?"), em 1989 ela já começava a ficar mais explicita. "E eu gosto de meninos e meninas", dizia em alto e bom som em Meninos e Meninas, de As Quatro Estações.

Daí em diante, Renato não parou, tornando-se um ativista pela questão homossexual. Em 1994, ele gravou seu primeiro disco solo, The Stonewall Celebration Concert, em homenagem ao célebre levante gay ocorrido em 1969, nos Estados Unidos. O CD, aliás, teve como inspiração o fim do namoro com um americano que ele havia conhecido anos antes em San Francisco. No segundo disco solo, o italiano Equilíbrio Distante (95), o encarte trazia uma foto do músico fazendo cabo-de-guerra com jovens musculosos. A Tempestade, por sua vez, tem a canção Leila - "E você diz daquele seu jeito: Ai, preciso de um homem / E eu digo: Ah, Leila! Eu também".

Renato porém não se limitava a defender a questão homossexual com letras e declarações: ele freqüentava as sessões do grupo Arco íris e chegou a doar 10 mil dólares para a organização da Conferência Internacional de Gays e Lésbicas, em setembro do ano passado. "Na época, ele tinha acabado de terminar com o namorado, mas estava superaltoastral. Em janeiro, ele começou a ficar arredio, disfarçando a voz no telefone", revela Raimundo Pereira, vice-presidente do grupo de defesa gay Atobá.

A Aids, que acabou consumindo o líder da Legião Urbana, já tinha sido tema de uma de suas canções: Feedback Song For a Dying Friend, que na tradução de Millôr Fernandes, incluída no encarte de As Quatro Estações, ficou como Canção de Retorno Para Um Amigo à Morte. "Alisa a testa suada do rapaz / Toca o talo nu ali escondido / Protegido nesse ninho farpado sombrio da semente / Então seus olhos castanhos ficam vivos", diziam os primeiros versos. O amigo à beira da morte era Cazuza, com quem Renato Russo dividia o título de poeta máximo do rock Brasil dos anos 80. Mais ou menos na mesma época em que a canção era lançada, o próprio Renato se contaminou com a Aids.


Escrito por Renan Russo às 05h17 PM
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Compondo Ópera

Os boatos sobre a saúde do vocalista começaram a correr cerca de mês atrás, quando a Legião Urbana lançou seu sétimo disco de estúdio, A Tempestade sem dar entrevistas e sem fazer divulgação. A foto de Renato no encarte era de arquivo, da época de Equilíbrio Distante. Isto tudo, somado a letras como a de Natália ("Vamos falar de pesticidas / E de tragédias radioativas / De doenças incuráveis"), despertou a curiosidade dos lãs. "O Renato está bem, em casa, compondo uma ópera", garantiu na quarta-feira passada a MANCHETE o empresário da Legião, Rafael Borges.

Menos de dois dias depois, a morte de Renato era anunciada. Um punhado de fãs, a sua maioria meninas adolescentes, se reuniu na porta do prédio do líder da Legião, para chorar, ouvir suas músicas em walkman e esperar a saída do corpo para o Caju. "Não acreditei quando ouvi a notícia, saí quebrando tudo", disse Talita Alencar, 15 anos, que veio com as amigas Roberta Schneider e Gabriela Rodrigues, da mesma idade. As três vestiam camisas com o nome de Renato Russo escrito a mão.

Antes da cremação, a família do músico optou por uma cerimônia religiosa simples, à qual compareceram só os amigos mais íntimos, como a cantora Marina e as atrizes Denise Bandeira (que chegou a namorá-lo) e Ana Beatriz Nogueira. Marco Nanini, amigo de Renato há quatro anos, chegou atrasado. Coincidentemente, era dia de Nossa Senhora Aparecida, santa da qual o roqueiro era devoto.

Nenhum dos membros da Legião presenciou o culto. Dado VilIa-Lobos foi ao cemitério no dia anterior e Marcelo Bonfá viajou para Fortaleza. "0 Marcelo está muito deprimido. A viagem não vai adiantar, porque a dor está dentro da gente", comentou Leda Bonfá, mãe do músico. Outra ausência foi a do filho de Renato, Giuliano, de sete anos, que era criado pelos avós em Brasília. Renato dizia tentar preservá-lo do assédio da mídia e nunca revelou quem teria sido sua mãe. Comenta-se que era uma modelo paulista que morreu num acidente de automóvel.

Do lado de fora da capela, na janela os fãs se acotovelavam, tentando ver pela última vez o ídolo. O operador de áudio Emerson Gonçalves, de 21 anos, que perdeu uma perna aos 12 e carrega uma tatuagem da Legião no braço, era um dos mais emocionados, citando um trecho da canção Love In The Afterntoon, do disco Descobrimento do Brasil "É tão estranho / Os bons morrem jovens / Assim parece ser". Morador de Maricá, ele passou a noite no cemitério e escreveu um poema para Renato. As cinzas do músico, segundo a família, serão espalhadas em um parque florido no Rio, cidade que ele dizia amar.

Com Renato Russo, vai-se mais um pedaço insubstituível da música brasileira, entre os muitos que morreram nos últimos anos: Raul Seixas, Cazuza, Gonzaguinha Tom Jobim e Mamonas Assassinas. "0 Renato foi o poeta mais talentoso da geração dele, junto com o Cazuza e o Arnaldo Antunes. Ele faz muita diferem Foi um grande cantor, o maior geração dele", disse o produtor Nelson Motta. "Ele era uma pessoa muito carinhosa, muito afetuosa, por quem vou sentir muita saudade, uma admiração eterna e um respeito eterno", acrescentou a amiga Marina Lima.

O Maior Legado

Renato deixa uma série de gravações inéditas, que fariam parte de A Tempestade, caso este tivesse sido um disco duplo, como ele queria. Existem também registros ao vivo dos últimos shows da Legião. Seu maior legado, porém, já está na boca dos jovens, que continuarão cantando suas canções, como A Via Láctea. "Quando tudo está perdido / Sempre existe um caminho / Quando tudo está perdido / Sempre existe uma luz."


Escrito por Renan Russo às 05h16 PM
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História - Sobre a Legião Urbana final

Leia a ultima mensagem para entender

E finalmente, em 18 de julho de 1997, sai o álbum "Uma Outra Estação". Este album contem as canções remanecentes do trabalho anterior. O projeto original sugerido pelo Renato era de que o "A Tempestade" fosse um album duplo. As circunstancias inviabilizaram o projeto dando origem a um album simples.

O material para este álbum não estava totalmente finalizado. Dado, Bonfá, Carlos Trilha (tecladista) e Tom Capone (guitarra) concluiram os trabalhos dando origem a este álbum com todas as canções ainda com os vocais de Renato, a excessão de "Sagrado Coração" que mesmo tendo a letra no encarte, não tem registro dos vocais de Renato.


Em março de 1998, a EMI lança Mais do Mesmo - uma coletânea dos grandes sucessos da Legião - contra a vontade de Dado e Bonfá, que mesmo cedendo as pressões da gravadora, colocaram uma cláusula no contrato dizendo que o disco ficaria no mercado durante um ano e depois sairia de catálogo.

Em outubro de 1999, a gravadora EMI lança o album Legião Urbana Acústico MTV, que foi gravado no começo de 1992. O Acústico desta vez é passado completo (a primeira versão que passou na TV não era completa). Em Fevereiro de 2000 o disco já alcançou a vendagem de um milhão de cópias.


Os discos da Legião foram definidos por Arthur Dapieve - no encarte de Mais do Mesmo - da seguinte maneira: o politizado "Legião Urbana", o amoroso "DOIS", o irado "Que País é Este", o religioso "As Quatro Estações", o sombrio "V", o reflexivo "O Descobrimento do Brasil" , o deprimido "A Tempestade" e o redentor "Uma Outra Estação".
 

 



Escrito por Renan Russo às 04h54 PM
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Historia - Sobre a Legião Urbana


  O grupo de rock Legião Urbana foi formado em Brasília em 1983. A última formação era:
Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá , Renato Russo e Renato Rocha


A Legião Urbana surgiu após a separação do grupo punk Aborto Elétrico formado por Renato Russo em 1978. Do Aborto, fizeram parte Fê Lemos (Capital Inicial), André Pretórius e Flávio Lemos (Capital Inicial). Fê Lemos e Flávio Lemos hoje tocam no Capital Inicial, e André Pretorius abandonou o Aborto pra servir o exército na África do Sul, e posteriormente morreu de overdose nos EUA.

A primeira formação da Legião era: Renato Russo (baixo, vocais), Marcelo Bonfá (bateria), Eduardo Paraná (guitarra) Paulo Paulista (teclados). Em meados de 1983, saíram Eduardo Paraná e Paulo Paulista. Ico Ouro Preto assumiu a guitarra por um certo tempo e foi substituído por Dado Villa-Lobos (Abril de 83). Ico Ouro Preto (que é irmão do Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial) abandonou a carreira de músico para tornar-se fotógrafo e hoje em dia vive e trabalha na França.

As letras de Renato continham a rebeldia, a busca de verdades, a dúvida e a indignação, recheadas de contradições com as quais muitas pessoas se identificam.

A Legião tornou-se conhecida quando começou a tocar fora de Brasília participando de shows como os do Circo Voador no Rio de Janeiro. Suas primeiras canções eram, em sua grande parte, herdadas do Aborto, tais como: Que País é Este (que virtualmente abria todas as apresentações do grupo), Conexão Amazônica, Geração Coca-Cola, Ainda é Cedo, Química,etc.

Em 1984, entra no baixo um amigo de Marcelo Bonfá chamado Renato Rocha (Negrete, Billy). Apadrinhado pelos também brasilienses Paralamas do Sucesso, assina com a gravadora EMI ODEON. Sai o primeiro LP Legião Urbana. Desde então, a banda começou a emplacar sucessos como Será, Ainda É Cedo, Geração Coca-Cola e Soldados.

Em 1985 começavam os esboços do álbum "DOIS" que era para se chamar "Mitologia e Intuição" e ser um álbum duplo. Mas a gravadora EMI-ODEON não quis e saiu um simples mesmo. A Legião nesse tempo já tinha seu espaço reservado no Rock Nacional. Seus shows eram famosos pela postura considerada messiânica de Renato e por um comportamento totalmente anti-pop. Não abriam shows para ninguém e não permitiam baderna de espécie alguma durante os seus shows.

Após o álbum "DOIS", a Legião quase terminou. Passada a fase mais difícil, iniciaram a gravação do álbum Que País é Este ("Mais Do Mesmo" era o título provisório) utilizando o material que era para ter entrado no que seria o Mitologia e Intuição, mas acabou sendo mesmo um disco com várias músicas antigas, a maioria da época do Aborto Elétrico (Que País É Este, Conexão Amazônica, Tédio, Química) e outras do ínicio da Legião, apenas Mais do Mesmo e Angra dos Reis eram novas. Esse álbum rendeu a eles a consolidação da banda no Rock Nacional mas também trouxe a banda complicações como o tumulto no show em Brasília em junho de 1988.


Em 1988, no final da turnê do terceiro LP "Que País É Este", sai Renato Rocha. A Legião volta a ser um trio, Russo e Dado revezam-se no baixo na gravação do LP As Quatro Estações. Este álbum iniciou uma nova fase para a banda. Deixada de lado a fúria do disco anterior, este álbum era mais ligado à assuntos espirituais e sentimentais, falando de temas como a Aids (Feedback Song for a Dying Friend) e Homossexualismo (Meninos e Meninas) mas sem deixar a crítica de lado como em 1965 (Duas Tribos). Segundo Renato, este álbum é fundamentalmente sobre sexo.

Foi o álbum mais vendido depois do "DOIS". O fato surpreendeu o grupo já que nenhuma das músicas tinha qualquer característica pop.

Em 1991 sai o álbum "V" com uma temática mais pessimista e temas como drogas (A Montanha Mágica) e a situação difícil das pessoas no Brasil (O Teatro dos Vampiros). Destaque nesse álbum para a música "Metal Contra As Nuvens". A turnê desse álbum foi interrompida em setembro de 1992 por complicações de saúde de Russo. Após um show nessa mesma época, Dado achou que jamais subiria novamente num palco ao lado do Renato e do Bonfá.

Em 1992, o grupo lança o Música P/ Acampamentos. Uma coletânea do trabalho ao vivo deles em shows e especiais de rádio e TV.

Em dezembro de 1993, é lançado o álbum O Descobrimento do Brasil. Com esse álbum, eles buscavam mais a esperança, embora todas as músicas falassem sobre despedida. As letras mostram um Renato "refeito" pois, nessa época, ele já tinha iniciado seu tratamento contra a dependência química.


Em 21 de setembro de 1996, sai o último álbum da banda "A Tempestade".


Após 3 anos sem gravar, o álbum era mais do que esperado. A música de trabalho "A Via Láctea", veiculada nas rádios à partir de 29 de agosto, traçava uma idéia de como seria o álbum.

No início de 1996, Renato Russo adoece e entra em crise depressiva profunda. Os trabalhos de gravação do disco foram interrompidas várias vezes e duraram cerca de 6 meses.

Neste trabalho, não aparecem agradecimentos, nem a frase em latim presente em quase todos os álbuns "URBANA LEGIO OMNIA VINCIT" (Legião Urbana vence todas as coisas). Renato recusou se a tirar fotos para este álbum e fez dele uma carta de despedida aos fãs. Após as gravações, em junho de 96, Renato se isola em seu apartamento muito abalado fisicamente por causa de uma forte pneumonia. Renato era soropositivo desde 1989. Em 11 de outubro de 1996, a AIDS leva mais um grande poeta dos anos 80. Renato vem a falecer em decorrência desta doença.


O fim da Legião Urbana é então anunciado dia 22 de outubro pelos parceiros Dado e Marcelo acompanhados do empresário da banda, Rafael Borges.
 



Escrito por Renan Russo às 04h47 PM
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